O grupo chamado Projeto Vertigem circula pelo Brasil com recursos do Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo e faz duas apresentações gratuitas em Goiânia, na Praça Universitária.

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O espetáculo paraense “Trunfo”, do grupo Projeto Vertigem, chega a Goiânia nos dias 2 e 3 de fevereiro, quinta e sexta-feira. As duas apresentações acontecem às 20 horas na Praça Universitária e são gratuitas. Integrando teatro, artes circenses, artes visuais, dança e uma trilha sonora criada exclusivamente para a obra, a peça conta com o público para decidir seu roteiro. O jogo tem início com a escolha, pela plateia, de três cartas de um baralho de tarô.

“O público é convidado a fazer o seu jogo, em duas tiradas de três cartas, que aos poucos vão construindo a encenação do espetáculo. O acaso e a sorte é que constroem o espetáculo de cada dia”, explica Marina Trindade, que faz parte do elenco, explicitando a trama ocasional que surge desta consulta aos arcanos. Segundo a artista, a interação é reforçada pela estrutura do espetáculo, que acontece sempre em espaços abertos, justamente com o propósito de aproximar a obra do grande público.

Concebido e estreado em 2015, na cidade de Belém/PA, e contemplado pelo Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo, o espetáculo circula nacionalmente durante este mês de fevereiro. Além de Goiânia, também serão palco desta turnê as cidades de Nova Lima (MG), Salvador (BA), Vale do Capão (BA) e Campinas (SP).

Trunfo, o naipe que prevalece

Ambivalente, a encenação conduz a plateia a outro lugar, outro tempo, outra dimensão da existência. Os universos mágicos do circo e do jogo milenar das cartas de Tarô são acessados pelos atores Marina Trindade, Katherine Valente e Luan Weyl, que contam com a ajuda do público, que é convidado a tirar a grande sorte no baralho. A cada nova sequência de cartas tiradas, novas combinações de cenas vão surgindo. É um desafio aos atores e à equipe técnica, pois a cada nova edição de movimentos, é preciso surgir também uma nova luz, outra trilha, uma nova sonoplastia, que são necessárias para que surja a ilusão. Plateia e encenadores são joguetes nas mãos da sorte e do destino.

As 13 cartas, utilizadas para as cenas, foram recriadas por Victória Rapsodia, responsável pela visualidade do grupo. Ganharam um tamanho ampliado e foram chamadas de Trunfo. Para conhecer melhor o jogo, foram realizados cafés-tarôs, reunindo várias pessoas convidadas que contribuíram neste processo, o que se tornou um exercício constante de se ouvir e trocar. “Abrimos um jogo de Tarô em cena e isso é sério! Fizemos estudos, porque buscamos esses arquétipos para mostrar de forma lúdica em cena, as mensagens e visões de mundo que o Tarô pode nos dar, apesar de não haver compromisso com interpretações. Não somos tarólogos. O que fazemos é deixar as coisas no ar. Os símbolos são mostrados”, diz Marina Trindade, fundadora do grupo. É o público que, instigado, se encarrega de compreender o jogo que é posto a cada apresentação. E quem tira uma carta (ou trunfo), acaba criando uma relação direta com a cena do espetáculo.

Em busca de aprendizado e troca de experiências

O Vertigem é um grupo de Belém do Pará, concebido por jovens encenadores, com formações técnicas e acadêmicas diferenciadas, que juntos buscam um amadurecimento de suas poéticas, tanto por meio da criação, quanto da circulação de obras cênicas, que se utilizam das linguagens do teatro, do circo, da dança e da música para ser construído.

Quando falam da circulação pelo Prêmio Funarte, o grupo revela: “Além das experiências nas apresentações, do encontro com o público, as nossas expectativas são, principalmente, com relação às trocas que faremos com as pessoas de cada localidade, pois escrevemos o projeto pensando muito nisso: em conhecer grupos circenses; artistas; lugares. Esse é o alimento pra nós enquanto artistas”, diz Marina.

Em Goiânia, além de apresentar o espetáculo, os membros do grupo terão, no dia 1/2, um dia de intercâmbio com a cia “Corpo na Contramão”, que também realiza um trabalho de pesquisa que une diferentes técnicas e linguagens em Goiás. Como o Projeto Vertigem, eles unem teatro, música, dança e poesia. O grupo se originou em 1991 no Rio de Janeiro e mudou a sede para Goiânia em 2005. Todos têm formação em música e canto lírico pela UFG e interpretação pela Uni-Rio/Estácio de Sá. Lua Barreto e Marcelo Marques também têm formação pela Escola Nacional de Circo (RJ). (Ana Paula da Mota Leite)

Serviço:

Espetáculo “Trunfo”, grupo Projeto Vertigem (PA)

Datas: 2 e 3 de Fev (5ª e 6ª feira)

Espetáculo “TRUNFO” (Apresentação + bate-papo)

Horário: 20h

Local: alto da Praça Universitária – atrás biblioteca Marieta Telles Machado.

Duração: 40 min

Classificação: Livre