Rodada de apresentações do espetáculo performativo chega ao fim com duas últimas apresentações

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O perdão é o mote principal do espetáculo de Teatro Contemporâneo “Não Posso Esquecer”, que expõe o corpo de uma mulher em meio à culpa, cercada de memórias que atormentam seu percurso. O corpo feminino se ergue sobre uma bacia, desequilibra, cai, levanta. O vestido negro e os cabelos desalinhados acompanham a expressão na face de mulher. A peça é apresentada no prédio de Oficinas da Escola de Música e Artes Cênicas (Emac), da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Elementos da linguagem teatral e da performance compõem a peça, que teve criação compartilhada. Os processos de constituição de “Não Posso Esqucer” – com grafia propositalmente incorreta – envolveram a participação de discentes e professores da Emac, que promoveram uma investigação cênica, com diversas referências, entre elas o poema Ventania, de Cecília Meireles, e a instalação Desert Park, de Dominique Gonzalez-Foerster, que está permanentemente exposta no Centro de Arte Contemporânea Inhotim.

O cenário escolhido tem relação direta com o contexto da peça, que é encenada de frente ao paredão de raízes e tronco de uma gameleira, que apesar de mutilada por diversas podas e queimadas, resiste com um grupamento de copa, que denuncia a vida na árvore. É um “templo do perdão”, conforme a referência dos processos de criação da peça. E é sobre o ato de perdoar em relação a si, que trata o espetáculo.

Encenada pela professora Maria Ângela de Ambrosis, Não Posso Esqucer, mostra a passagem da mulher por culpa, lamento, autoindulgência e redenção, indo do pó ao renascimento, que sai do convulsionamento de suas bacias, e vagueia em direção à imersão em si.

A temporada de apresentações é concluída neste final de semana (3 e 4 de dezembro) contabilizando nove dias de encenação, e tem o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e do IPU (Grupo de Estudo Interdisciplinar Corpo, Jogo e Criação Cênica) da UFG. (Mário Manzi)

Serviço

Data: 03 e 04 de dezembro

Local: Oficinas da EMAC/ UFG, Campus I, praça Universitária (atrás do Museu de Antropologia da UFG)

Horário: 20 horas

Entrada gratuita