Empregos podem ser prejudicados, especialmente em Goiás, que é o terceiro produtor nacional de carne bovina

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Marcelo Camorim, CEO da Fox Partners, fala sobre as consequências da Operação Carne Fraca

Os produtores de carne irão levará alguns anos para reverter a crise de credibilidade gerada pela deflagração da Operação Carne Fraca na última semana, que apontou suspeitas de venda de carne vencida, adição de substâncias químicas para maquiar seu aspecto, inserção de papelão em lotes de carne de frango e produção de linguiça com carne de cabeça de porco – o que é uma conduta proibida.

É o que aponta o especialista em gestão de empresas com MBA pela  FGV – SP, Marcelo Camorim, CEO da Fox Partners, consultoria especializada na reestruturação e profissionalização de empresas com atuação no Centro-Oeste e São Paulo. “A Operação da Polícia Federal gerou um grande clamor, que foi intensificado pelas redes sociais e repercutiu no mercado internacional”, diz.

Ele lembra que, mesmo que a operação se refira a apenas 21 empresas, colocou-se em uma vala comum toda uma cadeia produtiva, a terceira commodity mais exportada no Brasil. “Ainda que as empresas acusadas esclareçam e corrijam seus processos, todo o setor e o País vão arcar com as consequências”, ele diz, lembrando-se da crise da Febre Aftosa em 2005, que prejudicou as exportações por muitos anos, inclusive as de Goiás, e exigiu de governo e pecuaristas um amplo esforço para promover a imunização para erradicar a doença.

As carnes brasileiras eram considerado sinônimo de qualidade em mais de 150 países. Com a repercussão da Carne Fraca, países como Chile, China, Hong Kong, Egito e Argélia suspenderam temporariamente as importações de empresas citadas na fraude. — somaram 55% das exportações do país em 2016.  Ações dos frigoríficos na Bolsa de Valores e o preço da arroba do boi estão em queda.

Camorim lembra que Goiás atravessou bem o período de ápice da crise econômica graças à força do agronegócio, que agora pode ser prejudicado. “Uma das consequências é a redução de empregos na cadeia”, diz. De acordo com dados do Instituto Mauro Borges, só a pecuária bovina no Estado é responsável por 10% de toda produção do Brasil e ocupa a terceira posição no ranking nacional.

O especialista em gestão de empresas explica que, além da correção de seus processos, o caminho para as empresas recuperar a credibilidade será o investimento maciço em comunicação para conquistar a confiança novamente de consumidores, importadores e investidores, mas esse será um trabalho árduo. “A credibilidade, a gente perde em uma fração de segundos. Mas sua reconquista não será da noite para o dia”, finaliza. (COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS )