Desde o dia 16 de agosto o público de Goiânia tem podido conhecer e desfrutar de um projeto cultural que foge da estética clássica e propõe um novo tipo de experimentação. Trata-se do Coletivo de Atrações, que vem provocando a plateia por meio de espaços cenográficos, performances cênicas, palestra e oficina. Na próxima semana mais duas atividades estão previstas, e elas encerram as intervenções que acontecem em torno da Silhueta Cesare, o esôfago de 20 metros, plantado no centro da grande sala de exposições da Vila Cultural Cora Coralina. Na terça-feira (um 11 de setembro que marcou com violência a história do mundo), a atriz Fernanda Pimenta volta a trespassar a Silhueta, com sua personagem contorcida por dores e tremores de uma angústia própria de nossos tempos. Na sequência, a artista visual Rô Cerqueira, que também é uma das idealizadoras do projeto, ministrará uma oficina com o tema “História da Performance Digital”. A criação e direção do Projeto Coletivo de Atrações é de Hélio Fróes e Rô Cerqueira. A organização é da Balaio Produções Culturais. A ação conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Governo de Goiás. Toda a programação é GRATUITA.

História da Performance Digital

A oficina, com vagas para 20 pessoas, abertas a toda população, propõe investigar o uso das novas mídias digitais incorporadas à cena, visando comprovar que ao conceber um novo tipo de “arquitetura virtual” no palco, a cenografia da performance digital proporciona um emaranhado de relações entre os múltiplos espaços do vídeo e do palco, revelando mudanças na representação do espaço e do tempo. A genealogia da Performance Digital, conceituando o termo, que amplia as relações com a dança, o cinema, as artes plásticas/visuais, a literatura, o vídeo.

A ministrante, Rô Cerqueira, é uma artista visual que estudou na Escola de Comunicação Social da Universidade Federal Do Rio De Janeiro, e que teve lá seu primeiro contato com o universo da fotografia. Posteriormente, formou-se em cinema pela Universidade Federal Fluminense, especializando-se em fotografia e Filosofia da Arte. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a pesquisadora fez o mestrado em cenografia. Desde sua incursão pelo mundo da imagem, vem participando de projetos artísticos do cinema e do teatro.

Inquieta Imersão

Segundo seus idealizadores, o Coletivo de Atrações é uma possibilidade de encontro entre artistas de diferentes saberes e fazeres com o intuito de aprofundar suas pesquisas e de causar uma intersecção criativa, que se propõe a refletir sobre outras formas de fazer arte, que escapa a toda intenção utilitária.

O que o Coletivo de Atrações propõe é uma imersão em universos imaginários, que provoque discussões e percepções sobre a vida real e a violência contemporânea. A temática é propositadamente contraposta à sutileza e fragilidade dos suportes artísticos utilizados (plástico, papéis, projeção de luzes e sombras). Uma instalação chamada SILHUETA CESARE, que ficará em exposição até o dia 16 de setembro, cria o cenário para a performance interativa chamada PASSAGEM, que vem ocorrendo em momentos chave do período de instalação. Uma palestra sobre os conceitos criativos do projeto resgatou os elementos teóricos e históricos que contribuíram para o resultado e três oficinas, que dialogam com as técnicas aplicadas no trabalho, completam a experiência. Assim, o COLETIVO DE ATRAÇÕES pretendeu construir narrativas fragmentadas que causassem a diluição das fronteiras entre o factual e a ficção, a violência e a poesia, a fisicalidade e o virtual, a luz e a sombra.

Carcinoma e Silhueta

A experiência pessoal de uma doença agressiva mudou os rumos da obra de arte. Um câncer no esôfago, um aterrorizante adenocarcinoma, transformou a vida e a obra de um dos idealizadores do Coletivo de Atrações. Hélio Fróes decidiu que estamparia em sua obra o seu órgão de digestão afetado, extipardo por uma cirurgia e uma recuperação dramática. Com isso, o criador formulou sua narrativa sobre tudo que consumimos indiscriminadamente, de forma cada vez mais veloz, e que nos chega por todos os sentidos. A digestão do mundo tornou-se potencialmente letal.

SILHUETA CESARE reproduz um esôfago de 20 metros dentro da obra, sendo esse é o suporte principal para receber as sombras, sons e corpos que interagem com a instalação. Uma criação interdisciplinar que dialoga com a estética do Expressionismo Alemão do filme O GABINETE DO DR. CALIGARI (1919), com a violência urbana contemporânea e com a fragilidade de vidas humanas expostas ao caos. Inevitáveis relações entre o filme do diretor Robert Wiene e seu contexto histórico, com as questões político-econômico-sociais dos nossos dias, produziram, para este projeto artístico, imagens que oscilam entre ilusão e realidade, entre universos interiores da existência humana e a dureza do mundo exterior. Uma metáfora sobre o cotidiano de uma urbanidade apática e sonâmbula – como o personagem Cesare, que é manipulado por Dr. Caligari -, perante décadas de opressões sociais, muitas vezes silenciosa e perversa, justamente por ser hipnotizante. (Ana Paula Mota )

SERVIÇO:

Projeto Coletivo de Atrações – Vila Cultural Cora Coralina

(Rua 3, s/n – St. Central – Goiânia/GO)

Instalação Silhueta Cesare

Visitação: De 16 de agosto a 16 de setembro

Performance Passagem

11 de setembro, às 19h

Oficina História da Performance Digital

11 e 12 de setembro – Das 19 as 22h.

TODAS AS ATIVIDADES TÊM ENTRADA FRANCA

Para a palestra e oficinas será necessária a inscrição pelo site do evento: www.balaio.pro/coletivodeatracoes