Goiás sedia pesquisa que pode mudar prevenção à Covid-19

Frederico Vitor

Sob liderança dos maiores especialistas do mundo em imunização, Faculdade da Polícia Militar e universidade europeia vão analisar efeitos da vacina da gripe contra o Coronavírus

 

A Faculdade da Polícia Militar (FPM), em parceria com a Radboud University Medical Center, hospital universitário afiliado à Radboud University Nijmegen da Holanda, estão realizando em Goiás uma pesquisa científica com o intuito de verificar a eficácia da vacina de Influenza, usualmente usadas na prevenção à gripe, no treinamento de imunidade contra a Covid-19. O estudo, que é financiado pela instituição holandesa, tem liderança de especialistas de renome mundial em imunização, como o Doutor Mihai Netea e Doutor Leonardus A.B. Joosten. Os testes deverão contar com a participação de cerca de quatro (4) mil voluntários no Estado.

De acordo com o coronel da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) e coordenador da FPM, Sérgio Nascente, a pesquisa ampliou a participação de voluntários que já foram imunizados, total ou parcialmente, contra a Covid-19. Segundo ele, uma investigação científica desse porte deve se adaptar à realidade de avanço da vacinação contra o Coronavírus. “Está ampliado o acesso a mais pessoas que podem ser voluntárias neste projeto que pode ser referência em todo o mundo”, explica. 

O projeto

O projeto envolve a aplicação da vacina contra influenza em voluntários em perfeito estado de saúde, ou seja, é aplicada uma vacina já testada e usada amplamente pela população, comprovadamente sem qualquer efeito colateral. “O que vamos fazer é avaliar sua eficácia em outros vírus, principalmente a Covid-19”, ressalta coronel Nascente.

O estudo já detém autorização do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade da Polícia Militar (CEP/FPM), que é registrado e credenciado na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), vinculada ao Conselho Nacional de Saúde (CNS). Portanto, a ação científica é habilitada para realizar o acompanhamento das pesquisas que envolvem seres humanos. 

Voluntários

Podem participar da pesquisa até quatro (4) mil voluntários. Serão aplicadas duas (2) mil doses da vacina Influenza. O outro grupo de dois (2) mil voluntários receberá uma vacina placebo —  um grupo que recebe uma vacina sem efeito para comparar com os resultados dos demais grupos, essencial para validar o estudo. Este formato é usado em todas as pesquisas científicas no mundo. Ao participar do estudo, o voluntário contribui para a descoberta de um novo caminho de prevenção e cura da Covid-19.

A duração do monitoramento de cada participante vai depender dos resultados preliminares obtidos após três (3) meses, com duração máxima de 12 meses. Durante a admissão de cada participante, será realizada a coleta de informações essenciais, como dados demográficos, histórico médico, uso de medicamentos e histórico de vacinação, por meio da aplicação de questionários. Em seguida, os participantes serão separados em grupos específicos. 

O que é grupo placebo

No contexto médico científico, o emprego de placebo é chave em testes para avaliação e desenvolvimento de novos medicamentos, procedimentos e terapias. Ele funciona como base de comparação para testar a eficácia de drogas e tratamentos médicos. O placebo não possui efeito ativo, ou seja, não faz qualquer alteração no organismo e é uma importante ferramenta na pesquisa científica.

Geralmente, nos estudos sobre novos remédios, os voluntários são divididos em grupos, sendo que parte recebe o verdadeiro tratamento e outra parte toma os placebos. O paciente pode ou não saber em qual categoria foi incluído, assim como o médico. Quando nenhum dos dois tem conhecimento sobre quem está usando a droga real, o estudo é chamado duplo-cego. No fim da pesquisa, é possível avaliar se o remédio trouxe efeitos positivos, comparando o estado de saúde dos voluntários que tomaram o medicamento com o daqueles que ficaram com o placebo.

Critérios para participação na pesquisa

Serão selecionados voluntários em perfeito estado de saúde e que NÃO apresentem os seguintes quadros:

  • Alergia conhecida a (componentes das) vacinas Influenza e Tríplice Viral ou eventos adversos graves à administração anterior;
  • Febre (> 38º C) nas últimas 24 horas;
  • Gravidez (também sendo recomendado às participantes que se voluntariarem que evitem a gravidez por um mês após vacinação);
  • Suspeita de infecção viral ou bacteriana ativa;
  • Vacinação para influenza nos últimos 2 meses;
  • Diagnóstico de COVID-19 confirmado;
  • Pessoas com algum tipo de linfoma ou neoplasia maligna ou que tiveram nos dois anos anteriores;
  • Profissionais com envolvimento direto, na concepção ou execução, deste estudo;
  • Pessoas que tenham tido registrado ausência do trabalho de ≥ 4 das 12 semanas seguintes devido a qualquer motivo (férias, licença maternidade, aposentadoria, cirurgia planejada, etc.).

Pessoas imunocomprometidas, sendo excluída a participação de:

  1. a) indivíduos com infecção conhecida pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV-1);
  2. b) indivíduos neutropênicos com menos de 500 neutrófilos / mm3;
  3. c) indivíduos envolvidos em transplantes de órgãos;
  4. d) indivíduos com transplante de medula óssea;
  5. e) indivíduos em quimioterapia;
  6. f) indivíduos com imunodeficiência primária;
  7. g) indivíduos com severa linfopenia com menos de 400 linfócitos / mm3;
  8. h) indivíduos em tratamento com quaisquer terapias anti-citocinas;
  9. i) indivíduos em tratamento com esteroides orais ou intravenosos definidos como doses diárias de prednisona 10mg ou equivalente por mais de 3 meses, ou uso provável de esteroides orais ou intravenosos nas quatro semanas seguintes;

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