Debate e exibição de filmes produzidos por realizadores negros são pontos altos da programação deste sábado no festival

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Kbela, com direção: Yasmin Thayná, integra a mostra neste sábado.

Apresentar um panorama sobre a produção de curtas-metragens feita por realizadores negros no século 21 é a intenção da Curta Mostra Especial – Cinema Negro Brasil Contemporâneo, que integra a programação da 16ª Goiânia Mostra Curtas. Neste sábado (8), a partir das 14 horas, o público poderá conferir filmes que ilustram como as mudanças sociais, que vem acontecendo nos últimos anos, têm propiciado o surgimento de uma nova geração de cineastas. A exibição será no Teatro Goiânia, com entrada franca.

Na sequência, às 16 horas, haverá um debate sobre a temática, com participação de Clementino Júnior, que soma experiências de docência audiovisual e diretor do Cineclube Atlântico Negro, no Rio de Janeiro; a ex-secretária municipal de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Ana Rita de Castro; a idealizadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine), Janaína Oliveira; o cineasta premiado internacionalmente Jefferson Dê; e a cineasta, diretora e fundadora da Afroflix de apenas 24 anos, Yasmin Thayná.

A Curta Mostra Especial – Cinema Negro Brasil Contemporâneo também será exibida no domingo, com filmes diferentes, a partir das 15 horas. A curadoria é assinada pela produtora e cineasta Flávia Cândida.

Diferente das demais mostras que compõem o festival, a Curta Mostra Especial não é competitiva. Segundo a diretora do festival, Maria Abdalla, o espaço “propõe um encontro entre expoentes do início do cinema negro no País e representantes da nova geração, que está cada vez mais forte. O protagonismo do negro transcende o cinema e precisa ser celebrado diariamente, em todas as esferas”.

Grandes nomes representativos da temática negra no cinema são homenageados na Curta Mostra Especial: Zózimo Bulbul (in memoriam), considerado um dos maiores expoentes da cinematografia afro-brasileira dos anos 60 e 70, Adelia Sampaio, primeira realizadora negra brasileira em longa-metragem, famosa por seus trabalhos nos anos 80, e as atrizes Ruth de Souza e Chica Xavier, intituladas Damas Negras.

Ainda no sábado, a 16ª Goiânia Mostra Curtas traz, na programação, a Curta Mostra Brasil, com exibição de 12 filmes, a partir das 19 horas. Há intervalo, no meio da sessão, de 15 minutos.

O Festival

Entre os dias 4 e 9 de outubro, a 16ª Goiânia Mostra Curtas oferece uma ampla agenda cultural ao público, totalmente gratuita. São cinco mostras, que contemplam a diversidade de gêneros e formatos da produção audiovisual brasileira: Curta Mostra Especial, Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Municípios e 15ª Mostrinha – dedicada ao público infantil. A programação inclui, também, palestras, seminários, laboratórios e oficinas, encontros e lançamentos literários.

Por meio da variedade da programação, a Goiânia Mostra Curtas oferece uma proximidade com a produção audiovisual feita em todo o Brasil, segundo a diretora do festival, Maria Abdalla. “A intenção é trazer um panorama das produções nacionais, propiciar um intercâmbio de culturas e, ainda, valorizar o setor audiovisual, que têm crescido bastante nos últimos anos”.

Neste ano, o festival tem patrocínio da Oi e Rodonaves Transportes; incentivo da Lei Goyazes, Fundo de Arte e Cultura de Goiás, Seduce Goiás, Governo de Goiás, Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia; e apoio da Oi Futuro, Unimed Goiânia e Sebrae Goiás.

Atividades paralelas

Pela manhã, a agenda do festival inclui a palestra Do desenho à cena – outra experiência, que será ministrada pela diretora de arte Vera Hamburger, às 9 horas, como parte do Laboratório Fronteiras Permeáveis, no teatro do Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG).

A programação também prevê a Oficina Planejamento de Produção para Séries de TV, durante todo o dia, ministrada pela coordenadora de Produção de projetos audiovisuais Mariana Brasil, também no Centro Cultural da UFG. Continuam, também, nesta sexta-feira (7), o  11º Curso de Formação Profissional e a Oficina Olhar Cênico. (Lilian Cury)