Com o empoderamento feminino, assim como a conquista contínua da mulher no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, muitas delas resolveram deixar a gravidez para segundo plano, postergando-a ao máximo. Estabilidade financeira, reconhecimento profissional e certeza de que o parceiro é o ideal para vivenciar este momento são alguns dos fatores predominantes ao tomar esta decisão.

Foi-se o tempo em que a prioridade feminina era ser mãe – hoje o desejo é de dominar o mundo (e estão fazendo por onde). Com isso, aquelas que desejam ter um filho para chamar de seu engravidam mais tardiamente, normalmente depois dos 30, 40, e até 50 anos.

“Conceitualmente, definimos gestação tardia aquela que ocorre após os 35 anos de idade, período em que há o início do declínio das células germinativas femininas (óvulos)”, define o obstetra Sérgio Floriano de Toledo, Diretor Científico da Regional Santos da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paul (SOGESP).

Riscos

De acordo com o especialista, quanto mais idade ela tem, aumentam as dificuldades para iniciar uma gravidez espontaneamente – “razão pela qual as mulheres modernas poderão fazer o congelamento dos óvulos para quando optarem engravidar”, acrescenta. Outros aspectos importantes a se investigar precocemente são as alterações clínicas mais prevalentes, como hipertensão arterial e diabetes.

Ou seja, ao escolher gerar um filho quando estiver mais madura, a mulher precisa assumir os riscos, que serão maiores. “Do ponto de vista obstétrico, a gestante tardia é mais suscetível a abortamentos espontâneos, má formações fetais e alterações cromossômicas – a Síndrome de Down é a mais frequente, com incidência de 1 a cada 80 casos em mulheres com mais de 40 anos”, informa.

Pré-natal

Ainda que não exista consenso único acerca da melhor idade para engravidar, o momento ideal biologicamente está entre os 20 e 30 anos, por questões anatômicas, hormonais, emocionais e funcionais. Porém, o obstetra garante que o segredo para o sucesso, independente da faixa etária, é o acompanhamento de um ginecologista antes de engravidar, a fim de detectar quaisquer alterações. Também é fundamental analisar a oferta de ácido fólico, que “quando administrado pelo menos 30 dias antes da fecundação diminui as chances em 70% em média de uma determinada mal formação fetal, como defeitos de fusão do tubo neural (anencefalia , espinha  bífida e meningomielocele, entre outros)”, esclarece o médico.

A assistência pré-natal será sempre individualizada, sendo necessários exames específicos – a frequência das consultas também varia de acordo com a necessidade e intercorrências individuais de cada futura mamãe.

“Mulheres mais velhas terão mais chances de engravidar espontaneamente ao adotar uma prática regular de atividade física, não fumar, ingerir bebidas alcoólicas moderadamente e realizar exames anuais de prevenção ginecológica – esses fatores também corroboram para a boa evolução do bebê, sobretudo quando associados ao pré-natal bem assistido”, conclui. (Acontece)