Um dos cartunistas mais famosos de Goiás, o design gráfico Christie Queiroz é criador dos personagens, Cabeça Oca, Mariana e Biel, que a criançada tanto ama. Começou a publicar as tirinhas do Cabeça Oca, aos 16 anos, nos jornais O Popular, do Tocantins e de Brasília. E nunca mais parou. Atualmente as tiras também são publicadas em redes sociais, indo além. A família Cabeça Oca, também, está em diversos livros impressos e digitais, HQs, cartilhas educativas, peças teatrais, e mais recentemente, ganhou um jornalzinho impresso próprio.

“Este prêmio me surpreendeu porque tem tanta gente boa no mercado e eu fui escolhido.”

sobre o prêmio Ângelo Agostini 2016, sendo o primeiro goiano a receber

Segundo o cartunista, a inspiração para tanto material vem da percepção de sua realidade, e da vivência cotidiana com seus filhos. Claro, que a história de nosso estado e de personalidades importantes sempre estão presentes, como por exemplo, Cora Coralina e Goiânia.

Para conhecer mais sobre o trabalho deste premiado ilustrador de estórias; que recebeu menção honrosa em Nova York, da Society News for Design, e mais recentemente a indicação e reconhecimento com o Prêmio Angelo Agostini na categoria Mestre do Quadrinho Nacional; conversamos com ele, com a ajuda de algumas crianças, leitoras assíduas de seu trabalho. Confira!

Patricia Finotti Opinião – Você sempre foi inovador com suas publicações. Começou publicando suas tirinhas em jornal. Escreveu livros com extensões em digital. E agora, lança jornal impresso com a turma do Cabeça Oca, entusiasmando a criançada a cada mês com a foto de seus leitores mirins publicadas. Como surgiu esse ultimo projeto? Por que a criançada da era digital fica tão entusiasmada em ver a foto delas impressa em papel jornal?

Christie Queiroz – Sempre visito escolas e ouço o que as crianças e professores tem a dizer. Com o fim do caderno infantil Almanaque, percebi que ficou uma lacuna muito grande e me coloquei nela. É muito importante formar novos leitores. Isso começa na infância, não só com livros, mas com gibis, revistas e jornais. Resolvi enfrentar esse desafio e minha meta é crescer a tiragem de 40 mil exemplares mensais para 100 mil nos próximos 6 meses. Atingir Goiás, Tocantins, Distrito Federal e o restante do país. Acredito que o entusiasmo está primeiro no fato delas gostarem dos personagens e em seguida, por aparecerem no jornal que elas gostam. As pessoas acham que a vida da criança é só digital. Eu creio que é apenas um pedacinho. Vivemos tanto tempo sem o digital… como conseguíamos? O Jornalzinho é o novo para elas. Estamos na contra-mão. Inventaram uma história há alguns anos de que o impresso acabaria e que leríamos tudo no celular ou computador. Isso não aconteceu. Precisamos lutar contra isso. As pessoas lêem pior. Somente em redes sociais. Precisamos ter iniciativa e ajudar nisso. Foi o que fizemos.

PFO – Seu currículo é repleto de diversas premiações. Entre todas, quais te causou maior surpresa?

CQ – Ser premiado Mestre do Quadrinho Nacional, em 2016. Este prêmio me surpreendeu porque tem tanta gente boa no mercado e eu fui escolhido. Nunca apostaria em mim (risos).

PFO – Como foi quando recebeu a notícia de indicação a este prêmio (Ângelo Agostini 2016) e logo receber esta honraria, evidenciando que foi o primeiro em Goiás a levar a premiação?

CQ – Fiquei muito surpreso, feliz e honrado por representar Goiás no cenário nacional. Estive no Memorial da América Latina para receber o prêmio e participei de uma mesa de debates. Percebi todos muito interessados em me ouvir. Foi quando percebi a importância do que faço no país.

PFO – Qual o profissional de sua área que você admira? Você já encontrou com ele? Como foi?

CQ – Mauricio de Sousa e Ziraldo. Encontrei várias vezes com os dois. A primeira vez que os conheci foi maravilhoso e com poucos minutos de conversa percebemos que nossas histórias eram muito parecidas. O Mauricio me convidou para conhecer o estúdio dele e ficamos amigos. Sempre escrevemos um para o outro para trocar experiências. O Ziraldo é meu orientador profissional. Todo contrato que vou fazer, procuro as orientações dele. Estamos sempre conversando.

PFO – Quais são os seus personagens em quadrinhos favoritos?  

CQ – Ixi. Gosto de tantos… Mas o meu favorito é Peanuts. As histórias do Snoopy e Charlie Brown são imbatíveis.

PFO – Você publica semanalmente diversas tirinhas, com um bom material de seus personagens. De onde vem as suas inspirações para criação?

CQ – Sou muito observador. Tenho dois filhos pequenos e fico de olho no que pensam e fazem para me inspirar. A Mariana também quando era pequena foi grande fonte inspiradora, além da minha infância.

PFO – Conheço uma menina em Goiânia, que foi batizada com o nome Mariana, devido a personagem criado por você. Como é perceber que o seu trabalho tem inspirado tanta admiração?

CQ – Eu já conheci 3 Marianas que foram batizadas assim por causa das tiras. Sinto-me honrado e percebo a importância do que faço, mas nunca consegui mensurar o tamanho disso. Tem horas que sou seguido por crianças em livrarias, shoppings, e até mesmo no condomínio que moro… Procuro não ficar pensando nisso e trabalhar, porque ainda tem tantas coisas para serem conquistadas. De qualquer forma é algo que me deixa muito feliz.

PFO – Quais novidades estão sendo preparadas para os seus leitores?

CQ – Este ano lanço 3 livros. Dois em Goiânia e um em São Paulo na Comic Con Experience. Publico também a Agenda 2018 da Turma do Cabeça Oca (essa  deu muito trabalho), mas tem tantas coisas sendo feitas… espetáculos no teatro, as tiras diárias, os jornaizinhos mensais, reformulação do site, roteiros para futuras animações e mais livros: A vida de Juscelino Kubistchek e Terra Ronca 2 para 2018…

“Sobre filme, já recebi uma proposta. Logo vou sentar para conversar sobre o assunto.” 

*** Perguntas das crianças!

Mariana Bohn, 8 anos – De onde vem as idéias para fazer os desenhos?

CQ – Do dia a dia, dos meus filhos, das coisas que me acontecem, da minha infância. Adoro o que faço.

Rubens Felipe, 9 anos – Como você começou a desenhar?

CQ – Eu era bem pequeno. Tinha 5 anos e resolvi me desenhar em frente ao espelho. Minha mãe viu a cena e me chamou de cabeça oca. Resolvi batizar o personagem assim e não parei mais.

Laura Matos, 9 anos – Christie, você já produziu uma peça de teatro, que foi uma adaptação do seu livro Cabeça Oca no mundo de Cora Coralina. Eu assisti e foi muito legal. Agora eu quero saber se você, em algum momento já pensou na possibilidade de produzir um filme também com os personagens do Cabeça Oca?

CQ – Dia 29 de outubro temos outra peça. Cabeça Oca em Goiânia: o Tesouro Escondido, no Teatro Madre Esperança Garrido em Goiânia, às 17 horas. Sobre filme, já recebi uma proposta. Logo vou sentar para conversar sobre o assunto.

Maria Freitas Soares Silveira, 8 anos – Nós gostamos de ler suas tirinhas nas horas de lazer. E você o que gosta de fazer?

CQ – Passear com meus filhos, ler, ir ao cinema e viajar.

Olivia Felipe, 3 anos – Christie, quando a Mariana e o Biel vão virar princesa  e príncipe?

CQ – Tenho uma idéia para um espetáculo novo nos próximos dois anos. É algo assim, hehe.