* por José Maurício para rockontro.org

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Ô TREM BÃO, SÔ!

Uma portaria do amigo Augusto (hoje secretário municipal de cultura) me designou para um projeto elétrico no prédio da antiga estação ferroviária de Anápolis, inaugurada em 1954 e recém-restaurada. A ideia é instalar nesse espaço o museu da imagem e do som.

Está ficando bonita!

Está ficando bonita!

Em visita ao local, Ralf (o estagiário) perguntou a Pedro Paulo (o engenheiro) se ele já havia se utilizado daquela estação para viagem insinuando que ele estaria velho. Atalhei e respondi:

– Eu viajei de trem – em referência a um passeio em 1980 com a turma de engenharia para a fazenda dos pais do João Bosco (colega de faculdade, não o cantor!).

Fiquei então pensando nas possibilidades que a música nos dá pra viajar de trem, posto que tanto uma como o outro são uma viagem:

Se você for tomar o último trem você pode escolher ir com os Monkees para Clarksville, com a Electric Light Orchestrapara Londres ou na companhia de Eric Clapton e The Band para Memphis. À meia noite a viagem é com Gladys Knight & The Pips, pois sai o último trem para Georgia.

Aqui no Brasil, para Jaçanã, o último trem sai às onze horas com Adoniran Barbosa, mas o último do sertão sai às sete horas e a companhia é Raul Seixas. De Teresina a São Luiz vou com Luiz Gonzaga. No sul, Kleiton ou Kledir corre o risco de perder o matrimônio por culpa da lentidão da Maria FumaçaOs trens noturnos são sucesso, seja como o do Al Stewart com destino a Munique, ou os nightrains do Guns N’ Roses e do James Brown.

O Lô Borges tem experiências boas e ruins em relação aos trens e o Ian Anderson (Jethro Tull) parece passar a vida dentro de um trem. Já o Jimi Hendrix espera ansiosamente a chegada do seu trem.

Como sou de paz, prefiro Cat Stevens ao trem doido do Ozzy Osbourne.

Chega? Só mais uma: um trenzinho que uniu a música clássica à MPB: Edu Lobo canta os versos de Ferreira Gullar feitos para a melodia de Villa-Lobos.

É trem demais! Agora chega!!