18 de outubro é o Dia Mundial da Menopausa, período para reflexão acerca da saúde da mulher e pela busca incessante pelo bem-estar

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A arquiteta Suny Melo buscou na ioga exercícios para a o corpo e mente, assim, aliviando os calores e entendendo melhor a fase em que seu corpo está passando

Mulheres passam por oscilações hormonais desde a adolescência. Essas mudanças podem refletir no comportamento de cada uma e são encaradas de diferentes maneiras, dependendo da forma em que os efeitos colaterais são sentidos. A menstruação marca o início da puberdade, quando as transformações começam a ser visíveis nos corpos das adolescentes, além do despertar para a sexualidade. Mais tarde, a gravidez também provoca profundas alterações, tanto físicas quanto emocionais e lidar com estas variações é um dos principais desafios de qualquer mulher que esteja esperando um bebê. Com o passar dos anos, as mulheres chegam a uma fase bastante delicada, cercada de mitos e preconceitos – a menopausa.

Temida por algumas e tratada com serenidade por poucas, a menopausa ainda é um tabu. O incômodo em falar sobre o assunto pode ser prejudicial à saúde, uma vez que essa transformação no organismo feminino pode gerar desconfortos, e aumentar a possibilidade de aparecimento e agravamento de doenças. Nessa fase, a vulnerabilidade feminina é maior aos sintomas físicos e psíquicos. Apenas 25% das mulheres brasileiras passam por esse período sem alguma queixa. Terezinha Souza não foi uma delas. Ela sempre cuidou da casa, dos filhos e do marido; mas aos 42 anos de idade teve uma reviravolta na rotina e precisou ser cuidada, quando os sintomas da menopausa começaram a aparecer. “Sentia taquicardia, de repente começava uma ‘batedeira’ sem saber o porquê. O calor também era forte, começava na cintura e ia subindo. Eu ficava muito irritada e chorava por tudo, meu marido me perguntava por que eu estava chorando assistindo  TV e eu apenas respondia ‘não sei’”, relata a dona de casa que hoje tem 51 anos.

A ginecologista Margareth Giglio, do Hospital Materno Infantil (HMI), explica que todos esses sintomas acontecem devido às mudanças hormonais. “Quando a mulher para de menstruar, significa que os ovários deixaram de produzir o estrogênio. Assim, ela passa para um estado de privação desses hormônios, o que irá afetar todo o seu organismo”, conta. Margareth ainda elucida que, também nesse período, a mulher passa a ter maior predisposição a patologias mais perigosas. Doenças cardiovasculares; aumento de peso e, por consequência, obesidade e diabetes; transtornos de humor, em especial a depressão; além de atrofia dos órgãos genitais, facilitando infecções urinárias e genitais, que incluem DST e até AIDS.

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH), oferecida nos ambulatórios de ginecologia geral do HMI, é a opção mais indicada para mulheres que perdem a qualidade de vida com as ondas intensas de calor, sudorese noturna, secura vaginal, insônia, entre outros, consequência da deficiência do estrogênio na menopausa. Entretanto, para isso, é necessário fazer um estudo histórico da saúde da paciente e verificar se há tendência de câncer de mama e de endométrio, trombose, miomas uterinos, endometriose, colelitíase e doenças cardiovasculares; nesses casos, são indicados tratamentos alternativos ao hormonal. Para Terezinha, a adaptação aos hormônios foi um processo gradativo. “Comecei com compostos à base de soja, funcionou por três ou quatro anos, mas depois os incômodos voltaram. Então, passei a fazer reposição hormonal artificial, alguns me fizeram mal, senti dor nas pernas, dor de cabeça, insônia. Levou um tempo até eu conseguir encontrar o que era melhor para mim”, explica a dona de casa.

Alternativas – Tratando-se de medicina, a ciência não é exata. Para a arquiteta e urbanista Suny Vieira Melo, os hormônios artificiais não foram suficientes para aliviar todos os sintomas. A arquiteta começou a perceber os sinais aos 47 anos de idade e, desde o início, entendeu que precisava trabalhar corpo e mente para conseguir voltar à vida ativa e prazerosa que sempre teve. “Fiquei muito abalada, foi a ioga que me ajudou nos momentos mais críticos. Nessa fase, o desequilíbrio emocional é muito grande. Só por meio da prática milenar que consegui acalmar minha mente, reencontrar o equilíbrio, além de aliviar os calores”, explica Suny, agora com 48 anos de idade. O desespero da arquiteta diante da situação foi grande devido à pouca informação que tinha sobre o assunto. Para ela, a menopausa sempre foi sinônimo de envelhecimento e entender que, apesar das mudanças do organismo, seu espírito jovem era o mesmo, foi o maior desafio enfrentado. “O apoio do meu marido foi fundamental. Era ele quem me alertava a todo momento que eu precisava ter paciência, pois a menopausa não era o fim do mundo”, lembra.

Cada mulher tem um tratamento clínico apropriado e individualizado. Portanto, a terapia hormonal é um dos diferentes recursos indicados. Em situações em que a mulher se encontra contraindicada ao uso de hormônios, o processo de estabilização do corpo e mente pode ser feito com foco nos sintomas especificamente sentidos. No caso dos fogachos – ondas de calor -, principal queixa, há medicamentos na classe dos antidepressivos que podem proporcionar alívio.

Alongamento, musculação, meditação e exercícios físicos, de forma geral, podem também ajudar no alívio dos sintomas, além de serem essenciais para o bem-estar e ao controle dietético e do peso. Na rotina de Suny, o esporte sempre teve lugar, mas desde que se viu com hormônios alterados, a arquiteta, mesmo com a rotina de trabalho agitada, precisou intensificar a prática dos exercícios. Duas vezes na semana ela frequenta a ioga, outras duas vezes vai à academia para musculação e um dia na semana é dedicado à corrida, além do lazer que também envolve o movimento do corpo, como natação e passeios de bicicleta.  .

Para a alteração de humor, é indicado acompanhamento com o psicólogo e até mesmo com o psiquiatra, que pode indicar alguma medicação específica para solucionar este tipo de queixa, também comum na menopausa. Para ajudar a solucionar problemas de insônia, o ideal é evitar perturbadores do sono, como ruídos, álcool, cafeínas, refrigerantes, claridade na hora de dormir e é indicado, principalmente, não praticar atividades que possam estimular a agitação antes de dormir.

A secura vaginal é outra queixa comum nos consultórios. Nesse caso, a indicação dos ginecologistas é o uso de lubrificantes durante a relação sexual; além de hidratantes vaginais, que melhoram a condição da mucosa vaginal se o uso for contínuo, normalmente duas vezes por semana.

Aspectos psicológicos e culturais – É constatado que a obsessão pelo retorno à juventude é maléfica à saúde e atinge, negativamente, o processo de envelhecimento, natural de todos os seres vivos. Nas sociedades orientais, onde a trajetória de vida da mulher é respeitada e a expectativa de envelhecer é encarada de forma positiva, os sintomas tanto físicos quanto psíquicos da menopausa são menos intensos.

Já a mulher ocidental sofre com a busca pela juventude eterna. Ao longo de anos de luta pela liberdade feminina, a mulher vem adquirindo direitos e acumulando funções que mudaram seu papel na sociedade. Contudo, em meio a importantes conquistas, muitas ainda se veem presas a um inatingível padrão de beleza difundido principalmente pela mídia e indústria da moda, o qual envelhecer não faz parte do processo.

Este preconceito infundado em relação ao envelhecimento da mulher ocidental também afeta diretamente o organismo das mesmas. Portanto, alguns médicos incluem no tratamento da menopausa a família dessas mulheres que passam por esse período, por entenderem que as relações familiares pesam muito na gênese das alterações comportamentais dessa fase.

Mudanças de hábitos – Há alguns anos, os passeios de motocicleta passaram a fazer parte da rotina de Terezinha Souza. O marido, fã de motos, apresentou-lhe as vantagens de fazer viagens sobre duas rodas e desde então os companheiros têm se aventurado pelas rodovias de Goiás. Contudo, a ambição é ainda maior que as quilometragens rodadas pelo estado. O próximo desejo é conhecer as estradas do estado do Rio Grande do Norte e do Rio de Janeiro na garupa da moto. Priorizar o lazer com o marido, agora que os filhos já estão na faculdade, é uma realidade de Terezinha que a ajudou a enxergar as vantagens que a idade lhe proporcionou. “Agora eu quero é curtir a vida”, diz.

A ginecologista Margareth Giglio reafirma que momentos de prazer ajudam a lidar melhor com a fase. “Este é o período que a mulher precisa colocar a qualidade de vida em primeiro lugar, a dica fundamental é manter a vida produtiva e ativa”, explica. Para quem se cuida desde cedo, ao chegar à menopausa, os sintomas poderão ser amenizados, podendo até passar despercebidos. Além disso, a menopausa é o único período que proporciona à mulher liberdade sexual sem riscos de gravidez, sendo assim, o sexo pode se tornar mais prazeroso e sem preocupações. Margareth ainda atenta para a importância de manter os exames médicos em dia, como glicemia, colesterol, bem como mamografias e exames ginecológicos. (Bastidores – Assessoria de Comunicação)