Em época de festas juninas e da Copa cresce o risco de fugas, traumas e até mesmo morte de animais domésticos e silvestres.

Costume herdado dos chineses que inventaram a pólvora, soltar fogos de artifício em comemorações como Réveillon, jogos esportivos e festas juninas é tradicional em Goiânia.

Porém, para os animais e até mesmo para os humanos mais sensíveis ao barulho, essa comemoração pode ser ofensiva e mesmo fatal.

No caso dos animais, que não sabem conscientemente a origem das explosões, o instinto de sobrevivência fala mais alto e saem em disparada desvairada procurando um abrigo ou distanciando do local onde estão acostumados a ficar.

Quando não há essas opções, ou seja, quando estão presos, eles tendem a entrar em pânico e podem surtar, sofrendo ataques cardíacos e traumas quando tentam se desvencilhar das coleiras ou se debatem nas paredes, vindo a óbito.

Pensando em orientar e conscientizar a população, a Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB/GO lança uma nova campanha nas redes sociais para que as pessoas deixem de comemorar com fogos e também possam proteger seus animais quando não houver essa escolha.

A campanha conta com flyers digitais (ver anexos)  que podem ser compartilhados nas redes sociais e um vídeo em parceria com a Pet Carol. O vídeo dá dicas simples, práticas e baratas para que os tutores possam preservar a qualidade de vida de seus animais durante os fogos, tais como:

– tutorial de como enfaixar gatos e cachorros para que sintam mais protegidos.

– qual a forma ideal de amparar no colo os pets, pois a maioria dos tutores mimam seus animais nessas horas e eles entendem que seu tutor também precisa de proteção, aumentando a insegurança e o stress.

– como usar o floral Rescue e chás de erva cidreira e camomila para acalmá-los.

– escolha de local seguro e calmo para resguardar os animais em situações festivas.

– colocar música ambiente calma alta no ambiente onde os bichinhos ficarão protegidos, cobrindo assim o barulho dos fogos.

E como fica a fauna silvestre?

“O ideal é que os fogos de artifício com estampido sejam proibidos por lei, como já foi feito em diversas cidades do mundo. Não só os animais, mas crianças, idosos e portadores de doenças mentais, também sofrem com o barulho dos fogos”, afirma Pauliane Rodrigues, presidente da Comissão Especial de Proteção e Defesa Animal.

“Já será uma grande vitória conseguirmos orientar a população a proteger seus animais domésticos, mas como ficam os animais de rua e silvestres?”, questiona Pauliane.

Em 2012, uma pequena cidade do Arkansas, EUA, foi manchete quando centenas de tordos-sargentos (Agelaius phoeniceus) foram encontrados mortos após o réveillon. Fatos semelhantes ocorreram na Louisiana e na Suécia. Em 2007 pesquisadores registraram que um grande número de aves marinhas abandonou seus ninhos após as celebrações do dia da independência em Gualala, EUA. Apesar de muito protesto, os fogos foram proibidos nesta localidade em 2008. A cidade de Monrovia, na Califórnia-USA, também proibiu o uso de fogos de artifício por diversas razões, dentre elas incêndios e acidentes.

No Brasil, alguns municípios já adotaram o uso de fogos sem barulho, como Volta Redonda, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Bauru, Poços de Caldas, Campos do Jordão, Ubatuba, Ilhabela.

Existem 4 classes de fogos de artifício: A, B, C e D. Os fogos da classe A não produzem ruído, o efeito é apenas visual. Os fogos que mais perturbam os animais são os da classe B, C e D, que possuem maior quantidade de pólvora, e o ruído produzido ultrapassa 90 decibéis.

Em maio, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas sancionou projeto de lei municipal que proíbe o uso de fogos de artifício que produzam ruído. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de 2.000 reais. Caso ocorra reincidência, o valor será cobrado em dobro. A lei será regulamentada pelo Poder Executivo em sessenta dias.

Uma ideia legislativa de tornar lei federal a proibição de fogos com estampido conseguiu 53.361 apoios em abril pelo Portal e-Cidadania e se tornou assim, uma sugestão legislativa que já está tramitando na CDH, Comissão de Direitos Humanos para ser debatida pelos senadores. (Julianna Santos)