(divulgação)

 

No início deste mês, a Danone em parceria com De Umbiguinho a Umbigão, e um time de especialistas em saúde da infantil, realizaram em Goiânia, evento evidenciando a saúde nos primeiros 1000 dias de vida, período que refere desde o primeiro dia de gravidez até os 2 anos de idade do bebê.

Para entender mais sobre o assunto, conversamos com a cientista da nutrição, da divisão de nutrição infantil da Danone, Dra. Karina Barros, que também é especialista em nutrição hospitalar pelo Hospital das Clínicas de SP, mestre e doutora nesta área pela UNIFESP e University of Southampton. Ela evidenciou a importância da alimentação adequada nesse período de formação do bebê, que é essencial e influencia na saúde da criança até a fase adulta, diminuindo o risco de surgimento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes,  alergias e doenças crônicas. Além de ressaltar a importância da amamentação e seus benefícios.

Confira este 2 Dedos de Prosa!

estudos recentes sinalizam que é interessante o cuidado global com a saúde, antes da gestação, como um preparo prévio.

Patricia Finotti – Qual a importância da nutrição para os primeiros 1000 dias de vida? Com o que é preciso se preocupar neste período?

Dra. Karina Barros – A adequada nutrição durante os primeiros 1000 dias influencia a saúde da criança no curto prazo, como baixa estatura e doenças carenciais como anemia, por exemplo; assim como um profundo impacto na saúde até a fase adulta, diminuindo o risco do surgimento de doenças crônicas, tais como obesidade e doenças cardiovasculares.

A preocupação com a alimentação precisa iniciar na gestação. Contudo, estudos recentes sinalizam que é interessante o cuidado global com a saúde, antes da gestação, como um preparo prévio. A mãe deve fazer o pré-natal rotineiramente e ter uma alimentação equilibrada e saudável para formar as reservas apropriadas do organismo em preparação para o aleitamento e suprindo o organismo com nutrientes específicos (ácido fólico – para a formação do cérebro, vitamina D e Cálcio – para a saúde dos ossos, ômega 3 e DHA – para o desenvolvimento cerebral e visual e ferro – para prevenir a anemia). Após o nascimento, o leite materno é o meio natural pelo qual os recém-nascidos são alimentados, portanto, ele é o mais importante e o melhor alimento para o início da vida.  A introdução de comidas sólidas é necessária para atender às crescentes necessidades das crianças a partir dos seis meses, além do leite materno.

P.F – Como uma má alimentação neste período inicial interfere no futuro da criança?

K.B – O acesso à melhor nutrição durante os primeiros 1000 dias é fundamental, pois quando não tem uma boa alimentação a criança pode ter seu crescimento e desenvolvimento prejudicado e há um risco potencial no desenvolvimento futuro de doenças crônicas, afetando de maneira significativa a qualidade de vida a longo prazo. É neste período que o corpo e os órgãos crescem, enquanto o cérebro e todos os demais sistemas, incluindo  o digestório e imunológico se desenvolvem, por isso é fundamental que a mãe e/ou bebê recebam os nutrientes necessários.

Atualmente, temos 04 (quatro) estudos científicos desenvolvidos no Brasil para fomentar o assunto, que em linhas gerais tem o foco no mapeamento nutricional de crianças de 0 a 3 anos. Os principais achados destes estudos são, do ponto de vista antropométrico, a baixa estatura, o risco de sobrepeso e da ótica nutricional inadequações alimentares, com baixa ingestão de fibras, vitaminas e minerais.

Desta forma, o nosso compromisso é transformar a realidade nutricional da criança brasileira, por intermédio do apoio a causa dos primeiros 1000 Dias e demonstrar que durante a infância, todos os cuidados com a saúde, com o estimulo certo, o ambiente seguro em sinergia com uma alimentação adequada e saudável são elementos  para atender as demandas desta fase de intenso crescimento e desenvolvimento fisiológico, manutenção da saúde e bem-estar atual e futuro.

O leite materno é o meio natural pelo qual os recém-nascidos são alimentados, e é a melhor forma de garantir os nutrientes necessários para os bebês.

P.F – Qual a importância da amamentação para a saúde da mãe e principalmente a do bebê?

K.B –  O leite materno é o meio natural pelo qual os recém-nascidos são alimentados, e é a melhor forma de garantir os nutrientes necessários para os bebês. Rico em lactose (que é o principal carboidrato do leite materno), seguido de gorduras, prebióticos (que são elementos importantes para a microbiota intestinal), além de proteínas, vitaminas, minerais, anticorpos e água, ele é importante para o bom desenvolvimento das crianças. Além disso, a prática de amamentar gera impactos positivos nos futuros relacionamentos interpessoais do bebê, melhora suas condições psicomotoras e proporciona diversos benefícios para a mãe. Como resultado, a sociedade passa a ter indivíduos mais fortes e saudáveis.

Listamos 9 benefícios da prática — tanto para mães, quanto para seus filhos.

1-      Reduz o sangramento pós-parto e evita a anemia : Dar de mamar para o bebê acelera o processo de recuperação do parto devido a ação de um hormônio chamado ocitocina, responsável pelas contrações do útero e que faz com que o órgão volte mais rapidamente ao seu tamanho “normal”. O processo acaba por reduzir os riscos de hemorragia pós-parto e, logo, diminui os riscos da anemia materna. A ocitocina também é conhecida como o hormônio do amor.

2-      Protege contra o câncer de mama: A longo prazo, a amamentação reduz os riscos da mulher desenvolver o câncer de mama. Isso acontece porque a prolactina, que também é um hormônio que estimula a produção de leite, é capaz de desenvolver o tecido adiposo das mamas e amadurecer as células produtoras de colostro. O aleitamento materno também pode prevenir outros tipos de câncer como o de endométrio e o de ovário.

3-      Diminui a ansiedade do bebê e da mãe: Da mesma forma que estudos comprovaram que sintomas de depressão materna afetam negativamente o tipo e a duração da amamentação, o inverso também acontece: mães que dão de mamar para seus filhos possuem menos chances de desenvolver o problema. O bebêzinho tende a chorar menos quando consegue mamar logo no início da vida, pois passa a desenvolver uma relação de confiança com a mãe. As mulheres também ficam menos ansiosas.

4-      Aumenta a autoestima da mãe: Durante a gravidez, a maioria das mulheres  está extremamente insegura e com medo do que está por vir. Isso, naturalmente, afeta a autoestima e a confiança sobre a capacidade de amamentar. Mas a lógica tem de ser inversa: o fato de saber que produz um leite perfeito para suprir todas as necessidades do rebento deve ser motivo para ter a autoestima aumentada significativamente. É só imaginar que sairá do próprio corpo dela o melhor alimento que o filho receberá durante todas as décadas de vida dele.

5-      Intensifica o vínculo entre mãe e filho : A hora de dar de mamar é um momento muito especial e rico em desenvolvimento. Assim como todos os outros sentidos dos bebês, durante os primeiros meses de vida, a visão ainda está se acostumando a enxergar o mundo aqui fora. Por isso, os pequenos tendem a ver com mais nitidez numa distância entre 20 a 30 centímetros. Curiosamente, este é o espaço entre o bebê e a mãe durante o aleitamento. O calor e o cheiro da mãe também deixam o bebê seguro, enquanto que os batimentos cardíacos despertam a sua curiosidade. Mas vai um recado para as mulheres que não conseguem  — por uma série de motivos — amamentar os filhos: vocês não são menos mães por isso. Estudos também constataram que se a mãe trata o bebê com carinho e cuidado durante a alimentação, o vínculo também se estreitará.

6-      Diminui os riscos de diarreia e fortalece o sistema imunológico: O colostro é uma das formas mais importantes para o fortalecimento do sistema imunológico do bebê: é através dele que a mãe consegue transmitir seus anticorpos para o filho. Portanto, o leite materno é uma das maneiras mais efetivas de proteção contra a diarreia e infecções de ouvido (otite), além de outras infecções do trato digestivo, do sistema respiratório, como pneumonia, e do trato urinário. Os pequenos que recebem o leite do peito também apresentam risco menor de desenvolver asma e outras alergias alimentares e de pele. 

7-      Diminui as chances de desnutrição e obesidade: Quanto maior for o período em que o bebê for amamentado, menores serão as chances de ele desenvolver problemas relativos à alimentação, como a desnutrição e obesidade.  Na revisão da OMS sobre evidências do efeito do aleitamento materno em longo prazo, os indivíduos amamentados tiveram uma chance 22% menor de vir a apresentar sobrepeso/obesidade. Entre os possíveis mecanismos implicados a essa proteção, encontram-se um melhor desenvolvimento da auto-regulação de ingestão de alimentos das crianças amamentadas e a composição única do leite materno.

8-      Evita o aparecimento de problemas ortodônticos e faciais: A sucção e outros movimentos que o bebezinho faz para conseguir retirar o leite do seio é fundamental para o desenvolvimento de sua boquinha. É por meio deste movimento que o palato duro se fortalece para que os dentinhos cresçam bem alinhados. O desmame precoce pode levar à ruptura do desenvolvimento motor-oral adequado, podendo prejudicar as funções de mastigação, deglutição, respiração e articulação dos sons da fala, ocasionar má-oclusão dentária, respiração bucal e alteração motora-oral.

9-      Estimula o desenvolvimento cognitivo e intelectual: Há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo. A maioria dos estudos conclui que as crianças amamentadas apresentam vantagem nesse aspecto quando comparadas com as não amamentadas. Apesar de os mecanismos envolvidos na possível associação entre a amamentação e o melhor desenvolvimento cognitivo ainda não serem totalmente conhecidos, os pesquisadores defendem a presença de substâncias no leite materno que otimizam o desenvolvimento cerebral. A gordura presente no leite materno, por exemplo, é constituída por ácidos graxos poli-insaturados, responsáveis por formar os neurônios da criança e favorecer as sinapses nervosas.

P.F – Por quanto tempo é necessário a amamentação para o bebê? Durante este período, quando pode se introduzir novos alimentos?

K.B – A Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o aleitamento materno exclusivo por 6 meses após o nascimento, devendo ser mantido e complementado com apropriada alimentação até os dois anos de vida. A introdução de comidas sólidas é recomendada para atender as crescentes necessidades nutricionais das crianças a partir dos 6 meses. Nesse período também é importante o aleitamento materno, que deve seguir até os dois anos de vida.

A proximidade, o carinho e a atenção dos pais favorecem o desenvolvimento da criança e facilitam sua capacidade de aprendizado.

P.F – Após o período da amamentação, como deve ser a alimentação do bebê e da criança?

K.B – Nessa idade, outros alimentos devem ser acrescentados à dieta do bebê, de forma gradual e cuidadosa. A introdução de novos alimentos deve ter sabores, cores, aromas e texturas, visando: desenvolver hábitos alimentares saudáveis; aprimorar a coordenação motora; estimular o aprendizado de alimentar-se sozinho; fortalecer os vínculos familiares (a crianças deve fazer parte das refeições familiares).

A proximidade, o carinho e a atenção dos pais favorecem o desenvolvimento da criança e facilitam sua capacidade de aprendizado.

receber estímulos apropriados durante a primeira fase da vida têm um reflexo positivo no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo, que tende a refletir nas realizações na fase adulta, com a possibilidade de melhores oportunidades de emprego, maior produtiva e menor probabilidade de fazer escolhas que prejudicam sua saúde e bem estar, como envolvimento com situações de violência, por exemplo.

P.F – Qual o impacto econômico que a nutrição, principalmente nos primeiros anos de vida, tem a longo prazo, na sociedade de um país?

K.B – É difícil encontrar um investimento que dê um retorno tão alto como investir na primeira infância. Hoje uma série de estudos tem mostrado resultados promissores não só para saúde, mas para a economia. Segundo o economista americano James Heckman, prêmio Nobel de Economia no ano 2000, programas desenhados para a primeira infância, proporcionam um retorno sobre o investimento de 7% a 10% por ano. E as justificativas para tal retornos se devem ao fato de receber estímulos apropriados durante a primeira fase da vida têm um reflexo positivo no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo, que tende a refletir nas realizações na fase adulta, com a possibilidade de melhores oportunidades de emprego, maior produtiva e menor probabilidade de fazer escolhas que prejudicam sua saúde e bem estar, como envolvimento com situações de violência, por exemplo.

Sendo assim, tem sido construído uma nova cultura em prol da primeira infância, que passa pela fase dos primeiros 1000 dias, onde a infância é considerada hoje, ao mesmo tempo, uma fase sagrada da vida e uma época em que se prepara o futuro adulto. Logo, proteger as crianças, com a oferta de uma alimentação saudável, proteção, carinho, educação, estímulos e possibilidades de brincar  é uma das estratégias para moldar o futuro da sociedade.