Patricia Finotti

O bate-papo aconte nesta quinta, 30 de julho as 21 horas com as organizadoras do Projeto Madona

Falar do ciclo menstrual humano é ainda considerado um tabu em nossa sociedade, mesmo estando vivendo no seculo XXI. A falta de intimidade com o próprio corpo, o medo, a ignorância e mesmo hábitos sócio culturais, levam a nos mulheres até a ratificar o preconceito.

O fluxo de sangue que sai do corpo feminino é considerado sujo. Muitas pessoas tem nojo, e acham que tem mal cheiro. Há os que acreditam que, a mulher quando está nesse período, produz menos no trabalho.

Esta realidade é muito difícil para todas nós. Precisamos lidar com flutuações hormonais e problemas estético corporais, além da discriminação que sofremos nos relacionamentos de trabalho e até sociais. Temos vergonha desses dias mensais.

Entretanto, é possível derrubar essas ideias. O primeiro passo é o conhecimento. Ter acesso a informações coerentes e que esclareçam dúvidas, aos poucos os equívocos desaparecem. A mulher torna se mais segura e autoconfiante.

Agora imagina, todas estas questões para uma mulher em situação em vulnerabilidade social? Esta que precisa decidir entre a compra de um absorvente, que é um item básico e pratico de higiene para uma pessoa com o minimo de condição financeira, e a compra de comida?

Esta e outras preocupações relativas a saúde menstrual e a vulnerabilidade social, fizeram com que três estudantes goianas, se sensibilizassem e criassem o Projeto Madona, que leva informação à todos e arrecadam itens de higiene intima feminina com destinação a mulheres em situação financeira precária.

Sobre esse engajamento, conversamos nesta quinta, dia 30, as 21 horas com Ana Laura Paiva Queiroga, Aline Aurora Saurama de Silva e Maria Luisa Guimarães Arriel, no nosso IG do Instragram @patriciafinotti.

Projeto Madona é coordenado por três estudantes do ensino médio insatisfeitas com a condição de pobreza menstrual que milhões de meninas são submetidas ao redor do mundo, incluindo no Brasil.
Por isso, elas buscam arrecadar doações de materiais de higiene menstrual que são distribuídos para pessoas de baixa renda e em situação de rua.
Além disso, querem combater os estigmas sociais e preconceitos que cercam a menstruação e, consequentemente, a figura da mulher, muitas vezes a privando de sua liberdade e bem-estar.

Ana Laura Paiva Queiroga – A estudante é uma ativista dos direitos das mulheres e defensora da saúde menstrual, sendo uma das fundadoras do Projeto Madona.
Ela integra o movimento Girl Up, suportado pela Organização das Nações Unidas, o qual busca promover a igualdade de gênero e empoderar meninas ao redor do mundo.
Sendo, também voluntária no Projeto Casulo, que luta em prol de causas ambientais. Por isso, acredita que inúmeras mudanças podem ser feitas para aliar ecologia e saúde menstrual.
Ana busca se conectar com a arte e encontrou refúgio nas palavras. Através da escrita, quer dar voz às causas silenciadas e, por meio do Projeto Madona, desmistificar tabus sociais que cercam as mulheres.

Aline Aurora Saurama de Silva – Uma das fundadoras do Projeto Madona, tem 15 anos e sempre se interessou por causas sociais e ambientais, o que a levou a ser voluntária no Projeto Casulo, do colégio, que luta em prol do meio ambiente. Ainda, participa do GirlUp, uma organização internacional da ONU que defende os direitos das mulheres.
Se interessa por tecnologia, e por isso é a responsável pelo site do projeto.
Ainda, é atleta de natação há 10 anos, e já representou o estado de Goiás em várias competições nacionais, e percebeu o quão desigual são as oportunidades dadas às meninas no esporte, impulsionando ainda mais sua vontade de fazer uma mudança.
Acredita que, se todos fizerem sua parte, se unindo, podemos diminuir muito as grandes desigualdades que assolam nossa sociedade.

Maria Luisa Guimarães Arriel – A adolescente é uma das colaboradoras do Projeto Madona. Com 15 anos é envolvida em vários assuntos a respeito dos Direitos Humanos, já tendo participado de uma Simulação ONU com esse tema. Ainda preocupada com a área de direitos, está com um projeto de instauração do Grêmio estudantil no colégio.
Também é bailarina há 10 anos, tendo participado de mostras e competições nacionais e internacionais, mas, ao mesmo tempo, se interessa por matemática, sendo medalhista em olimpíadas. Diz ser perceptível a dificuldade no crescimento de mulheres matemáticas. Assim, luta pela igualdade de gênero em qualquer ambiente, mas, principalmente, na educação.