Pesquisas revelam que os diagnósticos da doença dobraram nos últimos anos. Oftalmologista explica que substituir horas em frente ao computador ou usando o celular por brincadeiras ao ar livre pode ajudar a conter o problema oculares

 

O uso das tecnologias se tornou algo comum no dia a dia. Computadores, tablets e celulares se tornaram indispensáveis. Facilitam tarefas, otimizam a vida profissional e mantêm as pessoas conectadas ao mundo. Nas escolas, por exemplo, os aparelhos têm até mesmo auxiliado como instrumentos pedagógicos. Embora algumas instituições sejam a favor dessa didática, outras preferem manter os aparelhos longe das salas de aula.

Discussões à parte, no universo fascinante da tecnologia, a palavra de ordem no momento é a cautela. Isso porque estudos mostram que a utilização excessiva desses aparelhos tem causado problemas de saúde. Um deles está relacionado diretamente à visão e tem atingido, principalmente, um número grande de crianças. Segundo pesquisas do Conselho Brasileiro de Oftalmologista (CBO), nos últimos dez anos, a quantidade de pequenos em idade escolar que precisa usar óculos de grau passou de 10%¨para 20%.  O diagnóstico mais comum é a miopia, um distúrbio que impede a visão nítida de objetos localizados ao longe. De acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 30 anos, metade da população brasileira terá desenvolvido a doença.

A oftalmologista do Hospital de Olhos de Goiânia, dra. Tatiana Brito, explica que a questão não são os aparelhos em si, mas, sim, o fato de passar muitas horas diante deles. “Computadores, celulares e tablets exigem um certo esforço visual, isso sem falar no problema de ficar exposto diretamente à luz azul emitida por eles. Tudo isso favorece o desenvolvimento de problemas oculares como miopia, por exemplo”, ressalta. A especialista alerta ainda sobre a necessidade deixar locais fechados e passar mais momentos em ambientes externos com horizontes mais amplos. “Atividades ao ar livre é uma forma de conter esse problema de visão”, aconselha.

Sinais e prevenção

As pessoas chamadas míopes conseguem ver os objetos que estão perto, mas não são capazes de enxergar claramente aqueles que estão longe. A causa pode ser hereditária ou ambiental. A segunda hipótese está ligada à rotina de ver coisas pequenas de muito perto, em movimento ou no escuro. “É normal a gente ver crianças passando muito tempo no computador, jogando no celular, vendo televisão no escuro. Isso ‘mostra’ ao cérebro que o importante é a visão de perto, que vai ficando cada vez melhor, ao contrário do acontece com a visão de longe, que vai perdendo força”, explica a oftalmologista Tatiana.

Outros sinais comuns que indicam o início do problema ocular é quando os pequenos começam a ter dores de cabeça frequentes, precisam apertar os olhos ou franzir a testa para conseguir ler ou se colocam muito perto da televisão. Esses comportamentos podem estar relacionados a erros de refração, que são a miopia, astigmatismo e hipermetropia. Por isso, é necessário estar vigilante para um diagnóstico precoce.

“O olho da criança está em desenvolvimento até os oito anos de idade. Por isso, o indicado é fazer exames de visão de seis em seis até os dois anos de idade. A partir daí, as visitas ao consultório podem ser feitas anualmente até os dez anos ou quando julgar necessário”, pontua. (AFG Comunicação)