Primavera Brasiliana privilegia a imagem do coelho na pintura inquieta de Pitágoras Lopes. (divulgação)

Há um costume em comum entre nós: ao comemorarmos a data de nosso aniversário, dizemos que estamos completando mais uma Primavera. O fim do ciclo das estações completa um ano inteiro! O culto ao coelho da Páscoa, por exemplo, nasceu por causa da Primavera no Hemisfério Norte, que acontece entre março e junho, quando os bichinhos saem de suas tocas para finalmente se acasalarem e se reproduzirem, daí porque o símbolo da Semana Santa: a esperança e prosperidade no futuro.  

A mostra coletiva “Primavera Brasiliana” privilegia a imagem deste animal na pintura inquieta de Pitágoras Lopes, mas não é apenas essa figura que caracteriza nossa exposição. Quando é Primavera no Hemisfério Norte, é Outono no Hemisfério Sul. Na estação do Outono, aqui no Brasil, as crianças colocam suas pipas (ou papagaios) no céu e o vento seco e frio as sopram para o alto. O artista Francisco Galeno sempre manifestou sua predileção por este brinquedo, sua produção aborda, de uma forma ou de outra, a geometria do artefato, que é característica marcante em suas obras, assim como as bandeirolas. É também no Outono que comemoramos a Festa Junina, com a decoração e comidas típicas, figurino à rigor e a tradicional quadrilha. A fogueira, a cantoria, o quentão, as bandeirolas, tudo é símbolo e pesquisa para nossos artistas. O artista póstumo, Alfredo Volpi (1896-1988) ficou famoso por suas bandeirinhas e foi mestre único da discípula, Eleonore Koch (1926-2018), que se inspirou nas formas orgânicas e no resgate das reminiscências da infância para firmar um tracejado forte, colorido e cheios de significado. Marcelo Solá também busca suas memórias da infância, brinca de jogar a tinta e escorrer sobre o papel, rabisca, pixa, grafita, rasura, mas colore, ora com dor, ora com amor, como toda criança que é obrigada a crescer. O artista Sandro Gomide sabe bem como é a dor de crescer, ele passou por todas as etapas das Artes Plásticas, repetindo obsessiva e compulsivamente seu próprio corpo até se embriagar no fabuloso mundo da abstração e geometria. O baiano, Maxim Malhado sempre incorporou elementos da cultura baiana em seu trabalho, resgatando a força dos elementos fálicos e a dureza da exploração dos corpos, com objetos de madeira como as “Palmatórias”. Entre bandeiras, estandartes e recordações, a sina de toda criança que tem de passar por várias Primaveras até se tornar adulto não é fácil, principalmente para quem tem o pai como mestre. O artista Rubens Ianelli, filho do renomado Arcanjo Ianelli (1922-2009) aperfeiçoou a técnica da pintura repensando as linhas, as cores e a suavidade dos tons em motivos brasilianos: emblemas africanos, simbologias indígenas e as ondas do mar. A geometria é um laço genealógico que temos com nossos antepassados, seja pela pintura corporal, artesanato, ornamentos ou indumentárias. Os artistas Marilda Passos e Evandro Soares também arriscam nas formas geométricas, nas fórmulas matemáticas, nos catetos, vértices, ângulos e hipotenusas. Um universo infinito de possibilidades. Mateus Dutra sintetiza a pintura com centenas de tracinhos brancos, pretos e dourados, ora remetendo os riscos feitos pelos penitenciários em suas celas para contar cada dia preso, ora pensando em nós, livres (ou não), enclausurados em nossas próprias casas em tempos de pandemia. Emília Simon e Wés Gama transitam entre a ilustração, a aquarela e o grafite. Inventam personagens que parecem ter saído das lendas, do folclore ou de seu próprio senso crítico sobre estereótipos de caboclos, bichos-onça, índias, negras em peles cor de rosa a L’Abapuru

A mostra se inicia com a obra “Árvore do Cerrado”, do artista naif Antônio Poteiro (1925-2010). Uma imagem para abrir os encantos da estação mais colorida do ano que é quando acontece a metamorfose das larvas que ganham asinhas para voar, as flores de jabuticaba que se transformaram em roliças frutas negras e as frondosas mangueiras, que já não aguentam mais tantas mangas num galho só. Flores, frutos, insetos e animais se multiplicam nesta estação, dentro e fora d’água. A piracema acontece entre o mês de outubro até março quando ocorrem chuvas com mais frequência, a água torna-se mais oxigenada e os dias são mais quentes. “Homenagem à Amélia Toledo (1926-2017)” é uma vitrine de conchas e corais que fazem referência à sua obra “Encontro dos Mares do Mundo” para lembrarmos sempre de onde viemos e como a Natureza é parte fundamental em nossas vidas, em nossas Primaveras. A coletiva abraça esta estação com muitas cores e suportes que transitam entre óleos e acrílicas sobre tela, aquarela, pintura sobre papel e paletes, serigrafias e objetos em madeira e ferro. A mostra abraça também a principal ideia da Primavera, a esperança num futuro colorido, cheio de Arte e reminiscências para resgatarmos e homenagearmos quem realmente produziu conteúdo para usufruirmos como um presente. Usufruir no presente! 

Serviço

Local: Potrich Galeria de Arte – Rua 52, 689 Jardim Goiás 

Data: Início da mostra 11 de Novembro. Passeio Virtual 17 de Novembro. 

Agendamento de Seg à Sex das 10h às 18h. Sáb das 10h às 14h 

Contato: 62 98177 01 76 – 9944 01 78 – 3945 04 51 

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