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Patricia Finotti

Carla Lacerda

Gabriella Alvarenga, também professora universitária e consultora de imagem, destaca que a excessiva exposição por meio de telas de celulares e computadores pode causar desconfortos emocionais. Ao mesmo tempo, nova dinâmica resulta no surgimento de código de etiqueta digital     

Imagine você, professor, em sala de aula, com todos os alunos com a cabeça para baixo sobre as carteiras escolares. Cenário bem desalentador, não é mesmo? Mudemos, então, o ambiente. Um super palestrante, de renome internacional, que lota facilmente um Centro de Convenções de Goiânia, chega para uma apresentação na capital. Ao subir ao palco se depara com toda, toda a plateia de costas. Outra descrição inverossímil? Saiba que não.

Depois da pandemia do novo coronavírus, tal qual a revolução digital, as relações humanas passaram por uma transformação que há tempos não se via. Quem aí ainda não esteve em um encontro virtual por meio dos novos aplicativos tecnológicos, em que algum participante desliga a câmera, de modo que seu interlocutor, que pode ser um professor ou um palestrante como nos exemplos acima, tem à frente apenas uma tela preta?  

“Recentemente, em um vídeo com a jornalista Claudia Matarazzo, profissional referência em etiqueta, o Karnal [Leandro] discorreu sobre esse assunto. Se pensarmos na ética dos encontros virtuais, a câmera desligada representa um grande desrespeito com o outro”, ressalta a psicóloga goiana Gabriella Alvarenga.

Gabriella, que também é professora universitária e consultora de imagem – com enfoque no tripé aparência, comportamento e comunicação -, aponta ainda para outros contextos que surgem com a exposição diária por meio das telas virtuais. “O fato de você se ver o tempo todo pode causar cansaço, estresse emocional. No dia a dia “normal”, antes da pandemia, ninguém ficava se olhando no espelho a todo e qualquer momento. E essa relação com o espelho não é simples, nem objetiva”, explica. 

Segundo a especialista, no caso das mulheres, o agravante pode ser ainda maior. “Muitas professoras começaram a sentir necessidade de fazer botox e a procurar mais dermatologistas”, relata Gabriella. Ela também destaca que um recente estudo feito sobre “selfies” mostrou que a ansiedade de algumas pessoas aumenta quando elas não usam a intervenção do filtro disponibilizada nas redes sociais.   

Solução

Como, então, encontrar um ponto de equilíbrio, já que são inevitáveis as reuniões e encontros virtuais? A psicóloga goiana dá algumas pistas. “Se a pessoa não está segura com a própria imagem, é melhor que siga mesmo o caminho dos filtros. Mas é importante lembrar que você está no controle e pode escolher o modo como quer se apresentar”, enfatiza.

Para as lives e reuniões de trabalho, Gabriella enumera três dicas. A primeira está ligada ao conceito de “grooming”, asseio em português. “São comportamentos de higiene, que ampliam o senso de atratividade, como cabelo limpo e arrumado, unha cortada, atenção aos acessórios; ou, no caso dos homens, barba feita”.

O segundo conselho é preparar o local do encontro digital, deixá-lo organizado. “Isso mostra ao interlocutor que você valoriza e se preocupou com aquele momento”. Por fim, é preciso estar atento ao chamado “dress code”, estendido agora ao ambiente virtual. “Nada mais é do que se vestir de acordo com a ocasião; formal para reuniões de trabalho; casual para o bate-papo com familiares e amigos”, sintetiza Gabriella.

Ainda assim, se o desconforto e a insegurança persistirem, a psicóloga aconselha a busca por profissionais habilitados que podem auxiliar o indivíduo a trilhar o caminho do autoconhecimento. “A demanda pode ter sido evidenciada em razão da nova era tecnológica, do aumento da exposição virtual, mas, uma vez conquistada e compreendida, ela migará, também como solução, para as relações off-line”.

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