A odontologia hospitalar é uma área em expansão, e estudos e experiências em hospitais têm evidenciado que a presença do cirurgião dentista junto a equipe multiprofissional de atendimento ao paciente hospitalizado,  pode contribuir para diminuir o risco de infecções causadas via cavidade oral. Além de, diminuir o tempo de internação, bem como a quantidade de prescrição de medicamentos, e como consequência, melhorar a qualidade de vida do mesmo.

Esse atendimento, é essencial para pacientes internos, uma vez que não possuem condições de tratar adequadamente de sua higiene bucal. Muitas alterações da saúde, manifestam-se, inicialmente, na boca, o que faz com que essa área de atuação seja imprescindível para aqueles que estão em ambientes controlados, como Unidades de Terapia Intensiva – UTI – e home care – atendimento domiciliar.

Em Goiás, o Instituto de Neurologia de Goiânia é um dos hospitais que agregam em sua equipe hospitalar um profissional da área de odontologia. A cirurgiã dentista Camila de Freitas é responsável pelo Serviço de Odontologia Hospitalar deste Instituto, e com um vasto currículo, representa o estado em diversas frentes, como: integra o grupo OralMed e o departamento de Odontologia da AMIB – Associação de Medicina Intensiva Brasileira, juntamente com mais cinco membros da área odontológica de todo o país. É presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de Goiás – CROGO e também do Departamento Odontologia Hospitalar da SOTIEGO. Também é Diretora do Departamento de Odontologia da Sociedade de Terapia Intensiva do Estado de Goiás. Além de, professora do curso de pós graduação da Associação Brasileira de Odontologia – ABO Goiás –  Odontologia Hospitalar e Atendimento a Pacientes Sistemicamente Comprometido.

Para entender melhor sobre essa área da odontologia, e o curso de Odontologia Hospitalar e Sistêmica, que será realizado pela ABO Goiás, com início no final deste mês, conversamos com Dra. Camila de Freitas. Confira:

Muitas alterações da saúde, manifestam-se, inicialmente, na boca, o que faz com que essa área de atuação seja imprescindível para aqueles que estão em ambientes controlados, como Unidades de Terapia Intensiva – UTI – e home care – atendimento domiciliar.

Patricia Finotti – O que é odontologia hospitalar? Qual a sua importância?

Dra. Camila de Freitas – A odontologia hospitalar é a área de atuação do cirurgião dentista que cuida dos pacientes sistemicamente comprometidos internados em hospitais e unidades de terapia intensiva podendo estender seu atendimento a internações domiciliares (Home Care). Ela busca o diagnóstico, prevenção e tratamento de focos infecciosos, alívio de dor, tratamento de manifestações bucais de doenças sistêmicas e prevenção de manifestações sistêmicas de doenças bucais.

P.F. – Em quais casos se faz necessário o cirurgião dentista em uma UTI?

C.F – Todo paciente internado em UTI deve receber o acompanhamento de um CD habilitado. Esse é um direito adquirido pela RDC 07 da agência nacional de saúde desde 2010.

A odontologia hospitalar pode ajudar a salvar vidas, uma vez que focos infecciosos bucais podem repercutir em sepse*, uma patologia de difícil controle e alta letalidade.

P.F. – Como é o trabalho do cirurgião dentista dentro do hospital?

C.F – Desde a admissão do paciente, ele é acompanhado pelo cirurgião dentista em todos os ambientes do hospital: leitos de enfermaria, apartamento, centro cirúrgico e unidade de terapia intensiva. A depender da patologia deste paciente, este acompanhamento abrevia o tempo de internação, e previne o uso de antibioticoterapia.

(* Sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas apartidarismo de uma resposta exacerbadas do organismo diante da invasão de um microorganismo a um tecido estéril do corpo. A sepse era conhecida antigamente como septicemia.

P.F. – Como é possível especializar-se nesta área? Quanto tempo de estudo? Quais os requisitos necessários para o curso?

C.F – Para habilitar é necessário um curso de 360 horas. Em Goiás, temos na ABOGO, com nova turma, para a última semana de janeiro. São 16 módulos, contemplando dentre outros conteúdos suporte básico de vida e laserterapia. Para maiores informações, os interessados podem acessar o site da ABOGoiás: https://www.abogoias.org.br/cursos/odontologia-hospitalar-e-atendimento-a-pacientes-clinicamente-comprometidos