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Patricia Finotti

Lumieira Comunicação

Circulação do espetáculo infantil “Flores de Frida” e da oficina “Pequeno Drama” integra projeto de manutenção que prevê quatro anos de atuação artística, formação e fortalecimento dos vínculos com a comunidade

Teatro, imaginação e criação coletiva chegam a escolas públicas de Aparecida de Goiânia nos dias 1º e 8 de outubro, com a circulação do espetáculo infantil “Flores de Frida” e da oficina “Pequeno Drama”, realizados pelo Instituto Justina. No dia 1º de outubro, quinta-feira, às 14h, as atividades serão realizadas no Colégio Raimundo Coelho. Já no dia 8 de outubro, quinta-feira, o Colégio Vinovita recebe duas sessões, das 8h às 10h e das 15h às 17h. As ações fazem parte do projeto “Instituto Justina: Território de Criação Comunitária”, contemplado pelo Edital de Manutenção Continuada de Grupos/Cias de Arte nº 02/2026, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult Goiás). 

A programação coloca em prática um dos principais eixos do projeto: aproximar a produção artística do Instituto Justina da comunidade do território onde o grupo está inserido. Ao unir espetáculo e atividade formativa, a proposta busca ampliar o acesso à cultura e, ao mesmo tempo, convidar crianças a experimentarem processos de criação, expressão e construção de narrativas.

Cultura como trabalho e presença no território

Com duração prevista de quatro anos, entre 2026 e 2030, o projeto “Território de Criação Comunitária” estrutura uma atuação continuada do Instituto Justina, reunindo circulação artística, formação e profissionalização da equipe, mediação cultural, ampliação de público e estratégias de sustentabilidade financeira. Ao todo, estão previstas 92 atividades, além de ações de circulação por três regiões brasileiras e quatro países.

Para o coordenador do projeto, Pablo Lopes, essa continuidade é um dos pontos fundamentais da iniciativa: “O projeto de manutenção Território de Criação Comunitária é muito importante porque permite que o Instituto Justina tenha condições de manter uma equipe de criação com rotina de trabalho e previsibilidade financeira para atuar de forma continuada junto à comunidade local e criar estratégias de sustentabilidade ao longo dos quatro anos do projeto”, afirma.

Segundo Pablo, a própria compreensão da cultura como trabalho pressupõe condições para que a atividade artística possa ser desenvolvida de forma permanente: “Para nós, cultura é trabalho. Por ser assim, existe um labor cotidiano de criação, pesquisa, formação, produção, gestão e relação com a comunidade que só acontece se existir rotina”, destaca.

O coordenador ressalta ainda que o projeto possibilita consolidar uma trajetória construída ao longo dos anos e oferecer condições mais estáveis para que artistas e profissionais da cultura desenvolvam suas investigações. Para a comunidade, acrescenta, a permanência de um equipamento cultural no território significa manter um espaço de encontro, formação, criação e acesso à cultura, ao mesmo tempo em que gera trabalho e movimenta a economia cultural.

Arte feita a partir de Aparecida de Goiânia

Sediado em Aparecida de Goiânia, o Instituto Justina — Associação Comunitária Maria Justina da Glória — desenvolve atividades de formação, pesquisa, criação, intercâmbio e circulação artística. A instituição realiza ações desde 2015 e sua atuação já alcançou diferentes países e continentes, tendo se tornado Ponto de Cultura em 2019.

O nome Justina carrega também uma memória familiar e ancestral: Justina foi a matriarca da primeira geração da família da Diretora Pedagógica e Artística Takaiuna do Instituto. Nascida após 1888, ela foi avó de Brazimar Rodrigues e bisavó de Takaiuna. A referência deu nome ao coletivo de arte comunitária e ancestral.

O trabalho do grupo transita por criação, formação e difusão artística a partir de memórias coletivas e práticas comunitárias. Uma de suas experiências é a metodologia Dramaturgias Emergentes, criada por Takaiuna e voltada à escrita e à criação teatral. Uma atividade reconhecida como tecnologia social. O Instituto também mantém articulações com artistas e grupos de diferentes países, principalmente da América Latina e do continente africano, desenvolvendo espetáculos, oficinas, intercâmbios, ações formativas e projetos de circulação.

Uma amiga imaginária de Frida Kahlo

É desse trabalho continuado que faz parte “Flores de Frida”, espetáculo infantil que toma como inspiração o universo da pintora mexicana Frida Kahlo para construir uma história sobre infância, imaginação, sentimentos e criação artística.

A protagonista é Flora, uma menina que ama pintar em seu jardim e se prepara para realizar a primeira exposição de seus quadros ao lado das amigas Girassol, Margarida, Lírio e Rosa. Os planos, porém, encontram um obstáculo inesperado quando o Medo pula o muro da Casa Azul e parece decidir ficar por ali.

Diante desse sentimento, Flora encontra dificuldades para terminar o último quadro de sua exposição. A partir desse conflito, o espetáculo aproxima o público infantil de questões como tristeza, criatividade e expressão dos sentimentos, utilizando a arte como caminho para a construção da narrativa.

A montagem traz em cena Layla Alves, Maysa Santos, Monike Santos, Pâmela Caixeta, Sarah Vieira e Gyovanna Oliveira. A dramaturgia e a direção são de Takaiúna, com ilustrações de Jéssica Wuiner, figurinos e elementos de cena de Brazimar Rodrigues e produção de Pablo Lopes.

Crianças também criam suas histórias

A experiência continua com a oficina “Pequeno Drama”, que convida as crianças a deixarem a posição de espectadoras para experimentar a criação de suas próprias histórias.

A atividade parte da apreciação do livro-cenário “Dr. Raimundo” e propõe diálogos entre personagens, criação de novos enredos e narrativas, diálogos cantados, jogos e brincadeiras populares. A proposta é aproximar as crianças da estrutura de textos dramatúrgicos e estimular a construção de histórias por meio da composição de personagens, cenários e situações.

Outro objetivo é criar um ambiente no qual as crianças possam perceber a importância de expressar aquilo que sentem — fazendo da palavra, da imaginação e do brincar ferramentas de criação.

Para o Instituto Justina, levar essas atividades às escolas também está relacionado a uma questão maior: a democratização do direito de produzir e acessar cultura nos territórios periféricos.

“Entendemos a manutenção continuada como um investimento no direito à cultura e na capacidade da própria comunidade de produzir suas estéticas e memórias. É garantir que esse trabalho tenha tempo para acontecer, criar vínculos e deixar resultados que permaneçam no território”, afirma Pablo Lopes.

SERVIÇO

Espetáculo “Flores de Frida” + oficina “Pequeno Drama”

1º de outubro – quinta-feira
Horário: 14h
Local: Colégio Raimundo Coelho
Aparecida de Goiânia (GO)

8 de outubro – quinta-feira
Horários: das 8h às 10h e das 15h às 17h
Local: Colégio Vinovita
Aparecida de Goiânia (GO)

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