Evento na Capital comemora 15 anos com participação de grupos de várias cidades goianas e de Minas Gerais

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Tambores, violas, violões, acordeon. Tudo pronto e afinado para o 15º Encontro de Folia de Reis de Goiânia, que acontece nos próximos dias 30 e 31 de janeiro. A Praça da Matriz de Campinas vai receber diversos grupos de Goiânia, de cidades do interior e do Estado de Minas Gerais. No sábado, 30, a festa é a partir das 15h e no domingo 31, começa às 7h, sempre com entrada franca.

O secretário de Cultura, Ivanor Florêncio, vê com muito entusiasmo a realização do encontro: “A Folia de Reis tem um significado todo especial para a cultura brasileira e pra mim, em particular, pela minha origem do interior, a festa tem a magia de congregar famílias e comunidades. Daí o carinho e o cuidado que temos de proporcionar ao goianiense uma festa linda, cheia de cores e de alegria”, declara.

Este ano, o evento vai homenagear dois importantes nomes da arte e cultura popular de Goiás: a artista plástica Helena Vasconcelos e o escritor Bariani Ortêncio. A novidade será uma roda de conversa com produtores culturais, mestres e demais envolvidos no registro de culturas populares sobre políticas públicas relativas ao setor. A atividade acontecerá dentro do evento e aberta à participação do público.

O encontro de Folia de Reis acontece em Goiânia desde 2002 com o propósito de resgatar a tradição, e de atuar decisivamente na tarefa de preservar essa importante expressão cultural brasileira. “Durante todos esses anos, a festa nunca parou. Este é mais um motivo pra comemorarmos os 15 anos deste evento tão importante para a nossa cidade”, diz o Ivanor Florêncio.

Folia de Reis

A Folia de Reis é uma tradição popular característica do meio rural que transcende o âmbito religioso de sua origem ao incorporar aspectos profanos que a identificam na cultura brasileira como manifestação folclórica. Ela representa de forma artística a viagem dos três reis magos em busca do menino Jesus, que acabara de nascer.

No Brasil, a Folia de Reis chegou com os jesuítas no século 16, mas ganhou força mesmo no século 19, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. De acordo com a região, o evento apresenta aspectos diferenciados, seja na utilização de instrumentos típicos, nas toadas, na gastronomia ou nos giros (caminhadas) dos grupos. A denominação de grupos muda para ternos, companhias ou folias, também a depender do local da festa.

George Duarte, consultor de culturas populares e colaborador do 15º Encontro de Folias de Reis, trabalhou na primeira edição em 2002 e ajudou a formatar o Encontro. Ele explica que um dos objetivos deste ano é valorizar as expressões relativas aos instrumentos musicais utilizados nas diversas regiões brasileiras e a gastronomia típica da Folia, com seus sabores, a mesa farta e a distribuição solidária. Na tradição da Folia, cabe ao festeiro oferecer a comida e a festa aos participantes.

Duarte lembra também de um aspecto curioso na tradição da Folia, que é a ausência da mulher. Ocorre que isto vem mudando nos últimos anos e a mulher já tem participado de vários grupos ou ternos. “Creio que os jovens estão mais interessados nesta tradição e as meninas também acabam participando por influência dos familiares”, pondera o consultor. (Amauri Garcia, da editoria de Cultura – Secretaria Municipal de Comunicação)