Utilizado nos mercados europeu e norte-americano, modelo ascende mercado de segunda mão e a visão de produto seminovo

Nos últimos anos, a expressão ‘economia circular’ ganhou popularidade entre as empresas nos quatro cantos do planeta. E os números comprovam sua força: segundo estimativas da consultoria de gestão “Accenture”, este modelo pode adicionar cerca de US$ 6 trilhões ao crescimento econômico global em 2030. Mas, para quem não sabe, no que se baseia o seu conceito?

Em linhas gerais, ele é baseado na inteligência da natureza, na qual os resíduos sólidos servem de insumos para a produção de novos produtos.  No meio ambiente, este conceito é chamado de “cradle to cradle” (em português, do berço ao berço) e pode ser explicado da seguinte maneira: os restos de frutas consumidas por animais se decompõem e viram adubo para plantas. “No entanto, ao fazer uma analogia com a indústria, trata-se do reprocessamento e da reintegração de peças à cadeia de produção como componentes ou materiais de outros produtos. Para o varejo, trata-se de manter produtos em alto nível de utilidade e valor o tempo todo, com sua revenda e/ou reutilização. Em momentos de retração da economia, também é uma forma de estimular a circulação e consumo”, explica a coordenadora acadêmica da Academia de Varejo, Patricia Cotti.

Ainda de acordo com Patricia, o conceito teve um importante destaque na última edição da National Retail Federation (NRF), considerada a maior feira varejista do mundo, realizada em janeiro deste ano, em Nova York. “Embora a economia circular seja bastante utilizada pelos mercados norte-americano e europeu, no Brasil, o conceito ainda é muito novo. E durante o evento, um dos cases que chamou a atenção foi o da loja ‘ThredUp’, que desenvolveu uma plataforma baseada em uma peculiaridade do universo feminino. Há um dado de que 70% das roupas que estão nos armários deste público não são usadas. Então, por meio desta plataforma, a empresa oferece uma ‘ajuda’ a quem deseja fazer uma espécie de ‘limpeza’ nos seus armários, estimulando a circulação desses produtos entre outras pessoas”, conta.

Além disso, outro ponto a ser destacado, neste contexto, é a correlação do conceito com os famosos três “Rs”: reduzir, reutilizar e reciclar. Só no Brasil, a título de conhecimento, hoje são mais de duzentos milhões de habitantes gerando resíduos. “Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que cada brasileiro produz cerca de um quilo de lixo por dia. Com o ritmo tecnológico e comercial do mundo moderno, percebemos que a economia circular vai muito além da movimentação econômica – é impossível também não considerar a sua importância sob o ponto de vista sustentável”, finaliza Patricia. (Dezoito Comunicação)