Ana Paula Mota

A peça tem a direção de Marcela Moura, que se inspirou no texto “Brujas”, do espanhol Santiago Moncada, para criar um trabalho original e contextual. A temporada de estreia será no Teatro Centro Cultural UFG, com entrada franca. O projeto conta com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Entre os dias 10 e 13 de setembro, de terça a sexta-feira, o público de Goiânia tem um encontro marcado com um coletivo de atrizes legitimamente goiano e bastante experiente no fazer cênico e teatral. As autodenominadas Panteras pretendem oferecer ao público um espetáculo cômico, cuja trama se desenrola entre intrigantes e misteriosas histórias do passado das personagens e conversas reais sobre o universo feminino. O projeto conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e com o apoio do Teatro Centro Cultural UFG. A entrada é franca.

Segundo a diretora Marcela Moura, que em 2017 concluiu um Doutorado em Arts et médias – Théâtre, na Universidade de Sorbonne (França), em cotutela com a Unirio (RJ), este é um trabalho que desde o início do ano vem sendo criado de forma colaborativa, tendo como base teórica as suas pesquisas sobre Sistemas Teatrais e Processos de Criação. Algo, que, segundo Marcela, culmina em uma montagem contemporânea, performática, que une ficção e vida real, mas que pretende ser leve e divertida para o público.

Onde nascem as Panteras

A pesquisadora e artista Marcela Moura, que atualmente reside entre Paris e Rio de Janeiro, foi convidada pela atriz Adriana Veloso para ler o texto de Moncada, chamadoBrujas, que Adriana havia traduzido. Esse foi o ponto de partida para um verdadeiro encontro entre mulheres, veteranas do teatro goiano, para uma criação coletiva. Marcela leu o texto original, mas não se contentou, apesar de ser um autor reconhecido e premiado. Ela achou que as atrizes poderiam colaborar com a adaptação, utilizando suas experiências pessoais. E assim nasceu Panteras 89. Mulheres que falam sobre mulheres, no passado, no presente e no futuro, usando para o desenrolar da trama os mesmos mistérios, viradas, pontos de vistas diferentes sobre um mistério, assim como na peça que inspirou este novo trabalho.

Sobre a ficha técnica ser quase toda composta por mulheres, Marcela explica que foi uma coincidência. “Não houve nenhuma má intenção com os homens”, diz a artista. Foi algo que se formou naturalmente. Nosso papel nesse espetáculo não é empunhar bandeiras, mas desenvolver um sistema aberto de comunicação com o público. É uma conversa sobre intimidades do mundo feminino. Um diálogo livre e prazeroso, sem amarras.

O cenário do espetáculo Panteras 89 ficou a cargo de Letycia Rossi, arquiteta goiana que hoje reside na Alemanha. A interpretação fica por conta das atrizes Adriana Veloso, Fabíola Villela, Liz Eliodoraz, Maria Cristina e Renata Torres, personalidades do teatro, que se conhecem há vários anos, e que em diferentes momentos já trabalharam juntas. A concepção de vídeos também ficou à cargo de Marcela Moura.

Intercâmbio e receitas

Uma das curiosidades do processo proposto por Marcela, está na criação de composições performáticas por meio de jogos e exercícios nada convencionais, que foram gravados em vídeo. A diretora conta que este trabalho vem acontecendo desde o primeiro semestre, mesmo com ela não estando em Goiânia, e que grande parte dele foi via aplicativo de mensagens (Skype). Ela também relata que este processo, virtual e inusitado, se tornou parte da obra. Algo que será compartilhado com o público, em um reconhecimento de que a criação artística é um trabalho processual e dinâmico, como se a obra estivesse em constante evolução, e a apresentação no palco fosse também uma etapa.

Segundo Marcela: “O público vai assistir ao espetáculo e conhecer um pouco de sua fabricação. Vai ver as atrizes produzindo as cenas. E por ter visto o vídeo antes e depois, vai entender como a coisa toda foi feita. Além de se divertir, o espectador terá a cena e a receita para se chegar à cena. Como se o chefe de cozinha ensinasse a fazer um prato, que quando você come, você já sabe como foi feito. Como em uma cozinha aberta aos comensais.”

Um elogio ao tempo presente

O espetáculo também trata de reencontros e memórias. Reencontros e memórias das personagens e das atrizes. São mulheres que falam do passado e se perguntam sobre como chegaram até aqui, até o hoje. Envelhecimento, felicidade, realização, são temas que farão parte do jogo cênico. A diretora ressalta que se trata de um tipo diferente de trabalho com as personagens, e explica: “Eu vivo brincando com as atrizes, pra não se deixarem abduzir. Elas são corpos, pisando neste chão, respirando e falando neste exato momento. Estamos trabalhando com algumas noções de performances, como o fato de estarmos presentes, jogando com o espectador. Ao invés de uma construção psicológica, utilizamos as coordenadas do tempo e do espaço para a construção das cenas. Então, esse espetáculo é um elogio do encontro de atrizes com os espectadores, no presente da cena.”

Sinopse:

Um reencontro de antigas amigas que estudaram juntas em um internato de freiras. Uma reunião, para beber, cantar e falar livremente sobre intimidades. Uma animada conversa, de onde emergem boas lembranças, mas também antigas mágoas. Quando estas amigas decidem escavar suas memórias, elas descobrem certos fósseis que mudam toda a perspectiva que têm do presente. Com muito humor, o público vai descobrir o verdadeiro motivo desta reunião, a partir da revelação de segredos que causam grandes reviravoltas na trama.

Serviço:

Espetáculo Panteras 89

Datas e horários:

10 a 12/09 – 3ª a 5ª feira – 20h

13/09 – 6ª feira – 19h e 21h

Local: Teatro Centro Cultural UFG (Av. Universitária, 1533, St. Universitário)

Ingressos: ENTRADA FRANCA