Evento terá o lançamento do livro ‘70 anos de Orquídeas’, com dicas sobre o cultivo e suas peculiaridades, e leilão de orquídeas raras, que podem chegar a até R$ 10 mil o exemplar

 

Colecionadores e amantes das orquídeas têm encontro marcado nos dias 21, 22 e 23 deste mês no Esporte Clube Banespa (Av. Santo Amaro 5.565, SP). A Sociedade Bandeirante de Orquídeas (SBO) – que completa 70 anos – apresenta ao público as mais diferentes orquídeas, com dicas sobre o universo que cerca as espécies. No evento, que contará com 15 associações de São Paulo, interior do Estado e Rio de Janeiro, serão expostos cerca de 800 orquídeas. “A exposição terá exemplares belíssimos de orquídeas e muita informação para os cultivadores. As orquídeas fazem parte de milhares de vidas e têm servido, inclusive, como excelente ferramenta terapêutica”, afirma Leili Odete Campos Izumida, presidente da Sociedade Bandeirante de Orquídeas e colecionadora de aproximadamente 1.200 orquídeas.

Além da oportunidade de comprar diferentes tipos de orquídeas a preços convidativos (a partir de R$ 10,00 a muda), o público também poderá adquirir exemplares do livro ‘70 anos de Orquídeas’, que traz informações sobre o cultivo das orquídeas e suas peculiaridades, além de belas imagens e dados históricos. A publicação tem 300 páginas e foi escrita por Leili Odete Campos Izumida, diretora do evento, José Carlos Barrico de Souza e José Roberto Heise. A mostra traz ainda o prêmio ‘Orquidófilo João da Silva, que homenageia um tradicional nome da orquidofilia paulistana, falecido no início do ano. A premiação, inédita no Brasil, é comum em exposições internacionais e premia os mais belos e criativos arranjos florais com orquídeas

O avanço da genética

Ao longo dos anos, as orquídeas vêm sofrendo um contínuo trabalho de melhoramento genético por meio do cruzamento de espécies. As orquídeas resultantes deste processo que atingiram uma qualidade excepcional e foram premiadas em exposições costumam ser clonadas. A técnica possibilita a obtenção de milhares de cópias idênticas de uma mesma orquídea e será abordada durante o evento.

Originalmente uma orquídea demora de seis a sete anos para se reproduzir, mas com o desenvolvimento da genética esse ciclo reprodutivo passou a ser de três ou quatro anos. Esse avanço permitiu que surgisse o cultivador profissional, que passou a reproduzir orquídeas em alta escala.

Milhares de espécies e as orquídeas no Brasil

Existem aproximadamente 35 mil espécies de orquídeas no mundo. Este não é um número fechado porque, ainda hoje, há novas orquídeas sendo descobertas. Além disso, há um número virtualmente infinito de orquídeas híbridas, produzidas pelo homem através do cruzamento entre as diferentes espécies.

Não existe um histórico da chegada das orquídeas no Brasil porque muitas delas são nativas. No século XIX, os europeus começaram a estudar as espécies de orquídeas tropicais, nas Américas e em todo o mundo. Hoje a coleta é proibida, já que muitas se encontram extintas ou sob risco de extinção. Toda orquídea comercializada é produzida em laboratório e cultivada em estufas, não podendo ser coletada da natureza.

Dicas do especialista

O biólogo e blogueiro Sérgio Oyama Júnior é um apaixonado pelo universo das orquídeas. Graduado Pós-Doc pelo Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (Campinas, SP), desde 2009 dedica-se à pesquisa e ao cultivo de orquídeas e relata toda sua experiência no blog ‘Orquídeas no Apê’.  A seguir, três dicas de Sérgio para manter as orquídeas saudáveis:

  1. Luminosidade – As orquídeas precisam de níveis adequados de luminosidade, que variam de acordo com a espécie. Algumas toleram sol direto, mas a maioria precisa de luz filtrada para crescer e florescer.
  2. Umidade – A principal dúvida em relação ao cultivo de orquídeas está na periodicidade das regas. Orquídeas gostam de umidade no ambiente, mas não toleram raízes encharcadas. A rega deve ser feita apenas quando o substrato estiver seco. O número de regas por semana depende da estação do ano e do tipo de vaso e substrato.
  3. Ventilação – Orquídeas bem espaçadas, com boa ventilação e sem vento excessivo, permanecem saudáveis por mais tempo, ficando assim mais resistentes ao aparecimento de pragas.

As ‘estrelas’ que estarão expostas no evento

Cattleya walkeriana – Oriunda do cerrado brasileiro, é a espécie brasileira mais valorizada pela orquidofilia nacional. Por ter flores grandes, colorido forte e equilíbrio perfeito na proporção das pétalas e sépalas, tornou-se a queridinha dos orquidófilos. Há exemplares que podem chegar a mais de R$ 40 mil.

Brasilaelia purpurata – Trata-se da rainha das orquídeas brasileiras e é uma espécie endêmica do sul do Brasil encontrada na região litorânea entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Muito apreciada pelos colecionadores pelo grande tamanho das flores, medem de 15 a 20 cm e possui uma enorme variedade de cores. É uma planta de fácil cultivo e ideal também para iniciantes.

Phalaenopsis (Orquídea Borboleta) – Tem origem na região entre o sul da China e o noroeste da Austrália, passando por todo sudeste asiático. São consideradas as mais belas e populares plantas ornamentais do mundo. Suas flores chegam a durar três meses ou mais. Apreciam temperaturas mais altas e com boa umidade relativa do ar. São plantas monopodiais e cuidados especiais devem ser tomados para não se manterem encharcadas por muito tempo, principalmente no miolo da planta.

Vandas – A maioria das Vandas comercializadas é híbrida e originária de espécies asiáticas. Devem ser mantidas em ambientes com alta umidade para que não percam as folhas. Em ambientes claros chegam a produzir flores duas vezes ao ano. Indicada para orquidófilos experientes que tenham bom controle do ambiente de cultivo. Apreciam boa ventilação e devem ser cultivadas em ambientes com temperaturas altas. (Porta-Voz Comunicação Estratégica)

Evento: Exposição Anual e Cultural de Orquídeas

Local: Esporte Clube Banespa – Av. Santo Amaro, 5565, Santo Amaro, SP

Data: Dias 21 e 22/10 (das 9h às 18h); dia 23 (das 9h às 17h)

Organização: Sociedade Bandeirante de Orquídeas (SBO)

Entrada franca