Ele explicou, em apenas três minutos, uma das propriedades mais intrigantes dos conjuntos infinitos e está na final da 1ª edição do FameLab no Brasil
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O infinito tem encantado e desafiado matemáticos ao longo da história da humanidade. Não foi diferente com Jackson Itikawa, pós-doutorando do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, ao ouvir pela primeira vez uma explicação sobre as características dos conjuntos infinitos. Por isso, ao se inscrever em uma das maiores competições de comunicação científica do mundo, ele não hesitou: era o infinito que tomaria conta dos seus escassos três minutos de apresentação. Deu certo: Jackson está entre os 11 pesquisadores que chegaram à final da etapa nacional do FameLab. Se vencer essa fase, marcada para acontecer no dia 11 de maio, em São Paulo, o pós-doutorando vai representar o país no Reino Unido.
Neste Dia Nacional da Matemática, 6 de maio, Jackson tem muito a comemorar: é o único representante dos matemáticos na competição. Mas não é exagero comparar o tamanho dos conjuntos infinitos com o peso de sua responsabilidade. O tema que escolheu não tem nada de trivial. No início do vídeo que gravou para participar do Famelab (assista aqui), o pós-doutorando explica: “A matemática é mesmo fantástica, eu gostaria de dar um exemplo disso falando sobre algo simples, que é o contar. O contar é uma coisa natural no nosso dia a dia. De fato, os números naturais – 1, 2, 3, 4… – são uma das primeiras coisas que a gente aprende”.
Jackson diz também que não costumamos refletir sobre o processo abstrato do contar: “Nesse processo, associamos cada elemento do conjunto que eu quero contar a uma única etiqueta com um número natural nela. Assim, no primeiro elemento do conjunto, coloco uma etiqueta com o número 1; no segundo elemento, coloco uma etiqueta com o número 2 e, assim, sucessivamente. Cada elemento recebe uma única etiqueta com um número associado a ele e a isso os matemáticos chamam de correspondência biunívoca”. A partir desse simples raciocínio, ele nos leva a refletir sobre como funciona essa contagem quando pensamos em conjuntos finitos e infinitos. Por exemplo: se você tiver um conjunto de 10 maçãs, portanto, um conjunto finito, qualquer subconjunto que você estudar será menor ou igual a 10 maçãs, ou seja, sempre finito. “No caso de um conjunto infinito, existem subconjuntos com o mesmo tamanho do conjunto a que ele faz parte, ou seja, infinitos. Essa é uma das maneiras de definirmos esse tipo de conjunto”, ressalta o pós-doutorando.
Formado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP e em Matemática pelo ICMC, Jackson fez mestrado no Instituto e doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. Ele conta que esse conceito sobre o “tamanho” dos conjuntos foi estudado com profundidade pelo matemático alemão Georg Cantor há cerca de 150 anos. Essas ideias eram tão revolucionárias que mesmo os grandes matemáticos da época relutaram em aceitar as propostas do pesquisador alemão. Para destacar a relevância da teoria de conjuntos , o pós-doutorando cita uma frase dita por David Hilbert, um dos grandes matemáticos do século XX: “Ninguém poderá nos expulsar do Paraíso que Cantor criou.”
Para bolsistas FAPESP – Sucesso em todos os países onde está presente, o FameLab foi idealizado para promover o diálogo entre os cientistas e o público leigo, incentivando o desenvolvimento das competências de comunicação entre os cientistas. No Brasil, a primeira edição da iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o British Council, organização internacional britânica para educação e relações culturais. Somente bolsistas da FAPESP puderam participar da competição este ano.
Na próxima semana, nos dias 9 e 10 de maio, Jackson estará em São Paulo, junto com os outros dez finalistas do FameLab para participar de um treinamento com o especialista britânico em comunicação em público Malcolm Love, professor da Universidade do Oeste da Inglaterra que já atuou na rede de televisão BBC. Na quarta-feira, 11 de maio, os competidores se apresentarão na grande final, que é aberta ao público, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, a partir das 17 horas. Os participantes serão avaliados por uma comissão julgadora em três critérios: conteúdo, clareza e carisma. Quem vencer terá o direito de representar o Brasil na final internacional, que acontecerá entre 7 e 12 de junho, em Cheltenham, Inglaterra.
Para Jackson, que desde criança admirava comunicadores científicos como Carl Sagan e Luiz Barco, participar do Famelab é uma oportunidade de mostrar a beleza e a relevância da matemática ao público. “Hoje, mais do que nunca, conhecimento é poder. A matemática é uma linguagem e levar as pessoas a entenderem um pouco essa linguagem é dar a elas a oportunidade de enxergarem o mundo com outros olhos”, finaliza o pós-doutorando. (Assessoria de Comunicação do ICMC)