Seguir parâmetros para definir o nível de domínio do aluno também é dever da escola

 

Básico, intermediário ou avançado? Responder à qual nível se enquadra o seu domínio de certo idioma pode parecer uma pergunta direta e bastante simples. Por outro lado, dificilmente se questiona a referência utilizada para responde-la, desatenção que pode, por exemplo, comprometer o ingresso em uma empresa ou universidade no exterior. Para estabelecer uma métrica de qualidade aos exames de certificação das principais línguas europeias (inglês, alemão, francês, italiano e espanhol), foi criado o Quadro Europeu Comum de Referências para Línguas (CEFR). Adotado em âmbito mundial para descrever habilidades linguísticas, o quadro fornece uma análise mais precisa e menos aberta a interpretações sobre o nível de proficiência do aluno, o que permite que sejam traçadas, com mais lucidez, as metas para este aprendizado.

São seis níveis de proficiência, que vão do A1 ao C2. Se os primeiros (A1 e A2) garantem uma comunicação mínima de alguns tópicos pontuais, os mais altos (C1 e C2) revelam uma base de conhecimento sólida, com riqueza vocabular. Em Curitiba, a Cultura Inglesa é pioneira entre as escolas de inglês a adotarem os parâmetros do CEFR. “Além de conferir uniformidade à nomenclatura de proficiência, o quadro traz uma consciência daquilo que representa cada nível e dos objetivos aos quais os alunos se sujeitaram”, resume a gerente das unidades Centro e Cabral da escola, Carla Probst. Na opinião dela, as múltiplas aplicações do quadro também o consagram como um fator decisório na hora de escolher entre uma ou outra escola de idiomas. “Já há algum tempo um certificado emitido apenas nos moldes da escola não é mais suficiente, o que torna essencial que essa validade seja mais ampla e atestada por entidades da área, como o Cambridge Language Assasment. Isso tudo é uma garantia extra aos pais que buscam um centro de idiomas confiável para matricular seus filhos, por exemplo”, esclarece.

Por este olhar, seguir ou não tais parâmetros acaba por denunciar o grau de comprometimento da escola com os alunos. “É comum atendermos pessoas que concluíram o curso em outras escolas, mas aqui precisam começar pelo intermediário”, completa a gerente. Ela salienta que a preocupação por ter uma garantia transparente do nível de fluência também tem adentrado a esfera corporativa. “Se há dez anos o inglês avançado era um atributo indispensável nas empresas, hoje ele precisa ser comprovado mediante uma certificação de relevância mundial”, compara. A fim de auxiliar as corporações a avaliarem o nível de fluência de seus candidatos ou mesmo do corpo de funcionários, a Cultura Inglesa oferece o serviço de auditoria e consultoria linguística. “É um caminho para mitigar esta falta de parâmetro”, acrescenta.

Capacitação também começa na empresa

Outra possibilidade ofertada pela escola é a assessoria pedagógica. Há seis anos, o Colégio Martinus, que atende da Educação Infantil ao Ensino Médio, utiliza este recurso para promover um ensino de qualidade aos alunos. “A ideia era procurar uma instituição com know-how e credibilidade para validar nosso processo pedagógico e nos ajudar com as certificações de proficiência”, esclarece a coordenadora de Línguas Estrangeiras do colégio, Prof. Liane von Mühlen. O apoio – destinado à uma equipe de seis docentes -, começa no acompanhamento das aulas e termina nas orientações de prática pedagógica, passando pela sugestão de materiais didáticos. “Também são realizados workshops com enfoque pedagógico e para atualização dos exames do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas nos níveis ofertados pelo colégio”, explica.

Direcionados pela Cultura Inglesa, os docentes do colégio obtiveram certificações de proficiência e hoje continuam a passar por avaliações periódicas. “Professores que dominam a área de atuação falam com mais propriedade, validam a prática pedagógica e dão respaldo à base de sustentação do projeto, ou seja, ao uso cotidiano do idioma em nível avançado”, reforça Liane. A preocupação com a fluência dos professores também foi colocada em cheque com o alemão, idioma para o qual o colégio conta com o suporte do Instituto Goethe, que segue as referências do CEFR há mais de uma década.

“Desde que começamos a utilizar o quadro de referências, os objetivos a serem alcançados em cada curso estão muito mais claros para os professores, independente do livro didático”, destaca a coordenadora pedagógica do instituto, Cristina Shibuya. Assim como ainda acontece com inglês, a procura das empresas por candidatos com certificação comprovada em alemão permanece tímida. Para Cristina, este fenômeno é fruto, principalmente, do desconhecimento das próprias escolas e se reflete, em alguns casos, na baixa procura por exames de proficiência. “Falta um esclarecimento das escolas de idiomas junto às empresas sobre as vantagens do Quadro Europeu Comum. Cerca de 25% dos nossos alunos demonstram interesse pela proficiência e o motivo mais frequente costuma ser a possibilidade de ingressar em uma universidade alemã com bolsa de estudo”, atribui. (Grupo Excom)