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A enfermeira Anelair Bessa mostra como se sentar corretamente ao amamentar

O Hospital Materno Infantil (HMI) deu início na manhã de hoje, 8 de setembro (quinta-feira), ao curso da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) promovido pelo Comitê de Aleitamento Materno do hospital. Na abertura, a diretora técnica do HMI, Sara Gardênia, ressaltou a importância da amamentação. “Um bebê que mama é mais saudável e inteligente. Acredito que as palestras que serão ministradas até o dia de amanhã serão de grande valia para que todos entendam isso”, pontuou. O evento está sendo realizado em prol do título idealizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que discute temas como a valia do aleitamento materno, promovendo a sensibilização entre os funcionários quanto importância do título à unidade.

Abrindo o ciclo de palestras, o pediatra e consultor do Ministério da Saúde (MS) em Goiás, Sebastião Leite, apresentou os dez passos para o sucesso do aleitamento materno em hospitais e maternidades. Segundo ele, o êxito só é possível “por meio da implantação de políticas institucionais; capacitação da equipe multiprofissional; orientação às gestantes quanto ao benefício e manejo do aleitamento materno; amamentação exclusiva até os seis meses de vida; prática do alojamento conjunto; amamentação sob livre demanda; não oferecimento de bicos artificiais aos recém-nascidos; introdução à amamentação nos primeiros minutos após o parto; e incentivo a grupos e serviços de apoio à amamentação após alta médica”.

Em seguida, a obstetra Jessica Alencar explanou sobre a promoção da amamentação após o parto, detalhando o perfil das mães que geralmente necessitam de uma atenção especial ao amamentar. “Mulheres que não têm apoio afetivo, que vivem dificuldades no meio familiar, estão deprimidas ou com a autoconfiança abalada não conseguem se motivar de forma suficiente para amamentar seu filho, dentre outros”, informou. Segundo ela, como consequência, essas mães acabam recorrendo a métodos mais fáceis, como o uso de mamadeiras e alimentação artificial. “É importante conversar com essas mães antes, durante e depois da gravidez, ressaltando a importância da amamentação tanto para ela quanto para o bebê”, acrescentou.

O mastologista Humberto Borges discorreu sobre o caminho do leite até o organismo do bebê, detalhando a estrutura do seio, as partes da mama envolvidas na lactação, os hormônios que são liberados durante o aleitamento e o posicionamento do bebê durante a amamentação. Segundo o palestrante, “o apoio da família e do parceiro é fundamental na amamentação do bebê, pois estimula a liberação dos hormônios e mantém alta a produção de leite. Um ambiente tranquilo e sem estresse é maravilhoso para o recém-nascido, que não pode ter restrição na duração ou frequência das mamadas”. No fim da manhã, a enfermeira Anelair Bessa realizou uma aula prática sobre como avaliar uma mamada. Com a utilização de uma boneca, a palestrante mostrou a posição correta de amamentação, a forma de pega do bebê na auréola do seio, avaliando sua sucção. “O importante é que a mãe esteja relaxada e confortável”, destacou.

Na parte da tarde, a psicóloga Lorena Toaldo ministrou sobre os aspectos psicológicos da amamentação, reforçando a importância da comunicação entre mãe e bebê. “Para a Psicologia, o aleitamento materno é a ultima e mais importante etapa do ciclo gravídico puerperal. É um processo central de desenvolvimento do recém-nascido. A amamentação é a base de tudo e, para isso acontecer de forma plena, a mãe precisa se sentir amada, bem e tranquila”, reforça Lorena. Explicando os malefícios do uso de mamadeiras e chupetas, a fonoaudióloga Anna Cecília Soares detalhou os efeitos da mamadeira para o bebê. “Os que mamam apresentam alteração da respiração e sucção; cáries de alimentação; má oclusão dental; alterações das arcadas dentárias; maior incidência de otite média aguda e recorrente; etc. Quanto mais tempo utilizando, maiores serão os prejuízos para o bebê”, alertou.

Em seguida, a enfermeira Shirley Araújo mostrou práticas de parto, pós-parto e aleitamento materno e cuidados amigos da mãe (CAM), destacando as práticas que beneficiam tanto a mãe quanto o bebê antes, durante e depois do parto. Ela também apresentou as leis que garantem à mãe benefícios durante o trabalho de parto, como acompanhante de livre escolha; ambiente tranquilo e acolhedor; disponibilização de métodos não farmacológicos para o alívio da dor, tais como banheira, massageadores, bola de pilates, compressas quentes e frias; dentre outros. Complementando a palestra da manhã, a pediatra Stephânia Laudares, falou aprofundou sobre como avaliar a mamada do bebê, detalhando como ensinar mães a amamentar, a escolher posições favoráveis do bebê no colo e como terminar uma mamada.

Fechando o primeiro dia de palestas, a coordenadora do Banco de Leite Humano (HMI) do HMI, Renata Leles, explicou sobre como retirar o leite materno e amamentar o bebê. “Todas as mães necessitam aprender a ordenhar seu leite, pois essa prática alivia o ingurgitamento, auxilia o bebê que possui sucção incoordenada e pode auxiliar outros recém-nascidos que não podem ser amamentados por suas mães, por meio da doação de leite”, reforçou. Renata também demonstrou com um seio artificial as maneiras de ordenhar o leite humano, o que estimula ainda mais a produção de leite, além de mostrar como armazenar o material coletado.

Para a biomédica Marly Silva, o primeiro dia de evento foi muito proveitoso. “Foram palestras muito interessantes. Espero que amanhã tenham aulas tão boas quanto as de hoje, principalmente as práticas com as profissionais pois, com o relato das experiências delas, entenderemos mais profundamente o que foi nos passado, contribuindo ainda mais com o nosso aprendizado”, pontuou. (Bastidores)