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Patricia Finotti

(crédito: divulgação Roch Produções )
Mari Magalhães

Longa-metragem documental dirigido por Patrícia Alves chega ao Cine Cultura no dia 20 de agosto

Mais de 50% dos lares brasileiros tem uma mulher como referência financeira (Dados FGV IBRE / 2024). E por que o trabalho, o cuidado, os sacrifícios financeiros e as responsabilidades assumidas por tantas mulheres dentro de casa dificilmente são respeitadas como contribuição econômica?

Essas são algumas das perguntas que movem “Dividindo as Contas”, longa-metragem documental dirigido por Patrícia Alves, com produção da Roch Produções, de Rochelle Silva, e apoio da Pequi Roxo Produções e da É Nóis Ki Tá Produções. O filme terá sua sessão de lançamento no dia 20 de agosto, às 20h, no Cine Cultura, em Goiânia. A sessão é gratuita e está sujeita à lotação da sala.

Idealizado em 2021, o filme nasceu de uma realidade observada pela diretora, sobre mulheres que abriram mão de bens para evitar conflitos, assumiram empréstimos em seus próprios nomes para ajudar os companheiros, sustentaram a casa com trabalhos informais e acumularam responsabilidades domésticas e de cuidado.

“Dividindo as Contas” acompanha relatos de mulheres que vivenciaram situações relacionadas à dependência econômica, controle financeiro, renúncia de bens, dívidas e outras formas de desigualdade dentro das relações. A discussão é ampliada pela participação de duas especialistas: a pesquisadora e ativista Janira Sodré, que contribui para a compreensão histórica e social das relações de gênero; e Renata Botelho, doutora em Psicologia, que participa da obra trazendo sua experiência na discussão sobre relações abusivas e estelionato sentimental.

O documentário também incorpora uma dimensão poética. Sara e Ester Linhares são responsáveis pela criação e realização de poemas que integram a narrativa, estabelecendo uma relação entre palavra, memória, experiência e reflexão sobre as relações econômicas e afetivas.

Este filme é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo do Governo Federal operacionalizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. 

DADOS

A realidade retratada pelo filme encontra respaldo em dados recentes. Levantamento da pesquisadora Janaína Feijó, do FGV IBRE, aponta que, no final de 2024, 51,7% dos lares brasileiros tinham uma mulher como referência financeira, o equivalente a 41,3 milhões de mulheres. Apesar disso, essas mulheres recebiam, em média, menos que os homens na mesma posição. O estudo também aponta fortes desigualdades de raça, escolaridade e inserção no mercado de trabalho.

O trabalho que sustenta essas famílias, porém, não se resume à renda obtida fora de casa. Segundo o IBGE, em 2022 as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas. A diferença se torna ainda mais expressiva quando observadas as desigualdades entre grupos de mulheres e faixas de renda.

É nesse espaço entre dinheiro, trabalho e reconhecimento que “Dividindo as Contas” constrói sua principal provocação. A proposta do filme é questionar os critérios usados para definir o que conta como trabalho, contribuição e interesse dentro de uma relação.

SERVIÇO

Lançamento do longa-metragem documental “Dividindo as Contas”

Data: 20 de agosto de 2026
Horário: 20h
Local: Cine Cultura
Endereço: Centro Cultural Marieta Telles Machado — Praça Cívica, nº 2, Centro, Goiânia – GO
Lotação: sujeita à capacidade da sala.

Valores: Gratuito

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