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Patricia Finotti

(crédito: imagem por inteligência artificial)

Patricia Finotti

“E aí? Tudo certo?” – perguntou Will, quando cheguei naquela tarde de 1995, na redação do jornal. Éramos amigos de faculdade, e estávamos no 1º ano do curso de jornalismo.

“Me ajuda a escolher uma foto para ilustrar uma matéria que estou escrevendo sobre as meninas que representam o futebol brasileiro.” – me pediu entregando algumas imagens com adolescentes que estavam se destacando no futebol.

Vejo várias fotografias de meninas lindas, demonstrando com muito orgulho e seriedade a paixão pelo esporte extremamente masculino. Nesta época havia um enorme preconceito em relação a mulheres atuando em campo, embora não houvesse mais a proibição pela lei de 1979, sobre a prática do futebol feminino no Brasil.

Sob minhas mãos, imagens de lances rumo ao gol. E até mesmo a de uma atleta, que anos depois foi considerada a Rainha das Embaixadinhas, a ex-jogadora de futebol, comentarista e embaixadora do futebol feminino, Milene Domingues, que começou jogando na rua com os irmãos e se tornou um ícone do esporte. Ela quebrou barreiras ao liderar a primeira equipe feminina do Corinthians e alcançou o recorde mundial de embaixadinhas.

Mas, entre tantas fotografias, uma me chamou bastante a atenção, e me encanta até hoje. Era a de uma pirâmide humana, formada por um grupo de meninas, vestindo roupas vermelhas com dourado. A garota que estava no topo, tinha uma postura imponente, que lembrava o poder e a segurança da Mulher Maravilha.

À época eu era uma simples estudante de jornalismo, que ainda não tinha certeza em que gostaria de trabalhar. Eram muitas inseguranças e dúvidas. Da mesma forma, um momento de muitas descobertas e rebeldias. Enfim, de alguma coisa tinha a certeza, que queria ser alguém que sempre estava promovendo melhores oportunidades para todas a minha volta. E sempre que me sentia incapaz, desanimada, era aquela fotografia da menina do topo da pirâmide humana que promovia a vontade de continuar a minha caminhada rumo aos meus objetivos.

Anos se passaram, sai do jornalismo. Estive em sala de aula, me fiz dona de escola. Casei, e com dois bebês, o jornalismo me chamou de volta. Uma paixão por retratar a luta diária de mulheres em ampliar seus espaços de protagonismo, me fizeram editora de uma importante revista voltada para o público feminino.

Nesta, recebi a pauta para falar sobre uma importante juíza, em que a atuação ultrapassa as paredes do judiciário. Ela sempre está a frente de situações que buscam valorizar o papel de todas as mulheres na construção de uma sociedade realmente efetiva a todos. Na verdade, suas ações buscam criar realidades transformadoras que promovem o melhor para todos na sociedade.

Chego a seu escritório. Discreto, mas, acolhedoramente elegante evidenciando a cultura mineira. Enquanto a aguardo, ela está numa reunião de última hora, observo seus livros, suas condecorações… Uma bancada lateral acomoda diversos porta-retratos com imagens de eminentes personagens da conjuntura brasileira, algumas de viagens em família… Mas, uma bastante especial em posição de destaque no móvel. Uma surpresa inigualavelmente agradável: Uma menina vestindo roupas vermelhas com dourado, ocupa seu espaço de Direito.

Ouço a porta se abrindo, e uma voz doce: – “Boa tarde. Seja bem vinda!”. Me viro, e a minha frente: a menina que sempre deu suporte em meus momentos mais difíceis, sorri.

(Baseado em diversas histórias reais em meio a ficção)

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