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Patricia Finotti

(crédito: divulgação da organização da exposição / fotografia Flávia Honorato)

Rafael Gofer

 

Entre fotografias e performance. Corpo, som e memória constroem uma experiência ancestral na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.

Hoje (18) às 19h, a ancestralidade afroameríndia ganha forma, corpo e imagem em “Caboclada: Encruzilhada Afroameríndia” primeira exposição do Núcleo Coletivo 22, na sala Antônio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina, no centro da capital goiana.

Para os visitantes da abertura, a companhia artística fará uma performance ao vivo interagindo com o espaço, com o tempo, e com as obras da exposição. Um convite para partilhar de uma experiência artística e sensorial , investigando as poéticas caboclas a partir das relações entre corpo, imagem, território e ancestralidade.

A mostra que segue até o dia 30 de Janeiro é um sonho antigo do Núcleo Coletivo 22 e fruto de pesquisas que atravessam a história do grupo há pelo menos oito anos. E encerra o projeto “Casa de Taipa: Morada de Dança e Poética Afroameríndia”, contemplado pelo Edital de Fomento à Manutenção Continuada de Grupos e Companhias Artísticas nº 16/2024 da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), operacionalizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás).

A exposição conta com ambientação sonora produzida pela companhia, instalações interativas, táteis e têxteis com a temática do caboclo. A expografia, criada pela artista visual e professora Cássia Oliveira (Jurupiá), constrói um percurso que convida o público a caminhar pela exposição entre os elementos que conversam em silêncio e as forças ancestrais, que a atravessam. As imagens são assinadas pela fotógrafa e artista do coletivo Flávia Honorato, que conduz o público a um campo de presença e escuta por meio da fotoperformance, onde corpo, som e memória vibram em diálogo. A curadoria é compartilhada pelo Núcleo Coletivo 22, pesquisadores , encantados e pessoas que fazem parte da trajetória do grupo.

“Caboclada: Encruzilhada Afroameríndia” é também, um compromisso da companhia com a acessibilidade,  com ênfase na acessibilidade comunicacional e atitudinal, incorporando a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) na comunicação e na divulgação. Além de Audiodescrição de todas as obras — que poderá ser acessada através de Qr Codes —, texto de apresentação em Braille e artistas- monitores que estarão disponíveis para atender pessoas com necessidades específicas em datas específicas. 

Em uma proposta multissensorial, a exposição também traz elementos sonoros, aromas e obras táteis que são como guias poéticos acessíveis e que servem, não somente às pessoas com deficiência, mas à todas/todos/todes que queiram aprofundar os sentidos contidos em cada foto e instalação. 

É um convite ao público para adentrar um território de fricções, negociações e recriações entre cosmopercepções africanas e indígenas, afirmando a potência de saberes híbridos, plurais e em constante movimento. Onde a palavra caboclo, marcada historicamente por sentidos ambíguos — ora como afirmação de identidades indígenas e afro-indígenas, ora atravessada por estigmas herdados do período colonial — é o fio condutor da exposição.

NÚCLEO COLETIVO 22

O Núcleo Coletivo 22 é o encontro de artistas, pesquisadores e pesquisadoras que através da dança, do teatro e da música, a mais de 20 anos materializam nos palcos e nas ruas suas inquietações e desejos em forma de arte. Estudando e vivenciando as performances tradicionais, as poéticas populares e afro-ameríndias, e compondo trabalhos artísticos a partir da construção de dramaturgias do corpo. O grupo que atualmente tem sua sede em Goiânia e surgiu na UNICAMP atua com projetos envolvendo arte-educação, produção e realização de performances e espetáculos.

FLÁVIA HONORATO

É doutoranda em Artes, Ciência e Tecnologia, mestra em Performances Culturais e licenciada em Artes Cênicas pela UFG. Atua como fotógrafa, atriz, professora, capoeirista e contadora de histórias. Sua pesquisa transita entre corpo, som e imagem, com foco na criação de narrativas sensíveis e experimentações estéticas. É integrante do Núcleo Coletivo 22 desde o final de 2013.

CÁSSIA OLIVEIRA (JURUPIÁ) 

É professora da Universidade Federal de Goiás, no curso de Biblioteconomia, onde atua no ensino, pesquisa e extensão, investigando os diálogos entre informação, leitura e cultura. Constrói sua trajetória na confluência entre biblioteconomia, artes visuais e comunicação. É especializada em Cinema e Educação, com mestrado em Arte e Cultura Visual e doutorado em Comunicação. Atua em iniciativas que valorizam a cultura popular e a promoção do livro e da leitura.

 SERVIÇO

Exposição: Caboclada: Encruzilhada Afroameríndia
Abertura: Quinta-feira (18/12) –  às 19h | com performance do Núcleo Coletivo 22

Local: Sala Antônio Poteiro – Vila Cultural Cora Coralina – Goiânia (GO)

Período: Até 30 de janeiro de 2026

Fomento: Secult-GO / Política Nacional Aldir Blanc

Entrada gratuita

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