*** por Paulo Afonso Fernandes para rockontro.org

 

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RECONHECIMENTO TARDIO

Nick Drake morreu em 1974, aos 26 anos. Seus três álbuns lançados haviam vendido muito pouco até então, fato este que só fez agravar o quadro depressivo em que ele se encontrava. Quando de sua morte, ele voltara a morar na casa dos pais, e o que contaram seus parentes é que ele dormiu uma noite e não acordou no dia seguinte.

Final triste para o enorme talento do inglês Nick Drake – nascido na Birmânia – que desde criança se interessou pela música, tendo aprendido a tocar piano com sua mãe dentre outros instrumentos. Na segunda metade de década de 60, durante o auge da Swinging London e do rock psicodélico, o jovem introvertido se interessou pelo folk britânico e pelo trabalho de Bob Dylan.

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A técnica apurada e emocional de Drake ao violão – instrumento que sua tradicional família não aprovava – chamou a atenção de pessoas ligadas ao mundo da música. Desta forma em 1968 ele conseguiu a chance de gravar seu trabalho.

Em “Five Leaves Left” (1969), o primeiro álbum, assim como nos dois seguintes, todas as músicas são composições de Drake, que canta e toca violão e piano, acompanhado por membros dos grupos britânicos de folk: Fairport Convention ePentangle. Basicamente é um disco de folk com influências da música clássica pós-romântica. Belo e melancólico, o disco foi recebido mornamente pela crítica e vendeu muito pouco.

"Five Leaves Left", "Bryter Layter" e "Pink Moon"

“Five Leaves Left”, “Bryter Layter” e “Pink Moon”

Creio que a gravação do segundo álbum “Bryter Layter” (1971) tenha sido o último grande esforço de Nick Drake para obter reconhecimento em vida. É um disco mais alegre, com elementos de jazz e uma levada mais pop, esta última por insistência do produtor e dos músicos que o acompanharam. Agora havia também a presença da bateria e um diversificado acompanhamento instrumental em cada faixa. John Cale fez uma participação em Northern Sky, tocando celesta, piano e órgão. A esperança de que o álbum fizesse sucesso comercial foi frustrada, novamente, pelo baixo volume de vendas. Foi depois disso que Nick começou a se isolar ainda mais e a afundar na depressão, tanto que não atendeu aos pedidos da gravadora para promover o álbum.

Mesmo afundado em mundo só seu, Drake gravou as músicas para seu terceiro álbum em 1972. A gravadora não estava muito interessada neste terceiro disco, mas concordou após a insistência de John Wood, engenheiro de som dos dois primeiros álbuns e produtor deste terceiro. Em “Pink Moon” (1072), não há outros músicos, apenas a voz e o violão de Drake, que também toca piano na faixa-título. O folk com letras sombrias e música celestial deste álbum, também não fez o devido sucesso na época de seu lançamento, só que desta vez, o seu criador não esperava mais que fosse diferente. Seu quadro de depressão se agravou, ele praticamente abandonou a carreira musical e voltou para a casa dos pais.

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Foi somente uma década após sua morte, que o trabalho de Nick Drake começou efetivamente a ser reconhecido, antes era apenas um punhado de fãs que fazia uma espécie de peregrinação à casa dos pais do músico. Em meados da década de 80, Drake passou a ser citado como influência por artistas como Peter Buck (do R.E.M.), os membros do Dream Academy eRobert Smith (do Cure). Este último ainda disse que o nome de sua banda veio dos versos “A trouble cure for a trouble mind” da música Time Has Told Me.

Essas declarações fizeram, finalmente, o grande público se interessar pela música de Drake. A pena é que ele não estava mais neste mundo para colher os louros que tanto perseguiu em vida.