Instituto Federal de Goiás / Ana Paula Mota
O evento, que chega à sua sétima edição, acontece de 1º a 4 de outubro de 2025 no Instituto Federal de Goiás
Com o tema “Mulheres Negras do Centro-Oeste: por reparação e bem viver”, o Encontro de Culturas Negras do Instituto Federal de Goiás (IFG) chega à sua sétima edição reunindo cultura, arte, ciência e ativismo em torno da afirmação da identidade negra e das lutas contra as estruturas de exclusão. O evento será sediado no câmpus Uruaçu do Instituto Federal de Goiás, entre os dias 1º e 4 de outubro de 2025, com a abertura oficial marcada para o dia 2, às 19h. Toda a programação é gratuita e aberta ao público em geral.
Este Encontro assume uma dimensão tanto simbólica quanto efetiva. Mais do que um ponto de encontro acadêmico, ele se coloca como uma instância de visibilidade, resistência e construção política. Conforme ressalta a reitora do IFG, Profa. Oneida Cristina Irigon, “celebrar as culturas negras é celebrar a própria essência da identidade brasileira, é dar visibilidade a histórias que foram sistematicamente marginalizadas”. Para ela, o evento ultrapassa o caráter festivo — é também um ato pedagógico e político. E gestora complementa: “Esse Encontro é a materialização de um compromisso fundamental do Instituto Federal de Goiás: o de ser uma instituição plural, inclusiva e ativamente antirracista.”
Tema central e horizonte ético-político
O conceito de bem viver, que atravessa o tema deste ano, dialoga com saberes originários e africanos ao propor uma lógica que valoriza o equilíbrio coletivo, a diversidade, o respeito ao meio ambiente e o protagonismo das relações solidárias. Dentro desse horizonte, o encontro também se conecta com os preparativos para a Marcha das Mulheres Negras, prevista para 25 de novembro, tendo o IFG como parceiro institucional.
Para Andreia Prado, coordenadora da comissão organizadora e diretora-geral do Câmpus Uruaçu, “o Encontro funcionará como um momento de preparação e fortalecimento da comunidade para participar da Marcha”. E de fato, o evento se inscreve como uma articulação entre academia, cultura e movimentos sociais.
Múltiplos eventos, diálogo e interlocuções regionais
Na edição 2025, o ECN será realizado em paralelo com três eventos estruturantes:
XI Seminário de Educação para as Relações Étnico-Raciais, promovido localmente pelo Câmpus Uruaçu junto ao ECN;
VII Congresso Brasileiro de Pesquisadoras(es) Negras(os) da Região Centro-Oeste (COPENE-CO), organizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negras(as);
I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Centro-Oeste, fruto de parceria entre o IFG e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC).
A expectativa da organização é reunir cerca de 1.000 pessoas de todo o Centro-Oeste, com participação de representantes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, ampliando o intercâmbio de saberes, políticas e experiências no âmbito racial e educacional.
Os eixos temáticos do COPENE-CO, por exemplo, abarcarão: ciências e tecnologias negrorreferenciadas; enegrecer o feminismo e educação antirracista; estudos africanos e da diáspora; educação étnico-racial; infâncias negras e práticas pedagógicas; oralituras, racismo e antirracismo; saúde da população negra; políticas afirmativas e bancas de heteroidentificação no Centro-Oeste.
Mulheres, espiritualidade e protagonismo negro
Um dos momentos centrais será a Mesa de Mulheres Quilombolas, mediada por Lucilene Kalunga, idealizadora do Projeto Quilombos Sustentáveis em Rede em parceria com o IFG. Lideranças negras e parceiras de longa data participarão dos debates ao longo de todo o encontro.
A liberdade religiosa, tema estratégico no campo dos direitos e da cultura, será pauta de uma mesa com destaque para a participação da Ouvidoria Nacional do Ministério dos Direitos Humanos, representada por Denise Antônia de Paulo, e da Secadi/MEC, com a presença de Clélia Mara dos Santos, diretora de Políticas de Educação Étnico-Racial e Educação Escolar Quilombola.
Esses espaços reafirmam o compromisso do ECN com uma abordagem plural e interlocuções com instâncias de política pública nacional.
Oficinas, arte, música e ancestralidade em cena
A programação cultural promete encantar e mobilizar. A tradicional Batalha de MCs, com atuação da MC Kaemy, está marcada para 3 de outubro. Natural de Uruaçu, Kaemy é tricampeã estadual de freestyle e figura expressiva da cena nacional do hip-hop. Além disso, a programação cultural incluirá:
Feira “Mulheres Negras do Centro-Oeste” (artesanatos, produtos agroecológicos, comidas típicas produzidas pelas comunidades tradicionais da região);
Exposição Entre Vozes e Visualidades: Tramas da Representatividade
Show da artista Milca;
Baile Black com DJ Iara Kevene;
Oficinas de capoeira, Poesia Negra, Percussão, Dança de Tambor, Tranças Kalunga, Street Dance, Crianças cacheadas e crespas, Afroafeto, Jongo, Fotografia, Dança Afro, Grafite, PANCs, Ballroom, Vasos africanos, Autocuidado, Canto em Iorubá, Sam, Macramê, Oralidade e Lambe na rua, Construção de Adobe, Paçoca de Pilão, Rapadura, e minicurso “Descansa Guerreira”, Agroturismo, entre outras;
Mostra de cinema Chica Machado;
Cortejo com o projeto Sankofa, conduzido por estudantes dos câmpus Inhumas e Itumbiara com o professor Kemuel Kesley;
Apresentações de Dança de Tambor das comunidades Quilombola.
Com esta edição, o Encontro de Culturas Negras reafirma sua vocação de convergência, mobilização e visibilidade. Em Uruaçu, vozes negras ganharão espaço para ecoar suas histórias, demandas e saberes — e fortalecer uma agenda de reparação, inclusão e transformação para o Centro-Oeste e além.
Serviço
Evento: VII Encontro de Culturas Negras (IFG)
Local: Câmpus Uruaçu do IFG
Data: 1 a 4 de outubro de 2025
Mais informações: