(fotografia: divulgação)

Campeonatos internacionais de automobilismo, jet set diversificado, assim era como os fãs conheciam a rotina de um dos maiores ídolos do automobilismo. Contudo, nos bastidores, Ayrton Senna tinha uma vida reservada, com zelo ao que referia a seus assuntos pessoais, como por exemplo, em relação a namorada misteriosa, a qual mencionava como “Minha Garota”.  

Em 1984, durante férias em Angra dos Reis – RJ, o piloto de Formula 1, conheceu Adriane Yamin. Ele tinha 24 anos e se encantou pela adolescente, na época com 15. Durante os quatro anos de relacionamento, o mais longo que teve em sua vida, Senna procurou poupá-la ao máximo de exposições, ainda mais, devido a preocupação que os pais dela tinham de que não tivesse a sua vida exposta pela imprensa.

Após 31 anos do fim do relacionamento, Adriane decidiu contar a sua história com Senna. “Muito se falou ao longo destes anos todos, de maneira deturpada e agora vou contar a verdade na integra, de uma só vez e de forma definitiva.” explicou a empresária, que lançou no fim do ano passado o livro Minha Garota, um romance de não-ficção, que também desmistifica o ídolo Ayrton Senna, e o transforma em Beco, seu apelido para os íntimos.

Em Minha Garota, a autora conta a história entre os dois jovens que se amavam, separados pela rotina, pela a carreira, metas pessoais, interesses de terceiros e pelo poder. Na obra, Adriane reuniu suas memórias, através das dezenas de cartas e bilhetes que o namorado a enviava, além de, centenas de fotografias, recortes de jornais e revistas, para contar como era a intimidade do casal.  

Nesse 2 Dedos de Prosa, Adriane Yamim, conversou conosco com exclusividade sobre seu relacionamento com Ayrton Senna, o livro e projetos futuros.

Patricia Finotti – Por que somente agora, após mais de 30 anos, você decidiu escrever sobre a sua história com Ayrton Senna?

Adriane Yamin – Foram 30 anos de privacidade que me permiti para viver minha vida em família. Agora resolvi contar essa história porque a biografia do Senna estava incompleta, eu não poderia levar comigo, afinal foi seu mais longo relacionamento. Muito se falou ao longo destes anos todos, de maneira deturpada e agora vou contar a verdade na integra de uma só vez e de forma definitiva. 

O título vem do próprio Ayrton, que para preservar minha privacidade se referia a mim, em entrevistas, como “ minha garota” e agora chegou a hora do público saber quem era a garota dele

P.F. – O que o leitor pode esperar em “Minha Garota”? O porquê deste título?

A.Y. – O leitor irá se deparar com o homem Senna, o Beco como é chamado pelos íntimos. Hoje tenho certeza, graças ao feedback de quem já leu, que neste enredo conseguimos, eu e minha coautora Anna Osta, trazer os leitores para dentro da história, fazer com que vivenciem os fatos narrados com legitimidade, e isso está nos trazendo uma sensação maravilhosa de dever cumprido. Era esse meu maior objetivo, que sintam com o coração.

O título vem do próprio Ayrton, que para preservar minha privacidade se referia a mim, em entrevistas, como “ minha garota” e agora chegou a hora do público saber quem era a garota dele, a quem foi dedicada algumas conquistas importantes de sua carreira. 

me recusei a fazer uma versão que não fosse de total legitimidade. Essa é minha história e um pedaço importante da minha vida e não acredito que conseguiríamos tocar os fãs da forma que vem ocorrendo, se não fosse escrito da maneira mais honesta possível.

P.F. – Por que decidiu publicar Minha Garota de forma independente e sem editora?

A.Y. – Tivemos contato com algumas poucas editoras que buscavam o crivo do IAS – Instituto Ayrton Senna – e numa versão comercial. Não podíamos dar o crivo do Instituto, este que se colocou isento, numa posição de não se envolver em assuntos pessoais do piloto e voltados apenas a assuntos da carreira do ídolo. O outro ponto, é que me recusei a fazer uma versão que não fosse de total legitimidade. Essa é minha história e um pedaço importante da minha vida e não acredito que conseguiríamos tocar os fãs da forma que vem ocorrendo, se não fosse escrito da maneira mais honesta possível. Chega a ser comovente, para mim, as pessoas falarem comigo como amigos de longa data, chegam até a me dar o consolo e solidariedade por perceberem o que passei calada e sozinha por tantos anos.

P.F.- Além de São Paulo, você já fez o lançamento de seu livro em outras cidades? Goiânia pode esperar pelo lançamento de Minha Garota?

A.Y. – Seria um grande prazer. Alô Goiânia, nos convide para um lançamento que iremos com a maior alegria. Basta entrar em contato conosco através de nossa página pública no Instagram  @adrianeyaminoficial e encaminharemos para o setor responsável que entrará em contato.

P.F. – Você vem de uma família tradicional. Que se preocupava com o seu bem-estar diante a exposição de um namoro na mídia. Como eles entenderam a sua necessidade de escrever o livro sobre seu relacionamento com Senna? E como foi com seus filhos, eles te apoiaram?

A.Y. – Meus pais e irmãs não estavam de acordo, a princípio, porque fomos criadas indoor e com muita privacidade, mas eu sempre soube que estava em dívida com o Beco… nossa história ficou a margem de sua vida por imposição da minha família. Isso trouxe alguns transtornos desagradáveis para ele desde aquela época, então, sinto que estou tirando isso a limpo. Hoje todos estão felizes com o resultado. Meus filhos sempre me apoiaram e sentiram muito orgulho, porque conheciam a qualidade do que vivenciei com o Ayrton. Sabiam o quanto me marcou, o quanto foi intenso e bonito. 

Foi algo que eu não sei explicar, eu diria que ouve um encantamento imediato que se transformou em amor, companheirismo e cumplicidade.

P.F. – Como vocês se conheceram? Foi amor a primeira vista?

A.Y. – Nos conhecemos em Angra, no Réveillon de 1984/85. Foi algo que eu não sei explicar, eu diria que ouve um encantamento imediato que se transformou em amor, companheirismo e cumplicidade. Não nos desgrudamos mais até o final de 1988.

P.F. – Para você, Senna era o Beco. Durante os quatro anos de relacionamento. O que te marcou? Vocês tinham uma música em especial?

A.Y. – O que mais me marcou foi a saudade constante, causada pelas longas ausências por conta de sua profissão. Nossa música era “Careless Whyspers” de George Michael.

P.F. – Você era muito jovem, e tinha uma rotina diferente da do piloto de formula 1. Quais foram as principais dificuldades em manter esse relacionamento?

A. Y. – Nossa! Eram vidas muito diferentes, entre  pessoas tão iguais! Foi barra. Marcação serrada da família. Nós realmente lutamos para fazer dar certo, para ficarmos juntos. As dificuldades eram muitas! Para citar algumas: a diferença de idade, minha criação e a distância constante.

Nossa música era “Careless Whyspers” de George Michael.

P.F. O relacionamento de vocês durou toda a sua adolescência, e era um namoro mais reservado. Suas amigas sabiam de sua história? Como elas reagiam ao saber que era namorada do maior ídolo do automobilismo brasileiro?

A.Y. – As amigas mais próximas sabiam. Na época ele ainda não era ídolo, era um piloto com muito potencial, mas todos entravam na simplicidade, sintonia e fluidez que existia entre eu e o Beco. Elas assustavam, assim como eu, quando o assédio dos fãs extrapolava nossa privacidade em locais públicos.

P.F. – Quais eram os locais que mais frequentavam? O que vocês faziam quando estavam juntos?

A.Y. – Íamos muito ao cinema (para namorar um pouco sem olhares curiosos), íamos à lanchonetes, boates, normalmente acompanhados de amigos ou familiares. Éramos um casal normal. Ele sempre ia onde eu estivesse nos finais de semana, feriados ou férias quando estava no Brasil. Íamos muito para fazenda da minha família, algumas vezes para Angra, Guarujá, Campos do Jordão e até para o interior de SP onde minha irmã foi morar depois de casada. Ele ia ao meu encontro, onde quer que eu estivesse com minha família, era um companheirão. 

foi uma relação muito rara e bonita, encantava a todos que a presenciaram, por isso o choque geral quando acabou.

P.F. – Como era o Ayrton Senna em sua intimidade?

A.Y. – Carinhoso, atencioso, protetor, cavalheiro, amoroso, companheiro, parceiro… discreto, educado, brincalhão, romântico… tudo de bom! Por isso a saudade constante… foi uma relação muito rara e bonita, encantava a todos que a presenciaram, por isso o choque geral quando acabou.

P.F. – Vocês ficaram noivos e se separaram em 1988. Qual você considera o principal motivo dessa separação? 

A.Y. – A fama e a cobiça ao redor dele, faltou espaço para formar uma família.

P.F. – Com o termino do namoro, como ficou a sua relação com ele?

A.Y. – Foi um rompimento brusco, sem um motivo plausível e arcamos ambos com as consequências de maneira bastante rancorosa e orgulhosa. Resolvemos tocar nossas vidas separados, somos ambos determinados inclusive na hora da burrada (rs), mas ele voltou a me procurar todos os anos subsequentes. Algo faltava individualmente, e algo nos prendia um ao outro.

Meu luto foi vivido isoladamente quando ouve o rompimento, foi uma fase muito difícil. 

P.F. – Como foi ao receber a notícia do acidente de Senna?

A.Y. – Foi um choque tremendo, um vazio repentino, uma história mal acabada que não teria mais como chegar ao devido fim. Eu realmente gostaria de ter resolvido, até finalizado realmente em vida, me sentia presa a ele. Meu luto foi vivido isoladamente quando ouve o rompimento, foi uma fase muito difícil. 

P.F. – Quem foi a Adriane Yamin, quando conheceu Ayrton Senna, e quem é a Adriane Yamin, hoje? 

A.Y – Eu era uma adolescente muito alegre, brincalhona, animada, esportista, destemida, agitada e que levava uma vida segura, inocente e normal para a idade.

Hoje sou uma mulher madura, que cumpriu com sua missão primordial na criação dos filhos. Que teve problemas, sobressaltos, desafios, superações como qualquer um tem durante a vida para seguir adiante. Muitas alegrias e alguns tropeços que me trouxeram até aqui. Resolvo essa minha história com este projeto, tomo o lugar que pertence apenas a mim e seguirei em frente com a alma leve e em paz. Essa história não pertence mais só a mim, compartilho agora com os fãs que o amam e me sinto liberta para seguir adiante.

P.F. – Quais são os seus planos para o futuro em relação ao livro?

A.Y. – Não existem muitos planos, agora é divulgar para que este projeto se sustente. O resto fica por conta dos leitores… afinal… a voz do povo é a voz de Deus! Quero muito é divulgar em outros idiomas para o mundo inteiro e assim, completar a biografia deste ídolo que não será esquecido. Estou de passagem na vida pública.