Goiânia recebeu hoje, 4, Maurício de Sousa, considerado o maior cartunista do Brasil, que veio a capital para o lançamento da primeira Estação Turma da Mônica. Instalada no Shopping Cerrado, é um projeto da Maurício de Sousa AO VIVO – empresa do Grupo Mauricio de Sousa Produções, em parceria com a operadora ETM Brasil. Para o importante lançamento, com conceito de Centro de Entretenimento Familiar, a imprensa, e claro, os convidados mais que especiais, muitas crianças de diversas idades.

Neste 2 Dedos de Prosa, conversamos sobre seu trabalho, inspirações, a escolha por Goiânia para sediar a primeira Estação, além de muitas outras novidades que estão por vir, inclusive para a nossa cidade. E claro, ele também respondeu as perguntas de nossos leitores. Confira!

Patricia Finotti – Desde 2011 você é membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira 24, e tornando o primeiro cartunista a ser empossado por essa casa. Em algum momento se imaginou pertencendo a Academia?

Maurício de Sousa – Como nunca algum autor de quadrinhos foi convidado a participar de uma Academia de Letras, no mundo, eu achava que não havia chance. Mas aconteceu o que me honrou demais. A importância é a de que quadrinhos começa a ser visto como arte literária também. Espero que outras academias de letras pelo mundo copiem essa valorização aos autores de HQ porque a história em quadrinhos é cultura.

PF – Suas obras já apresentaram diversos temas: comportamento, política, história, saúde, entre tantos outros. Qual assunto ainda não trabalhou?

MS – Difícil dizer o que ainda não trabalhamos. São quase 60 anos de produção ininterrupta com cerca de um bilhão de revistas impressas vendidas. Dos assuntos que colocou procuramos não falar de política partidária porque temos leitores de todas as cores e credos.

Homenagear as mulheres em um tempo em que se discute muito o empoderamento feminino é um posicionamento natural na busca da unidade de direitos.

PF – O poder que toda mulher tem em relação ao mundo é apresentado através do projeto Donas da Rua. Como surgiu a ideia? Como podemos ser mais donas de nossas ruas?

MS – Essa ideia surgiu pela minha filha Mônica que trabalha comigo há muitos anos. E que inspirou a Mônica da turminha que é Dona da Rua. Desde que apareceu nas tirinhas do Cebolinha e fez grande sucesso de público. Homenagear as mulheres em um tempo em que se discute muito o empoderamento feminino é um posicionamento natural na busca da unidade de direitos.

PF – Falando em força feminina, em qual momento nasceu a tão amada Mônica? Por que ela ainda é tão atual, como todos os seus outros personagens?

MS – A Mônica nasceu pouco mais de um ano depois do meu início de atividade quando meus amigos viram que eu tinha apenas personagens homens em minhas tirinhas. Afinal eu reproduzia minha infância de brincadeiras com meus amiguinhos do bairro. Eles estavam certos. Mas eu não sabia como pensava uma mulher. Só que, na época, trabalhava em casa e comecei a observar minhas filhinhas pequenas e estava lá a Magali comendo uma melancia inteira, a Mônica arrastando seu coelho enorme e a Mariângela meiguinha. Foi aí que Mônica, Magali e Maria Cebolinha ( irmã nenê do Cebolinha) começaram a entrar nas historinhas. 

PF – Como surgiu a ideia de trazer as histórias da turma da Mônica com temática espírita, através de “Meu Pequeno Evangelho”, inspirado no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo?

MS – A Editora Boa Nova nos trouxe essa ideia e logo aceitamos. Como já disse temos leitores de todas as religiões, mas sabemos que toda informação que leva crianças a pensarem na solidariedade, na paz e no bem estar de todos é também a nossa filosofia. 

PF – A importância da família e da amizade são bem claras em seu trabalho. Essa é também perspectiva da Estação Parque da Mônica, um parque de diversão voltado para a família, com base em conceitos temáticos, interativos e educativos, e que é inaugurada esta semana, em Goiânia. Por que a capital de Goiás foi escolhida para iniciar este novo empreendimento? Quais outras cidades serão contempladas em breve?

MS – Sempre estamos abertos a parcerias para esse tipo de empreendimento. Algumas se concretizam antes que outras porque não é tão simples criar parques pelo Brasil. Tanto que são poucos para um país de nosso tamanho. O de Goiás foi uma boa parceria que caminhou mais rápido que outros que poderão vir no futuro. Estamos muito contentes.

PF – A propósito, como vê o mercado cartunista em Goiás?

MS – Com a internet, chega material de todo o Brasil para nós. Tenho em meu estúdio o editor Sidney Gusman que é um especialista em descobrir talentos pelo país para nossas produções. Tanto que nossa linha de graphic MSP está fazendo um enorme sucesso justamente por esses talentos. Em Goiás, com certeza, tem desenhistas bons como esses que estão surgindo. Porque isso é um fenômeno nacional.

PF – Quais outras novidades estão sendo preparadas?

MS – Muitas novidades nesse 2018 e 2019. Estamos já na produção do filme “Laços”, baseado em uma graphic novel MSP escrita e desenhada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi e que será lançado em 2019 nos cinemas. É o primeiro live action da turminha. Nesse mês de julho estreia o Circo da Turma da Mônica com participação do Dedé Santana e do Rodrigo Robleño, reconhecido internacionalmente por seu trabalho no espetáculo Varekai do Circo de Soleil. Vai rodar o Brasil todo. Inclusive em Goiânia no Teatro Rio Vermelho em 06 e 07 de outubro próximo. Teremos boas novidades nos lançamentos da próxima Bienal do Livro em São Paulo, já em agosto, e muito mais. Acompanhem em nosso site www.http://turmadamonica.uol.com.br/

A leitura é a melhor experiência que uma criança pode ter.

Perguntas de nossos leitores

Rubens F. Felipe (9 anos) – Você foi um leitor voraz, se lembra qual foi o primeiro livro que leu? O que você pode falar para as crianças gostarem de ler?

MS – A leitura é a melhor experiência que uma criança pode ter. É só escolher um gibi, um livro, uma revista e começar a curtir as histórias. Eu tinha uns 4 ou 5 anos quando encontrei num lixo de papel na rua uma revista em quadrinhos toda rasgada. Levei pra casa e meus pais viram que gostei mesmo não sabendo ler. Eles liam pra mim e trouxeram mais e mais gibis. Aí eu queria aprender a ler e minha mãe me ensinou. Então comecei a ler vorazmente, como você disse, Rubens.

Mirela Marques Rodrigues da Silva (12 anos) – Como surgiu a ideia da criação da turma da Mônica?

MS – Eu sempre gostei de desenhar e também de ler quadrinhos. Assim fui criando personagens e mais personagens. Tinha que dar um nome pra turminha. Como a Mônica já era dona da rua, então ficou o nome Turma da Mônica.

Olivia F. Felipe (4 anos) – Quando vai lançar o filme da Turma da Mônica Laços?

MS – Está programado para ser em janeiro de 2019.

O Cascão é uma brincadeira que toda criança vive

C. Fabricio Finotti (38 anos) –Sobre o emblemático Cascão, em algum ponto da estória dele, você pensou em fazer com que o banho não fosse uma espécie de pesadelo?

MS – O Cascão é uma brincadeira que toda criança vive. Não tem aquela hora em que a mãe chama para o banho que é a hora de parar de brincar? Nenhuma criança gosta dessa hora.

Alberto Amaral Krawczyk (5 anos) –  Algum dia o Cascão vai gostar de tomar banho?

MS – Na Turma da Mônica Jovem ele já não é tão sujinho quanto nas historinhas dele quando pequeno. Que namorada aguentaria aquele cheirinho?  É claro que ele toma banho de vez em quando. Mas ninguém vê.

Sophia Ribeiro Silva (6 anos) – Como cria tantas estórias tão legais e muito divertidas?

MS – Boa parte das histórias, principalmente nos primeiros anos de minha carreira, eram baseadas em fatos da minha infância. Por isso há tantos personagens inspirados em pessoas que conheci. Posteriormente passei a criar em cima do que via e vivia. Hoje temos uma equipe de roteiristas super criativos para pensarem em novas histórias com toda a turminha para todas nossas revistas.

Laura Matos (10 anos) – Maurício, você já criou algum personagem que não fosse brasileiro, como a Disney criou o “Zé Carioca” para o Brasil?

MS – Eu já criei alguns como Tikara e Keika, os japonesinhos para a comemoração dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Tem também o Alfacinha que é um menino de Portugal que vive em Lisboa e visita o Brasil. Não lembro de outros.

… tem uma forma de virar personagem da turminha que é um livro onde pode montar o personagem com as características de cada um e ser impresso na historinha, junto com a Turma da Mônica.

Davi Leão Felipe Alves (7 anos) – Você pode me desenhar jogando futebol, na Turma da Mônica?

MS – Oi Davi. Esse pedido vem de muitos leitores e não posso atender a um e a outro não. Por isso tem uma forma de virar personagem da turminha que é um livro onde pode montar o personagem com as características de cada um e ser impresso na historinha, junto com a Turma da Mônica. Ele é comprado pela internet. Pode encontrar esse livro no site https://www.dentrodahistoria.com.br/turma-da-monica