Um dos principais desafios em alguns centros urbanos é a questão da mobilidade urbana. O aumento do índice populacional, bem como da frota de automóveis individuais, e a conseqüente perda da capacidade de permitir que as pessoas se movam com qualidade, e ainda o aumento de poluição ambiental e de acidentes de trânsito, tem tornado as grandes cidades espaços caóticos e estressantes.

Em Goiânia, os desafios não são diferentes de outras capitais. Alguns projetos de mobilidade urbana já saíram do papel e tem beneficiado o cidadão. Como a construção de corredores exclusivos em algumas vias, para meios de transporte coletivo, como ônibus e taxi, e as ciclovias.

Pensando em amenizar esta caoticidade e proporcionar um transporte público coletivo sob demanda para pequenas distâncias, com conforto, segurança e rapidez, aliado as tendências das novas tecnologias a HP Transportes Coletivos lançou em fevereiro deste ano, o pioneiro projeto na América Latina, chamado City Bus 2.0, que é um transporte coletivo por aplicativo de celular.

A solicitação é feita através do aplicativo, em que o usuário caminha até 75 metros para o embarque em um microônibus que possui assentos confortáveis, ar condicionado, portas automatizadas, sensor antiesmagamento e segurança no processo de monitoramento dos veículos e motoristas. Além da facilidade de o passageiro descer no destino marcado. O sistema funciona de segunda-feira a sábado das 6 às 23 horas, e o pagamento pode ser através de cartão de credito, registrado no aplicativo, ou em dinheiro, diretamente para o motorista.

Após 90 dias de implantação, conversamos com Indiara Ferreira, diretora executiva da HP Transportes Coletivos, empresa detentora do sistema. Confira este 2 Dedos de Prosa sobre o pioneiro sistema de mobilidade urbana implanto em Goiânia.

colocamos Goiânia, como destaque sendo a primeira cidade na América Latina a implantar um serviço com essas características.

Patricia Finotti– Goiânia é pioneira nessa nova possibilidade de mobilidade urbana. Como surgiu a ideia de criar o CityBus 2.0?

Indiara Ferreira – A criação do CityBus 2.0 partiu da avaliação das necessidades das pessoas que se locomovem em pequenas distâncias. Elas querem poder deixar o carro em casa e se deslocar com conforto, segurança, gastando o mínimo de tempo possível. E é isso que o CityBus oferece: transporte público coletivo sob demanda para pequenas distâncias, com conforto, segurança e rapidez. Assim, colocamos Goiânia, como destaque sendo a primeira cidade na América Latina a implantar um serviço com essas características.

P.F. – Como o CityBus 2.0 melhora a mobilidade urbana da capital? Por que utilizar desse serviço?

I.F. – O CityBus 2.0 colabora para a melhoria da mobilidade urbana porque oferece às pessoas uma solução para que elas deixem o carro em casa e optem por um serviço coletivo. Juntos, os 15 miniônibus podem substituir até 650 veículos do transporte individual. Se as pessoas começam a agir coletivamente temos menos carros nas ruas, fluidez no trânsito e menos poluição urbana. A caoticidade do trânsito só será resolvida a partir do transporte público coletivo estruturado e priorizado.

P.F. – Após 90 dias de seu lançamento, quais são os números alcançados pelo sistema?

I.F. – O tempo médio de atendimento da solicitação da viagem até o embarque está estabilizado em 8 minutos; a caminhada até o ponto virtual é de 75 metros, as rotas foram melhoradas e estão agregando mais passageiros no mesmo percurso. Já são mais de 32 mil usuários cadastrados na plataforma iOS e Android, com crescimento semanal de 15 a 20% no número de novas viagens. Agora são 15 miniônibus e todos eles foram equipados com três câmeras em cada um, para garantir ainda mais segurança do usuário, dos motoristas e, também, possibilitar a melhoria contínua do serviço. 


Juntos, os 15 miniônibus podem substituir até 650 veículos do transporte individual.

P.F. – Nesta primeira fase, o sistema de mobilidade atende apenas a zona central de Goiânia. Há possibilidade de ampliar essa zona de atendimento? Como será realizado?

I.F. – O CityBus 2.0 percorre 11 bairros do Centro Expandido de Goiânia: Setor Central, Sul, Oeste, Marista, Bueno, Bela Vista, Serrinha, Nova Suíça, Jardim Goiás, Universitário e Aeroporto. Estamos nos preparando para atender o grande número de pessoas que solicitam a expansão do serviço.

P.F. – Quais os desafios para as próximas etapas?

I.F. – O principal desafio é mudar a cultura do goianiense para aderir ao modo coletivo e garantir atendimento a todos os solicitantes no horário de pico, considerando que nesse horário há redução da velocidade comercial.


Se as pessoas começam a agir coletivamente temos menos carros nas ruas, fluidez no trânsito e menos poluição urbana.

P.F. – Por que o sistema não trabalha aos domingos?

I.F. – O CityBus 2.0 ainda está em fase de testes. Quando estudamos lançá-lo nos bairros que compreendem o centro expandido, detectamos que a maior demanda ocorre de segunda a sábado. Mas essa é uma questão que também está sendo avaliada. E como estamos em fase de teste, todos os feedbacks são importantes para que possamos avaliar e ajustar o que for necessário.