Julia Sardelli

(divulgação)

Diante de uma pandemia que deixa transparecer de maneira ainda mais evidente a fragilidade do processo democrático brasileiro, o projeto M.A.P.A. – Modos de Ação para Propagar Arteinaugura sua primeira edição com a mostra No Calor da Hora como objetivo de levar arte para o espaço público e provocar reflexões, acerca do caos político e social. 

Idealizado e organizado pela VIVA Projects, das sócias Camilla Barella e Cecília Tanure, com curadoria de Patrícia Wagner, o projeto leva 27 artistas cujas poéticas derivam de múltiplos percursos – como artes visuais, cinema e literatura, entre outros -, para ocuparem 27 espaços de outdoor em todas as capitais do país*. O intuito é que cada artista, a partir de sua própria prática poética, apresente um trabalho que problematize as questões urgentes do presente. Um dos fios condutores para o convite foi a diversidade tanto em termos de atuação quanto em termos de representatividade nas muitas regiões do país. 

“Procuramos contemplar a pluralidade da arte contemporânea em produções que abordam, em grande parte, questões ligadas à temas fundamentais do presente. Pensando que o espaço público é também, por excelência o local da diversidade, das divergências e do debate.” afirma Patrícia Wagner.

A ideia de se valer do espaço urbano como campo para reflexão ocorre não apenas a partir da suspensão do acesso aos equipamentos culturais do país, como também da impossibilidade de manifestações coletivas em espaços públicos e a vontade de deixar a arte acessível a um público mais amplo. O caráter descentralizado da mostra visa fortalecer um programa de deslocamento entre os artistas e seus locais habituais de fala e exibição.

“Nossos projetos sempre foram pensados para inserir a arte no cotidiano, tornando possível que ela penetre a vida das pessoas de maneiras diferentes. Mas havia um desejo antigo de trabalhar em uma escala maior e mais plural, acessar diferentes públicos” diz Camilla Barella, “Muitas questões acerca das nossas responsabilidades civis são discutidas por meio da arte, mas muitas vezes em ambientes de acesso restrito, seja por questões geográficas, alcance intelectual ou poderio econômico”, finaliza ela.

A lista de artistas conta com André Komatsu, Aline Mota, Anna Costa e Silva, Anna Maria Maiolino, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, avaf, Dalton Paula, Gê Viana, João Pinheiro, Karim Ainouz, Leonora de Barros, Paulo Bruscky, Paulo Nazareth, Ricardo Basbaum, Romy Pocztaruk, Santídio Pereira, Sonia Gomes, Traplev, Thiago Honório, Vera Chaves Barcellos.

A mostra será dividida em 4 ciclos, com obras exibidas em conjunto durante 15 dias, até completar o total de 27 cidades, sendo um outdoor por cidade. Simultaneamente à exibição nos outdoors, as obras também serão incorporadas à plataforma virtual do projeto que pode ser acessado para mais informações: www.vivaprojects.org/mapa ou também o perfil no Instagram: @vivaprojects

*Em caráter de exceção, devido a Lei Cidade Limpa, em São Paulo a obra será exposta no munícipio do Osasco.

PROJETO M.A.P.A. MODOS DE AÇÃO PARA PROPAGAR ARTE

Primeira edição: No Calor da Hora 

Data: De 31/08/2020 a 25/10/2020

Ciclo 1 (de 31/08 a 13/09): Rio Branco (Aline Motta), Curitiba (Paulo Bruscky), Vitória (Augusto de Campos), Salvador (Traplev), Cuiabá (Ricardo Basbaum), Brasília (Vera Chaves Barcellos).

Ciclo 2 (de 14/09 a 27/09): Manaus (Gê Viana), Goiânia (Karim Aïnouz), São Luís (Paulo Nazareth), Fortaleza (Dalton Paula), Belo Horizonte (Leonora de Barros), Belém ( Vitor César), João Pessoa (Romy Pocztaruk).

Ciclo 3 (de 28/09 a 11/10): Recife (Mauro Restiffe), Teresina (Anna Costa e Silva), Rio de Janeiro (Denilson Baniwa), Natal (Anna Maria Maiolino), Maceió (Mabe Bethônico), Porto Alegre (Santidio Pereira), Campo Grande (João Pinheiro).

Ciclo 4 (de 12/10 a 25/10) Porto Velho (Thiago Honório), Boa Vista (Bárbara Wagner e Benjamin de Burca), Florianópolis (Sonia Gomes), Osasco (Éder Oliveira), Aracajú (Arnaldo Antunes), Palmas (André Komatsu), Macapá (avaf).

Site: www.vivaprojects.org/mapa

Instagram: @VivaProjects 

KARIM AÏNOUZ 

Projeto especial para projeto M.A.P.A. mostra No Calor da Hora

2020

ENDEREÇO OBRA: R. 77 Qdarea 0, 0 – Jardim Goiás (Acesso Oeste Serra Dourada) – Goiânia – GO

https://www.google.com/maps/place/R.+77+Qdarea+0,+0+-+Jardim+Goi%C3%A1s,+Goi%C3%A2nia+-+GO,+74805-495/@-16.696955,-49.2399357,17z/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x935ef1a5c378b5a1:0x8c87d978f632d3ab!8m2!3d-16.696955!4d-49.237747

SOBRE A OBRA: Aritana Yawalapiti foi um líder político e espiritual do seu povo. Grande conhecedor da história do mundo e dos cantos. Aritana Yawalapiti faleceu no dia 5 de agosto de 2020, em um hospital em Goiânia, longe do seu povo, faleceu devido às complicações do COVID-19. O presente trabalho celebra sua existência transportando-o, simbolicamente, para a sua terra e reiterando a importância da luta e existência do Território Indígena do Xingu -TIX.

BIOGRAFIA: Karim Aïnouz (Fortaleza, 1966) é diretor de cinema, roteirista e artista visual conhecido pela direção dos longa-metragens Madame Satã (2002), O Céu de Suely (2006), O Abismo Prateado (2011) e Praia do Futuro (2014), além de diversos curtas-metragens. Em uma trajetória que se aproxima das artes visuais, Aïnouz realizou a videoinstalação Se Tudo Fosse Sempre Assim a convite da 26ª Bienal de São Paulo, em 2004. Colaborou com Olafur Eliasson na realização do projeto A Sua Cidade Empática (2011), lançado no 17º Festival de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. Como desdobramento dessa colaboração, realizou o curta-metragem Domingo (2014), reflexo das relações possíveis entre as obras do artista visual dinamarquês e os espaços públicos de São Paulo. Vive e trabalha entre Berlim e Fortaleza.