
Diogo Locci
Atividade gratuita no dia 25 de abril convida o público a aprofundar a leitura sobre cidade, arquitetura e modos de habitar na mostra em cartaz
A CAIXA Cultural São Paulo promove, no dia 25 de abril (sábado), às 11h, uma visita mediada à exposição Leonardo Finotti – São Paulo, Multiplicidade, conduzida pelo curador Agnaldo Farias. A atividade integra a programação da mostra, em cartaz até 26 de abril, e propõe ao público um aprofundamento nas questões que atravessam o trabalho do fotógrafo e arquiteto Leonardo Finotti, como cidade, arquitetura e modos de habitar.
A exposição reúne fotografias de dez séries realizadas por Finotti ao longo de sua trajetória, com foco na cidade de São Paulo: são paulo vertical, habitar mendes da rocha, marketscapes, necropoli[s]tics, pelada, re:favela, latinitudes, diálogos tropicais, verAcidade e brutiful. Em comum, os trabalhos revelam o olhar atento do artista para a arquitetura, o espaço urbano e as relações entre cidade, memória e uso social. Para tanto, o artista pensa as imagens e seus suportes, a dimensão material que elas devem assumir (papel, tecido, metal etc.) e a maneira de expô-las, neste caso, em colaboração com Michelle Jean de Castro.
“Existe hoje a ilusão de que as imagens são superficiais e efêmeras, quando, na verdade, elas têm peso, têm matéria, marcam nosso cotidiano e podem nos marcar para sempre”, explica Agnaldo Farias. “A fotografia, no trabalho de Finotti, não apenas representa a realidade: ela cria fissuras, frestas, permitindo que o real apareça nos detalhes, nas brechas, no que normalmente passa despercebido.”
Nas fotografias da série são paulo vertical (2022), Finotti e Mayo Bucher propõem um recorte específico da maior metrópole da América Latina a partir de seu processo intenso de verticalização. Embora São Paulo esteja presente em diversas fases de sua produção, aqui o fotógrafo concentra-se na paisagem construída em altura, resultado de transformações urbanas que marcaram a cidade onde viveu por mais da metade dos últimos anos.
Já a série habitar mendes da rocha (2013) tem origem na exposição 10+10, apresentada na Áustria, República Checa e Eslováquia, e parte de um contraponto entre experiências residenciais na modernidade e na contemporaneidade. Neste novo recorte, Finotti volta seu olhar para o morar na arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, construindo uma visão mais intimista de espaços, em sua maioria, inacessíveis ao público.
As séries necropoli(s)tics e pelada ampliam esse campo de investigação ao tensionar temas como território, uso coletivo e estruturas urbanas, reforçando a abordagem autoral de Finotti, que transita entre o rigor documental e uma leitura crítica da arquitetura e da cidade. Na montagem para a CAIXA Cultural São Paulo, necropoli(s)tics ocupa o octógono através de uma instalação formada por um conjunto de fotos impressas em tecido.
Em marketscapes, o fotógrafo observa mercados populares e espaços de troca como estruturas fundamentais da vida urbana, onde arquitetura, economia informal e sociabilidade se entrelaçam. Já em re:favela, o foco recai sobre territórios marcados pela autoconstrução, evidenciando soluções espaciais criadas a partir da urgência, da adaptação e da experiência coletiva.
A série brutiful propõe uma revisão crítica do brutalismo, afastando-se de leituras puramente formais para evidenciar sua inserção na paisagem urbana contemporânea e seus usos cotidianos. Por sua vez, Latinitudes, uma das séries mais importantes da trajetória de Leonardo Finotti, amplia o recorte geográfico para além do Brasil, articulando um olhar sobre a arquitetura moderna e contemporânea na América Latina, mostrando afinidades, contrastes e tensões entre projetos urbanos, contextos sociais e históricos.
A série diálogos tropicais elabora um panorama da arquitetura contemporânea brasileira que foi exibido na África enquanto a série verAcidade, que revela São Paulo sob uma nova perspectiva – do alto, das ruas e de suas bordas -, será apresentada em formato de uma instalação composta pelas chapas offset utilizadas na impressão do livro São Paulo: do poente ao nascente.
Ao reunir diferentes momentos e séries de sua produção, Leonardo Finotti – São Paulo, Multiplicidade propõe ao público uma leitura abrangente e crítica sobre a cidade e seus modos de habitar, reafirmando a fotografia como ferramenta fundamental para pensar a arquitetura e o espaço urbano.
“Leonardo Finotti – São Paulo: Multiplicidade” é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização do Instituto URBE, idealização e produção da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.
Sobre Leonardo Finotti
Nascido em Uberlândia (MG), em 1977, Leonardo Finotti é formado em Arquitetura pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Seu interesse pela fotografia surgiu ainda durante a graduação, a partir de 1997. Ao longo dos anos, construiu uma trajetória internacional sólida, com passagens por Itália, Alemanha e Portugal, onde iniciou sua atuação na fotografia de arquitetura.
Finotti colaborou com importantes arquitetos brasileiros e internacionais, como Paulo Mendes da Rocha, Álvaro Siza, Oscar Niemeyer, Souto de Moura, Aires Mateus e Isay Weinfeld, entre outros. Seu trabalho já foi amplamente publicado em revistas e livros especializados e apresentado em exposições no Brasil e no exterior. Desde 2008, o artista está baseado em São Paulo, onde mantém seu estúdio e desenvolve projetos autorais e comissionados ligados à arquitetura moderna e contemporânea.
Sobre Agnaldo Farias
Sobre o Instituto URBE
O Instituto URBE é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve pesquisas, curadorias e projetos na interseção entre arte, arquitetura, espaço público e tecnologia. Buscamos transformar e integrar espaços por meio da arte e da cultura, ampliando imaginários e relações com a cidade. Seu intuito é promover experiências artísticas transformadoras e coletivas que ativem e revitalizem espaços públicos e privados, ampliem o acesso à cultura e estimulem novas formas de relação com a cidade. A mostra busca contribuir para uma sociedade mais inclusiva, sustentável e inspiradora, onde a arte atua como ferramenta de encontro, imaginação e participação social.
Sobre a Phi
A Phi é uma produtora cultural com sede em São Paulo dedicada à criação, curadoria, gestão e produção de projetos artísticos e culturais nas áreas de artes visuais, cinema, música, teatro, tecnologia e educação. Fundada em 2013 por Julia Borges Araña, atua com projetos autorais e sob encomenda para artistas, instituições e marcas, no Brasil e no exterior. A Phi desenvolve projetos completos, da concepção à realização, incluindo exposições, experiências imersivas, conteúdos criativos, editoriais e ações educativas. Com forte compromisso com sustentabilidade, justiça social e equidade, busca gerar experiências transformadoras que ampliem o acesso à cultura e fortaleçam o diálogo entre arte, sociedade e futuro. https://www.instagram.com/_
Exposição: Leonardo Finotti – São Paulo, Multiplicidade
Curadoria: Agnaldo Farias
Produção executiva: Cinnamon Comunica
Período: Até 26 de abril de 2026 – de terça a domingo
Galerias D. Pedro II (térreo) e Neuter Michelon (1º andar)
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP
Entrada: gratuita