Patricia Finotti

(crédito: Camila Fontenele)

Lumieira Comunicação

Trabalho, fruto de sua tese de doutorado, aborda os impactos da construção de Brasília para o Centro-Oeste

A chamada modernização brasileira ainda é tida por muitos como sinônimo de progresso e desenvolvimento, mas sua execução foi um processo violento para homens e mulheres comuns que viviam em terras consideradas “vazias” no interior do país. Esta narrativa é tensionada em sete dos documentários do cineasta Vladimir Carvalho. A historiadora e jornalista Aline Fernandes Carrijo mergulhou nesses documentários durante sua pesquisa de doutorado, agora disponível no livro “Diante da Catástrofe – A modernização brasileira nos filmes de Vladimir Carvalho”, lançado pela Cubile Editorial. Em Goiânia o lançamento vai acontecer no dia 29 de abril, às 9h, no IHGG – Casa Rosada e no dia 30 de abril, às 18h, na Livraria Palavrear. A entrada é gratuita em ambos os lançamentos e o livro estará à venda por R$90. 

Acidentes não registrados, corpos desaparecidos, comunidades expulsas de suas terras de origem e modos de vida destruídos. Falecido no fim de 2024, Vladimir Carvalho dedicou sua vida a registrar brasileiras e brasileiros espalhados pelo país a partir de uma perspectiva original sobre a chamada modernização do Brasil desde o Centro-Oeste do país – localidade ainda pouco considerada pela historiografia clássica do cinema nacional moderno. 

Aline Fernandes Carrijo, goiana, é fundadora da Agência Mosaico e defendeu o seu doutorado em História Social, na Universidade de São Paulo. Com formação em História, Jornalismo e MBA em Cinema Documentário, Carrijo se dedica a projetos que conectam pesquisa acadêmica, memória e comunicação pública.

A Modernização como Catástrofe

Os documentários analisados foram produzidos entre 1974 e 1991 e contam histórias de camponeses, moradores de vilarejos, operários e quilombolas que viviam na região em que Brasília foi construída ou que migraram para construir a capital federal: Vila Boa de Goyaz (1974), Quilombo (1975), Mutirão (1976), Brasília segundo Feldman (1974), Perseghini (1984) Conterrâneos velhos de guerra (1990) e A paisagem natural (1991). 

Para a autora, os documentários funcionam como mediadores de memória, construindo narrativas que complexificam nossa compreensão sobre o colonialismo interno e a chamada modernidade anômala brasileira, como define o sociólogo José de Souza Martins. “No lugar de celebrar heróis oficiais, os filmes de Vladimir dão forma à resistência esquecida, numa perspectiva que se alinha à história a contrapelo, defendida por Walter Benjamin”, comenta Aline Carrijo.

Um olhar sobre o Brasil

O livro também propõe uma releitura da trajetória de Vladimir Carvalho, superando as categorizações limitantes que o definem apenas como cineasta nordestino ou de Brasília. Nascido na Paraíba e radicado no Distrito Federal desde os anos 1970, Vladimir construiu um projeto cinematográfico que interpreta o Brasil. Seus filmes sobre o Planalto Central não são apenas registros locais, mas interpretações sobre a formação do país: da economia colonial das fazendas goianas à resistência quilombola, do trabalho coletivo tradicional à violência da construção de Brasília. 

É, nesse sentido, que a autora defende que Vladimir deveria ser caracterizado como cineasta nacional, cujo olhar sobre o Brasil vai muito além das experiências regionais. “A partir do registro de pessoas e realidades diversas, sua obra ofereceu uma interpretação original sobre um Brasil menos representado pelos filmes nacionais”, defende a historiadora.

Lançamentos em Goiânia

Durante o mês de abril, mês em que se rememora os 66 anos de inauguração da cidade de Brasília, retratada nos filmes de Vladimir Carvalho, o livro está sendo lançado em dois estados e em três cidades diferentes. Essa será a terceira etapa de lançamentos do livro, que já passou por São Paulo capital, no 31º Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade”, importante espaço nacional sobre a produção de documentários contemporâneos; e no interior de São Paulo, em Sorocaba, onde, em parceria com o LabCinE (Laboratório de Cinema Experimental) numa sessão especial do CineFarol, houve exibição dos filmes do Vladimir seguido de apresentação do livro. 

Sobre a Cubile Editorial

A Cubile Editorial nasceu em Sorocaba (SP), em 2022, da vontade de fortalecer e construir novos caminhos na literatura. Fundada por Cícero Santos e Pedro Carvalho, a editora entende cada publicação como escolha estética e política. O catálogo reúne vozes contemporâneas, muitas delas fora do eixo, atravessando ficção e não ficção com atenção ao presente e às suas tensões.

Serviço:

Jornalista e historiadora goiana Aline Fernandes Carrijo lança livro sobre o cineasta Vladimir Carvalho

Data: 29/4, às 9h

Local: IHGG – Casa Rosada (R. 82, 455 – St. Sul, Goiânia – GO

Data: 30/4, às 18h

Livraria Palavrear, R. 232, 338 – St. Leste Universitário, Goiânia – GO

Entrada gratuita

Mais informações: 

www.instagram.com/aline_carrijo e www.instagram.com/cubileeditorial

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