*Por Kie Kume

Vivemos em um mundo conectado, em que a tecnologia nos permite saber de tudo em tempo real – estar a um só tempo em contato virtual com dezenas de pessoas, acessar estudos em bibliotecas e portais, assistir vídeos, ler jornais e revistas do Brasil e do exterior. A cada segundo somos instigados a responder a uma chamada, a atender a um pedido, a ouvir um desabafo, a compartilhar sucessos de pessoas fisicamente ausentes. Mesmo sozinhos, ouvimos sons de todos os lados. É como se estivéssemos vivendo dentro de uma caixa de surpresas, perto de tudo, mas distantes de todos. Foi-se o tempo em que somente éramos ‘importunados’ pelo telefone.

Em casa, no escritório ou no carro vivemos sob o bombardeio constante de informações e de convites ao hedonismo sobre o qual está baseado o mundo moderno. Quando todos podem falar, escrever e produzir imagens, fica difícil ouvir, ler e escolher. Mergulhados nesta nova realidade, como podemos nos manter equilibrados, operantes e produtivos? Convenhamos, não é nada fácil, já que não acompanhar o que circula ao nosso redor pode resultar em isolamento na família, entre amigos e no ambiente de trabalho. E mais difícil: como separar o aproveitável do descartável nessa floresta de surpresas? E como nos manter pessoas e profissionais criativos, críticos e independentes – ou estudantes concentrados nos estudos e na própria formação?

Este é o novo mundo em que vivemos, marcado pela instantaneidade, mudanças constantes, cobranças crescentes e falta de tempo para dar conta de todas as demandas. O grande risco é virarmos ‘baratas tontas’, perdermos o rumo, indo de um lado para outro sem saber aonde queremos chegar, como se fôssemos escravos das tecnologias que nos envolvem ou que carregamos nas mãos. Apenas para ilustrar, foi a “distração” com um celular durante a entrega do Oscar 2017 que provou a troca de envelopes e a gafe do ano em Hollywood – com o anúncio equivocado do melhor filme.

Mais do que nunca, precisamos parar, ficar uma parte do dia em silêncio, reavaliar nossos passos e condutas e criar uma estratégia para nossas vidas, tendo como norte a conquista da felicidade através do equilíbrio interior e a da vivência de uma vida positiva. Não podemos perder o rumo e desperdiçar tempo precioso. É vital definir um plano de vida de longo prazo que vai nos ajudar a alcançar um grande objetivo, planejando cada passo e as táticas que usaremos para concretizá-lo. Sejamos objetivos: é impossível agir assim se não nos abstrairmos dos ruídos que a cada minuto nos atacam de todos os lados.

O pensamento estratégico é uma parte importante da vida. Vale para o estudante que busca uma sólida formação, para o jovem que está na fase de decidir que profissão quer abraçar, para o executivo ou empresário que tem como principal missão fazer a empresa crescer, para o funcionário que busca se firmar na carreira, para os namorados que se preparam para formar uma família, para os pais e mães que se preocupam com a educação dos filhos e a manutenção da casa.

“Seremos gratos a nós mesmos no futuro se dedicarmos algum tempo agora para definir o curso da ação que queremos seguir e onde desejamos estar nas décadas que temos à frente”, diz Ryuho Okawa, líder espiritual japonês, em “As Leis da Invencibilidade – Como desenvolver uma mente estratégica e gerencial. Qual é o grande sonho que você quer realizar na vida? Desenhe a grande estratégia para torná-lo realidade e defina as táticas que irão ajudá-lo a consolidar seu plano, aconselha o autor.

Tenha claro que “nossa vida é uma cadeia formada pelos muitos ‘sins’ e ‘nãos’ que devemos dizer ao longo do caminho. Cada pequena decisão liga-se a todas as outras pequenas decisões, para criar nossa cadeia única de sucessos ou erros. Tomamos decisões todos os dias, para dizer sim ou não ou para ver as coisas de maneira positiva ou negativa. Nossa vida irá se encaminhar de acordo com nossa capacidade de tomar as decisões certas a respeito de cada problema que surgir à nossa frente” (de “As Leis da Invencibilidade”).

É importante saber o que acontece ao nosso redor e fazer bom uso de tudo o que a tecnologia da informação nos oferece. Mas, sem perder o foco. Esta é uma preocupação e uma tendência que ganham força entre educadores preocupados com a falta de concentração dos estudantes e em muitas empresas, onde o acesso às mídias sociais já é controlado. 

Para nos manter no rumo certo, preservando o equilíbrio interior, é vital administrar bem o nosso tempo. O relógio da vida não anda para trás. Saibamos deixar de lado o supérfluo. Fiquemos com o essencial.

 

* Kie Kume é gerente da editora IRH Press do Brasil, que publica em português as obras de Ryuho Okawa – Um dos autores mais prestigiados no Japão, Okawa tem mais de 2.200 livros publicados, ultrapassando 100 milhões de cópias vendidas, em 28 idiomas.

(PRESS PÁGINA PROJETOS DE COMUNICAÇÃO)