Pular para o conteúdo principal

Patricia Finotti

O primeiro programa de comissionamento artístico criado pela Curadora de Pesquisa e Ação Transdisciplinar Coleção Ivani e Jorge Yunes, Horrana de Kássia Santoz, traz discussões sobre os vestígios da modernidade na produção artística contemporânea

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, lança “Atos modernos”, a primeira atividade resultante da parceria estabelecida com a Coleção Ivani e Jorge Yunes que em 2020 escolheu a curadora Horrana de Kássia Santoz para pensar e desenvolver um programa transdisciplinar envolvendo as duas instituições. Neste modelo pouco usado no Brasil, as despesas e encargos trabalhistas da curadora da Pinacoteca são pagas pela instituição privada.

O programa “Atos modernos” reunirá 5 artistas e pesquisadores de diferentes geografias e linguagens que compartilharão seus portfólios e processos criativos, articulando possíveis indícios da modernidade no imaginário institucional e artístico contemporâneo. Ao refletir sobre o contexto colonial e pós-colonial, estruturantes da história do Brasil, é possível afirmar que modernidade não existe sem colonialidade? Como tal questionamento nos encontra, confronta e afeta?

O grupo de artistas é formado por Castiel Vitorino Brasileiro, Mitsy Queiroz, Luciara dos Santos Ribeiro, Olinda Tupinambá e Charlene Bicalho, que de certa forma encontram-se com pesquisas sobre memórias e acervos, temporalidades e ancestralidade. Assim como princípio, o programa retoma o conceito de Sankofa, palavra de origem africana do povo de Acrã, em Gana, que significa regressar as raízes. Como filosofia, Sankofa nos convida a conhecer o passado para compreender o presente e avançar à passos firmes ao futuro.

Com duração de um ano, a partir de junho de 2021, o programa comissionará trabalhos inéditos, onde cada artista terá espaço na programação pública da Pinacoteca para realização de projetos presenciais ou transmitidos nas plataformas digitais da Pinacoteca. Ao final desse processo, uma publicação reunirá fotos, ensaios, pequenos artigos desenvolvidos durante a programa e os registros dos trabalhos comissionados. ​

“Enquanto parte da função social dos museus é estimular a criatividade e propagar o conhecimento de todas os saberes e para todos os públicos, um programa de comissionamento torna-se de suma importância para que estes recursos sejam acessados por pessoas e grupos racializados, corpes dissidentes que ainda hoje seguem apartados da história oficial do Brasil” diz Horrana de Kássia Santoz.

Todas as atividades acontecerão entre junho de 2021 a janeiro de 2022 e o resultado destas atividades serão apresentadas a partir de fevereiro de 2022 até junho de 2022, dentro da programação da Pinacoteca.

“A Pinacoteca conta com uma grande experiência em convidar artistas a desenvolver obras especificamente para os espaços do museu. Nesta parceria única com a Coleção Ivani e Jorge Yunes, ampliamos esta prática de comissionamento para novos campos da produção e pesquisa artística contemporânea. Estamos muito felizes em iniciar diálogos críticos e inspiradores com as artistas participantes do programa, visando a novas produções” diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca de São Paulo.

Beatriz Yunes, diretora da Coleção Ivani e Jorge Yunes, celebra o lançamento de Atos Modernos: “Para nós, é uma alegria ver este projeto de comissionamento iniciado! A Coleção é parceira da Pinacoteca há anos e está muito feliz de ver esta colaboração inédita no Brasil apresentar seus primeiros frutos”.

Coleção Ivani e Jorge Yunes

Iniciada em meados da década de 1970 pelo casal Ivani e Jorge Yunes a coleção foi sendo constituída a partir do olhar apaixonado do casal por arte, beleza e cultura.

Reunido um conjunto excepcional de pinturas, esculturas, prataria, arte sacra, documentos históricos, artefatos etno-históricos e coleções de curiosidades, a coleção Ivani e Jorge Yunes guarda preciosidades da história da arte brasileira do século XVIII até os modernos, artistas internacionais e ícones da história da arte universal.

Desde 2018, Beatriz Yunes, diretora da Coleção Ivani e Jorge Yunes, e Camila Yunes, diretora da Kura Arte, estão à frente da Coleção e coordenam um trabalho museológico minucioso, destacando recortes históricos e artísticos, afirmando assim seu caráter público.

Neste curto espaço de tempo, a coleção estabeleceu um trabalho integrado de sistematização, com especialistas de diversas áreas, que implementaram procedimentos de documentação, catalogação e higienização. Atualmente a coleção tem sido mostrada em diversos museus no Brasil e no mundo por meio de empréstimos, comodatos e doações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.