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“VALSA Nº2” DA “SUÍTE DE JAZZ” DE DIMITRI SHOSTAKOVICH

Quando o filme “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick, foi lançado em 1999, eu morava em uma cidade do interior de Goiás, Caldas Novas, que ainda não contava com salas de cinema. Assim sendo só pude assistir ao último filme de um dos meus cineastas prediletos quando ele foi lançado em vídeo.

Cartaz do filme.

Cartaz do filme.

Este filme, como em vários outros do diretor, começa sem diálogos com uma música – sempre fantástica e impactante – em primeiro plano. Desta vez a música escolhida foi a “Valsa nº2” da “Suíte de Jazz” de Dimitri Shostakovich para brilhantemente emoldurar os títulos iniciais e o strip-tease de Alice, personagem de Nicole Kidman no auge de sua beleza.

Alice (Nicole Kidman) se despe em frente ao espelho na abertura do filme.

Alice (Nicole Kidman) se despe em frente ao espelho na abertura do filme.

Eu não conhecia absolutamente nada da música do russo Shostakovich, e creio que não poderia ter havido uma porta de entrada mais conveniente que esta sua “Valsa nº 2” na abertura daquele que se tornaria – após assisti-lo mais algumas vezes – um dos meus filmes preferidos do grande Kubrick.

“De Olhos Bem Fechados” é o filme-testamento de Kubrick, repleto de símbolos e referências nem sempre identificáveis à primeira vista, e por isso precisa ser assistido mais de uma vez para que consigamos ter um vislumbre do recado que o cineasta quis nos deixar.

Dmitri Shostakovich ao piano com o Quarteto Glazunov em 1940.

Dmitri Shostakovich, ao piano, com o Quarteto Glazunov em 1940.

A trilha sonora do filme, como era costume nos filmes de Kubrick, é uma seleção primorosa que se casa perfeitamente com as imagens, e às vezes assume o papel principal! Aqui, além de Shostakovich, desfilam, entre outros, o pop de Chris Isaak, o jazz de Oscar Peterson e a intrigante peça para piano do húngaro György Ligeti que aparece em um momento crucial do filme: o estranho ritual na misteriosa mansão, onde o personagem Bill – marido de Alice e vivido por Tom Cruise – pensou que iria se dar bem.

Bill (Tom Cruise) entrando numa fria na mansão dos rituais secretos dos bilionários.

Bill (Tom Cruise ao centro, sem máscara) entrando numa fria na mansão dos rituais secretos dos bilionários.

Alguns estudiosos – e adeptos de teorias da conspiração – dizem que Kubrick mexeu num vespeiro ao colocar no filme referências a sociedades secretas que realmente existem no mundo real e que sua morte – ocorrida alguns meses antes do lançamento do filme – foi provocada por ocultistas que se sentiram retratados no filme. Existem várias páginas na web que analisam esta questão, dou a dica aqui de uma bem interessante em três partes:

Mensagens Ocultas (e não tão ocultas) em “De Olhos Bem Fechados”  – Parte 1
Mensagens Ocultas (e não tão ocultas) em “De Olhos Bem Fechados”  – Parte 2
Mensagens Ocultas (e não tão ocultas) em “De Olhos Bem Fechados”  – Parte 3

 

Voltemos à Alice que com sua fixação por espelhos – uma referência ao livro “Alice através do Espelho” de Lewis Carroll – deixou sua imagem gravada na minha memória de tal forma que toda vez que escuto a “Valsa nº2” eu a vejo em seu quarto de despir.

Kubrick, Cruise e Kidman

Kubrick, Cruise e Kidman, à época da produção do filme.