2 dedos de prosa

Para a mulher decidir pelo melhor método contraceptivo, pode ser difícil, uma vez que são inúmeras questões a considerar, que vão desde os custos, passando pelos aos efeitos colaterais, e até mesmo a decisão para futura gravidez.

Já, para as que decidem por não terem mais filhos, as opções se restringiam até 2009, a apenas duas, a Laqueadura Cirúrgica e Vasectomia. Ambas, ainda são temas cercados de muita controvérsia, pois abrangem aspectos sociais, culturais, religiosos, e até políticos/ econômicos.

Atualmente, também é possível ter uma opção de laqueadura menos invasiva. É o Essure, que é considerado como primeira opção entre as mulheres europeias e norte-americanas. No Brasil o método é aprovado pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, desde 2009, e há registros de mais de 3.000 mulheres que foram submetidas a esta laqueadura moderna, considerada segura, sem hormônio ou medicação, prática e definitiva.

Para falar sobre as dúvidas mais comuns quando se trata de escolher um método contraceptivo e o Essure, conversamos com Dr. Marcos Tcherniakovsky, chefe do setor de videoendoscopia ginecológica da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Confira, trechos de nosso 2 Dedos de Prosa:

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Patricia Finotti Opinião – Quais são os métodos de contracepção disponíveis no mercado? E como são utilizados?

Dr. Marcos Tcherniakovsky – Existem diversos métodos contraceptivos. Entre os temporários: Contraceptivo oral, Injeção, Implante, Anel vaginal, Adesivo, DIU – Dispositivo Intrauterino, Preservativos masculino e feminino, Diafragma com espermicida, Espermicida, Abstinência periódica ou Método de Tabelinha, e Coito interrompido.

Para os definitivos: Laqueadura por Histeroscopia, Laqueadura Cirúrgica e Vasectomia.

PFO – Todos esses métodos são eficazes?

Dr. MT – Sim, todos os métodos registram taxas de eficácia comprovadas, mas é necessário ressaltar que nenhum método tem 100% de eficácia. A falha dos métodos está normalmente vinculada mais ao erro do usuário, do que ao método propriamente dito.

PFO – Como acontece a escolha para o uso de método contraceptivo? Quais são as contraindicações?

Dr. MT – Cada paciente tem que escolher o método que julga o mais adequado para seu estilo de vida. A falta de informação ainda é um dos maiores problemas, por isso é preciso ter alguns cuidados na hora de escolher o método contraceptivo, que vão desde se atualizar sobre as novidades e contar com a orientação médica. O Planejamento Familiar é uma das melhores maneiras de garantir a qualidade de vida de uma família, a preservação do bem estar físico e emocional, evitando gestações precoces e indesejadas e também maior controle nas taxas de mortalidade materna e infantil.

Cada método tem suas contraindicações, que devem consideradas de acordo com os critérios de elegibilidade da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicados em 2009. Mas sob a orientação médica é possível fazer a escolha consciente e segura.

PFO Ao utilizar esses métodos, o que acontece no corpo da mulher? E sobre  o ciclo menstrual, ele também é afetado?

Dr. MT – Os métodos hormonais, não importam os meios de administração, tem como principio básico evitar a ovulação, mas costumam também diminuir o fluxo menstrual, portanto ocasionando menos dores e incomodo pré-menstruais. Mulheres com história de endometriose ou miomas poderiam ser beneficiadas também pelo uso destes métodos.

Nenhum método contraceptivo tem como princípio mudar o corpo da mulher. O ideal é escolher um método que mais a agrade e que não mude em nada suas funções diárias.

PFO – Algumas mulheres associam a diminuição da libido relacionado ao uso do contraceptivo. Isso é verdade?

Dr. MT – Algumas mulheres relatam esta perda de libido, mas não é o habitual. O motivo principal é que os contraceptivos hormonais evitam a ovulação, período pelo qual sabemos que o estímulo sexual é mais intenso.

PFO – Em relação à pílula anticoncepcional, a imprensa Brasileira tem evidenciado problemas de saúde afetando as mulheres, como trombose, embolia pulmonar e AVC. O senhor pode explicar melhor sobre essa questão?

Dr. MT – Hoje em dia, não vejo nenhuma influência negativa em relação ao uso dos anticoncepcionais, principalmente os hormonais. O que existe é uma preocupação e certo temor com o risco de desenvolver fenômenos tromboembólicos, sendo o mais conhecido a Trombose Venosa Profunda (TVP).

Existe o risco de 2 a 3 vezes maior de usuárias de anticoncepcionais hormonais desenvolverem TVP em comparação com mulheres que não utilizam nenhum método.  Porém o risco absoluto (número de casos na população por um determinado período de tempo) continua baixo, principalmente em mulheres sem fatores de riscos. Para se ter uma ideia, na gravidez e no período pós-parto este risco de desenvolver uma TVP é muito maior.

PFO – A laqueadura cirúrgica é um dos métodos para evitar gravidez, e que foi bastante popular em nosso país, até o início dos anos 2000. Quais são as implicações dessa cirurgia?

Dr. MT – Quando a decisão de evitar uma gravidez é definitiva, o mais adequado é recorrer a um método contraceptivo permanente. Neste caso, a satisfação com o método em uso é significativamente maior entre as mulheres laqueadas. Ao longo dos últimos anos a laqueadura pode ter implicado em maior autonomia e reflexos visíveis na qualidade de vida.

Cabe ressaltar que este método não tende a melhorar sintomas relacionados ao ciclo menstrual, tais como: dores pré-menstruais, TPM e fluxos aumentados.

PFO – Qual seria a opção para a mulher, que definitivamente não deseja mais ter filhos, e que não quer laqueadura cirúrgica?

Dr. MT – Os métodos definitivos mais conhecidos por décadas são: a vasectomia (ligadura e secção dos ductos deferentes) para os homens, e laqueadura tubárea (ligadura e secção das tubas uterinas) nas mulheres. Por consequência, o transporte de espermatozoides e óvulo, respectivamente, fica bloqueado não ocorrendo a fecundação. Para estes procedimentos é sempre necessário o uso de anestesia e por consequência a utilização de um ambiente hospitalar.

Recentemente, uma nova alternativa de laqueadura tubárea vem revolucionando o mercado e beneficiando as mulheres que desejam o método definitivo. Trata-se do ESSURE.

PFO – O que é o Essure? E como é realizado esse tipo de laqueadura?

Dr. MT – Trata-se de um dispositivo que consiste em um microimplante macio e flexível, de apenas quatro centímetros, em titânio e níquel (materiais que apresentam excelente compatibilidade com o organismo) que, introduzido por meio da vagina por um equipamento extremamente fino (Histeroscópio), é colocado em cada uma das tubas uterinas, causando um processo de cicatrização, que forma uma barreira natural e o consequente bloqueio, impedindo o encontro do óvulo com o espermatozoide, sem a liberação de hormônios. Este procedimento não necessita de anestesia e não tem cortes, podendo ser realizado em ambiente ambulatorial, sem a necessidade de internação ou de afastamento das atividades diárias.

É importante evidenciar que durante os três primeiros meses, a paciente deve continuar a usar outra forma de contracepção. Após este período, é realizada uma radiografia simples da pelve e, confirmada a oclusão, não é mais necessário o uso de outro método contraceptivo.

PFO – Existe alguma contraindicação para seu uso? É um método 100% eficaz?

Dr. MT – Contraindicações, se a mulher não tem certeza se pretende ter filhos, se estiver grávida, com suspeita de gravidez ou algum tipo de infecção, se já tiver feito laqueadura convencional.

Nenhuma forma de contracepção pode ser considerada 100% eficaz, inclusive o Essure. O Essure tem eficácia comprovada de 99,8% na Europa, Brasil e EUA.

PFO – Ele está disponível a qualquer mulher? Qual o procedimento para a usuária do sistema público de saúde?

Dr. MT – O Essure é indicado para todas as mulheres e também especialmente para aquelas que apresentam efeitos adversos a outros métodos contraceptivos e que não desejam mais ter filhos, além de ser uma excelente opção para as mulheres que apresentam alguma doença que aumente o risco cirúrgico como hipertensão, cardiopatia, diabetes, obesidade, entre outras.

Para as mulheres interessadas em ter acesso ao método, o primeiro passo deve ser participar do Programa de Planejamento Familiar. Basta se dirigir até à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência e se inscrever no Programa de Planejamento Familiar.

PFO – O procedimento realizado para a colocação do Essure é reversível?

Dr. MT – Não, este é um método contraceptivo feminino permanente e irreversível. Portanto, a mulher ou o casal precisam ter certeza de que não deseja ter filhos, quando a decisão for definitiva.