Segundo pesquisa, 7,9% dos goianienses adultos admitiram ter dirigido após ingerir consumir bebida alcoólica 

Dirigir é um ato que exige máxima atenção do condutor do veículo. É por isso que álcool e direção são uma combinação perigosa e que não dá certo. Todos os dias são registrados acidentes de trânsito, muitos deles com vítimas fatais, por causa dessa mistura. Mesmo assim, muitas pessoas ainda não pensam duas vezes antes de beber e depois pegar o volante. Em 2013, dados do Ministério da Saúde revelaram que 21% dos acidentes no Brasil ainda são causados devido ao consumo de bebida alcoólica.

Segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2014, 7,9% dos entrevistados em Goiânia afirmaram já ter conduzido veículos motorizados após consumir bebida alcoólica. Horácio Ferreira, gerente de educação para o trânsito da Secretaria Municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade (SMT), explica que isso ocorre porque há um incentivo do consumo em Goiânia. “Temos incentivo ao consumo de álcool pela promoção de bares como alternativas de lazer. Isto é um grande perigo”, afirma.

Todos os dias são registrados acidentes de trânsito em Goiânia. Segundo Horácio, aos finais de semana e feriados, muitos acidentes acontecem por causa da combinação entre bebida e direção. “Nesses dias, o principal vilão é o álcool”, explica. Mas isso não quer dizer que nos outros dias da semana não ocorram acidentes pelo mesmo motivo. “Isso está relacionado à conduta e ao comportamento de risco do condutor”, afirma Horácio.

Existem projetos como o Vida no Trânsito, uma iniciativa do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, que trabalha em ações contra lesões e mortes no trânsito. No dia 9 de abril foi celebrado o Dia da Conscientização do Jovem Contra o Uso de Bebida Alcoólica no Trânsito, com ações durante toda a semana para conscientizar os jovens contra a combinação de álcool e direção, em um trabalho conjunto entre SMS, SMT, Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás e Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT). De acordo com Horácio, também ocorrem palestras em escolas e faculdades para conscientização dos estudantes. “Os acadêmicos são agentes multiplicadores de informação e conscientização”, diz.

Álcool no organismo

O álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central que diminui a ação e o funcionamento do cérebro. Segundo a médica psiquiatra Kellen Arrais Gualtier, isso causa várias mudanças no funcionamento cerebral considerado normal. “Acontece uma diminuição de reflexos, diminuição da atenção e diminuição da memória. O cérebro não entende como tem que funcionar”, explica. Dessa maneira, a pessoa que está intoxicada pelo álcool perde a noção de equilíbrio, coordenação e velocidade.

A quantidade de álcool ingerida pelo organismo também interfere na forma com que os efeitos vão aparecer. “Uma latinha de cerveja para uns pode equivaler a sete ou oito latinhas para outros, porque depende do metabolismo de cada um”, esclarece Kellen. Isso tem efeito direto quando se aplica testes, como por exemplo, do bafômetro, pois eles identificam a quantidade de álcool metabolizada, independente da quantidade ingerida.

Quanto mais a pessoa tem de álcool metabolizado no organismo, mais o efeito demora a passar. Sendo assim, acaba gerando dependência do corpo. Kellen explica que isso acontece porque o corpo se acostuma com aquela quantidade. “Se o corpo já se acostumou com o metabolismo daquele álcool e está sentindo abstinência, então ele tem a necessidade de beber cada vez mais”, afirma. (Miqueias Coelho, da editoria de Saúde – Secretaria Municipal de Comunicação de Goiânia)