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Para profissionais da saúde, o mês de conscientização sobre o câncer pulmonar é oportunidade para refletir sobre todos os malefícios da cultura tabagista
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte por câncer no Brasil. Estima-se que, em 2022, tenham ocorrido cerca de 30.200 novos casos. Para cada ano do triênio 2023/2025, a expectativa é que sejam diagnosticados no País 32.560 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão. Neste mês, que é sinônimo de conscientização e prevenção do câncer de pulmão, a campanha Agosto Branco ganha força, trazendo à tona a importância de informar a população sobre os riscos associados ao tabagismo e à exposição a agentes carcinogênicos, enquanto enfatiza a necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado.
O fator de risco mais conhecido e evitável é o tabagismo. As substâncias tóxicas presentes na fumaça do tabaco causam danos irreparáveis às células dos pulmões. De acordo com a enfermeira oncologista Bárbara Hirakawa, abandonar o hábito de fumar é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de desenvolver essa doença letal. “A conscientização sobre a importância do Agosto Branco tem crescido nos últimos anos, com diversas campanhas educacionais e de sensibilização sendo promovidas em todo o país. O objetivo é alertar não apenas os fumantes, mas também a população em geral, sobre os riscos do câncer de pulmão e incentivar a adoção de hábitos saudáveis”, pontua.
Para Bárbara, também é crucial investir em políticas públicas que visem a redução do tabagismo e a melhoria da qualidade do ar. “Campanhas de conscientização podem contribuir para uma mudança cultural em relação ao tabaco e à poluição ambiental, por exemplo, são muito eficientes. A união de esforços entre governos, instituições de saúde, organizações não governamentais e a sociedade como um todo é essencial para combater essa doença devastadora e salvar vidas. Afinal, a conscientização é o primeiro passo em direção a um futuro mais saudável e livre do câncer de pulmão”, destaca.
Além dos prejuízos já mencionados, o cigarro é um dos principais fatores de risco para câncer e outras doenças graves, considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o planeta. “Dados da OMS apontam que cerca de 80% dos mais de um bilhão de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda onde o peso das doenças e mortes relacionadas ao tabaco é maior. Os números apresentam uma situação muito grave e é preciso conscientizar a população de que tabagismo é doença, que causa milhares de mortes, mas que tem tratamento. Nunca é tarde para parar de fumar”, alerta a enfermeira oncologista.
Saúde bucal
A epidemia de tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública do mundo, sendo responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano, segundo informações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Nesse contexto, o Brasil possui uma das maiores porcentagens de fumantes que consomem mais de 11 cigarros por dia, totalizando 39%, conforme divulgado pela Agência Brasil. Diante desse cenário, a odontóloga especialista em Endodontia Microscópica Márcia Luz ressalta também como o uso da substância agrava problemas de saúde bucal.
Márcia Luz enumera que as principais doenças relacionadas à saúde bucal ocasionadas pelo uso do tabaco são o câncer de boca, doença periodontal, sangramento de gengiva, halitose, manchas nos dentes, na língua e na mucosa. “A alta temperatura do cigarro favorece a proliferação das bactérias, em especial das que provocam doenças na gengiva, como a gengivite e a periodontite. Além disso, as alterações causadas na cavidade bucal pela exposição prolongada a substâncias químicas presentes no cigarro podem levar a uma mutação gradual de células sadias da boca, podendo levar ao câncer bucal”, esclarece. Vale lembrar também que o alcatrão, presente no cigarro e na fumaça, mancha os dentes e causa mau hálito.
Outra situação preocupante envolve os procedimentos cirúrgicos que são os mais invasivos. Novamente, a elevação da temperatura bucal entra em questão, porque após a realização de cirurgias – sejam elas periodontais, implantes, extrações de dentes, dentre outros – o uso do cigarro não é recomendável por prejudicar a cicatrização. “Com o aumento da temperatura, ocorre uma vasodilatação que deixa a cavidade oral mais propensa à hemorragia e uma dificuldade na cicatrização. Então, todo e qualquer procedimento odontológico tem o seu prognóstico, ou seja, a chance de dar certo, diminuída, em pacientes fumantes”, enfatiza.
Sobre Bárbara Hirakawa
Enfermeira oncologista com 10 anos de atuação, Bárbara Hirakawa é acupunturista especialista em práticas integrativas em oncologia e coordenadora de enfermagem do ambulatório de quimioterapia do hospital que é referência em tratamento oncológico no Centro-Oeste, o Hemolabor.
Sobre Márcia Luz
Especialista em Endodontia Microscópica, Márcia Luz está frente da Clínica Luz Odontologia Integrada, um centro de especialidades odontológicas e de saúde bucal, que propõe um apoio integral do paciente para promover o seu bem-estar completo, com atendimento odontológico integrado a outras áreas saúde, entre elas o acompanhamento médico, nutricional e psicológico.