Beatriz Kuroiwa

(divulgação)

Artista plástico com mais de 60 anos de carreira utiliza sua experiência em medicina para criar nova obra exclusiva que retrata a pandemia COVID-19

O médico e artista plástico Wagner Kuroiwa acaba de finalizar sua 80º obra do ano de 2020. Intitulada “Quarantine”, a obra de predominância da cor vermelha é carregada de simbologias para retratar os diversos sentimentos trazidos pelo avanço da pandemia COVID-19.

“Como ser humano e como médico, os sentimentos que se acumularam dentro de mim diante desse cenário se transformaram nessa obra. As cores tinham que ser fortes para representar a seriedade e a urgência dessa doença tão devastadora. E as imagens e símbolos, por sua vez, retratam o que nós, enquanto de angústia, ansiedade e medo, estamos todos vivenciando”, conta o autor Wagner Kuroiwa.

O conceito inicial para composição da obra foi a subversão do tempo, simbolizado pelo relógio. Contudo, nesse caso, as horas estão em intencional desordem, demonstrando que a percepção do tempo, tal como nos habituamos, não existe mais. A partir daí, outros elementos foram adicionados para retratar o que, talvez, todos nós estejamos fazendo nesse momento: um balanço da própria vida.

“Cada pessoa está vivenciando esse momento de uma forma diferente e, portanto, devem haver milhares de interpretações singulares para cada um dos elementos. Um, no entanto, que imagino que deva haver concordância comum é a figura da pomba. Retratada de forma constante na história da arte, ela vem como símbolo de paz, esperança e porvir, nos mostrando que dias melhores virão”, completa Kuroiwa.  

Medicina e Arte

A união de suas duas paixões está materializada em diversas obras que criou. Uma das mais importantes é a que concluiu em 2016 no laboratório de anatomia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, onde se formou como médico em 1976.

Presente de Kuroiwa à universidade, em comemoração aos 40 anos que completava de formado, a pintura inspirada na Capela Sistina preenche todas as paredes do laboratório e presta homenagem aos corpos que naquele local se transformam em benfeitores da humanidade, servindo de objeto de estudo para diversas gerações de futuros médicos.

Outro destaque, é “Cristo”, uma obra de 3 metros de altura feita sob uma colagem de 86 radiografias. “Cada radiografia tem uma lesão e foram garimpadas em hospitais da época. São fraturas, próteses, corpo estranho, tiro, marca-passo, entre outras. Minha intenção com a obra era mostrar a dor em sua forma mais lancinante”, completa Kuroiwa.  

Sobre Wagner Kuroiwa 

Wagner Kuroiwa nasceu em Garça, interior do estado de São Paulo, em 1946 e desde a infância demonstrou interesse pelo desenho e pela pintura. Em 1976, formou-se médico pela Escola Paulista de Medicina, especializando-se em Saúde Pública e Direito Sanitário pela Universidade de São Paulo.

Vencedor de diversos prêmios, o artista já fez amostras em diferentes regiões do Brasil. Em 2019 realizou sua primeira exposição individual no exterior, com a coleção Arte Contexto, na capital da Espanha, Madrid. Com mais de 800 quadros produzidos, suas obras já foram adquiridas por admiradores do Japão, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, entre outros.