Zaia Angelo inaugura nova fase de sua carreira artística com a grata surpresa de ambientar o camarim da Linn da Quebrada durante o Festival Vaca Amarela
Por meio de vinis antigos, os hits do álbum “Trava Línguas” da cantora Linn da Quebrada vão ganhar vida nos desenhos da artista plástica e escritora, Zaia Angelo. É a celebração de 13 anos de carreira, que ocorre durante o Festival Vaca Amarela. A 21ª edição do festival começa nesta quinta-feira (15) e segue até sábado (17), no Centro Cultural Oscar Niemeyer de Goiânia.
A parceria da artista plástica com o Vaca Amarela acontece desde 2019. “Fui convidada para fazer a vaquinha (mascote do festival) e desde lá eu e o festival andamos juntos”. Zaia Angelo diz que é sempre muito prazeroso participar do festival. “É tão bom ver que Goiânia não se resume apenas ao sertanejo e podemos ter sim festivais de música alternativa, rock, pop e voltadas para o público LGBTQIA +”, completa.
Nesse início no Vaca Amarela, a artista assinava como Hector Angelo. Após ter criado a marca do festival em 2019, nos anos seguintes ambientou camarins de artistas como Gloria Grovie e Karol Conká. Na última edição do festival durante as apresentações, Zaia Angelo fazia pinturas ao vivo. Para esse ano, o desafio é bem maior para a artista plástica recém-assumida como trans. Afinal, vai retratar músicas de uma das artistas de maior referência quanto à representatividade, força e coragem.
Segundo Zaia Angelo há um simbolismo muito grande por trás desse ato de uma trans artista plástica e escritora retratar uma trans cantora e atriz. “Somos múltiplas! E, que esse ato não morra em mim e muito menos na Linn da Quebrada”, contextualiza.
“É um peso e uma responsabilidade muito grande. Só que ao mesmo tempo é tão bom ver através das letras das músicas o quão múltiplas somos. É importante ressaltar que as pessoas trans são marginalizadas e poucas são as oportunidades de emprego que temos”, explica Zaia Angelo.
Sobre Zaia Angelo
A obra da escritora e artista plástica, Zaia Angelo, é reconhecida no Brasil e no exterior. Aos 15 anos foi convidada para expor “Eu sou o gay que sofre com a homofobia”, da Coletânea “Eu sou a Dor, na 10ª Art Shopping Paris – Carrousel do Louvre – 2017” – durante a Semana de Arte Contemporânea de Paris.
Em 2018, ainda como Hector Angelo teve o seu nome incluído pelos curadores italianos Salvatore Russo e Francesco Saviero, no ranking dos 50 artistas plásticos mais influentes do mundo. Essa lista foi publicada pelo guia The Best Modern and Contemporary Artists.
A história de Zaia no universo das artes começou aos dois anos, quando demonstrou interesse pelos desenhos. Aos sete, recém-alfabetizada publicou o primeiro livro “A Girafa que foi ao Espaço”. Desde então, dedica-se à literatura e às artes plásticas.
Na literatura, quando tinha 10 anos, ganhou o Concurso Internacional para autores infanto-juvenis em língua portuguesa: “Atrevida” com o 3º livro “A transformação de Joca”. O concurso foi promovido pela Associação Sociocultural La Atrevida, entidade apoiada pela Universidade de Lisboa. Em 2017, o seu 5º livro “Depois do Final Feliz” foi premiado nas categorias melhor ilustração e melhor projeto gráfico, com o Prêmio Literatura Brasileira, promovido pela ZL Editora.
A artista é muito ligada às questões sociais: em todas as suas obras aborda a diversidade, inclusão e combate a qualquer forma de discriminação e preconceito. Conseguiu levar a arte protesto para o Museu do Louvre e suas ilustrações em homenagem as divas drags e transexuais estamparam a coleção da estilista Mileide Lopes, que foi a primeira marca goiana a ser selecionada pela curadoria da São Paulo Fashion Week a expor na loja conceito do evento.
