Pamella Cardoso

No Dia de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita que acontece em 12 de junho, a cardiopediatra e ecocardiografista do CDI, Laura Tannus, alerta para a importância do acompanhamento médico durante a gestação

Uma alteração que se forma geralmente nos primeiros dois meses de gestação, e que se diagnosticado no início, pode evitar a morte do bebê: a cardiopatia congênita causa insuficiência circulatória e respiratória, comprometendo a qualidade de vida do paciente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 130 milhões de crianças no mundo tenham algum tipo de cardiopatia congênita. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são dez casos a cada mil nascidos vivos, estimando em 29 mil o número de crianças que nascem com cardiopatia congênita por ano e cerca de 6% delas morrem antes de completar um ano de vida.
“É importante que a gestante faça acompanhamento médico desde o início da gravidez. A cardiopatia congênita pode ser diagnosticada através do exame de ecocardiografia fetal, e em alguns casos pode ser corrigida com o bebê ainda dentro da barriga. O diagnóstico precoce possibilita o tratamento correto e no tempo necessário”, explica a médica cardiopediatra e ecocardiografista do Centro de Diagnóstico por Imagem – CDI, Laura Tannus.
O dia 12 de junho foi instituído como o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, que alerta para a importância do diagnóstico precoce para os portadores da doença, além de ser uma oportunidade para homenagear as famílias, os profissionais e demais pessoas que lutam pela vida e enfrentam as dificuldades dessas enfermidades.
“É uma data importante porque auxilia na conscientização da população sobre o assunto, e a importância do acompanhamento médico durante o pré-natal. A cardiopatia congênita na maior parte das vezes é diagnosticada tardiamente, mas o ideal é o diagnóstico precoce”, explica a dra. Laura.
Sobre a cardiopatia congênita
As cardiopatias congênitas são anomalias ocasionadas por defeitos anatômicos do coração ou dos grandes vasos associados, os quais produzem insuficiência circulatória e respiratória dentre outras consequências graves, podendo comprometer a qualidade de vida ou a própria vida do paciente.
Os sintomas mais comuns da cardiopatia congênita são falta de ar, cansaço, lábios azulados (cianose), dedos em forma de baqueta de tambor, modificações no formato do tórax, sudorese e cansaço entre as mamadas, no caso dos bebês. “Existem algumas formas para corrigir o problema, como a cirurgia com o bebê ainda dentro do útero, cirurgia imediatamente após o nascimento ou após alguns meses”, alerta a médica.
Entre os possíveis fatores de causas da doença estão algumas condições maternas, como diabetes mellitus, hipertensão, lúpus, infecções como a rubéola e a sífilis, uso de medicamentos e drogas e histórico familiar. Pais e mães portadores de cardiopatias congênitas apresentam uma chance duas vezes maior de gerar um bebê cardiopata. De acordo com a cardiopediatra Laura Tannus, a cardiopatia congênita pode ser suspeitada também após o nascimento, quando o bebê passa pelo Teste do Coraçãozinho.  Após essa suspeita, uma avaliação detalhada deve ser realizada pelo cardiopediatra a fim de um diagnóstico correto é preciso.
Diagnóstico
Durante a gestação alguns exames facilitam a detecção da doença. Os exames de ultrassom morfológico realizados nos primeiros e segundo trimestres gestacionais fazem o rastreamento da má formação no coração da criança. Quando há a suspeita de alguma anormalidade é realizado então um ecocardiograma do coração do feto, que permite avaliar e detectar detalhadamente anormalidades estruturais e da função cardíaca.
Considerada uma cardiopatia grave e fatal, a síndrome da hipoplasia do coração esquerdo ao ser detectada em tempo hábil, durante o ecocardiograma fetal, as chances de sobrevida da criança são de 80%, quando diagnosticadas precocemente.

Tratamento
O tratamento clínico é feito conforme o quadro que a criança apresenta. Algumas cardiopatias congênitas não necessitam de tratamento e podem apresentar cura espontânea, como costuma acontecer com o canal arterial persistente no bebê prematuro e a maioria das comunicações interventriculares.
Já as cardiopatias que evoluem de forma mais grave geralmente apresentam a opção de tratamento cirúrgico, algumas vezes realizado já no período neonatal, outras vezes no lactente ou criança maior, conforme a necessidade. Atualmente existe a opção do cateterismo cardíaco terapêutico, que pode realizar procedimentos paliativos e até mesmo curativos.