Débora Venturini
Evento na semana do Dia da Mulher expõe falhas no atendimento, cobra políticas públicas no SUS e propõe a menopausa como divisor de águas para a longevidade feminina
Enquanto milhões de brasileiras enfrentam ondas de calor, depressão, perda de memória, baixa libido e exaustão sem diagnóstico adequado, a jornalista Maria Cândida transforma a menopausa em pauta central de saúde pública. Nos dias 6 e 7 de março, na Unibes Cultural, ela realiza a segunda edição do Menopausa Summit, considerado o maior evento do Brasil dedicado exclusivamente ao tema — reunindo 23 médicos e especialistas, além de uma convidada simbólica: uma mulher de 103 anos que atravessou o climatério quando o assunto simplesmente não existia.
A provocação é clara: O Brasil está preparado para cuidar das quase 30 milhões de mulheres que vivem a menopausa hoje?
O encontro reúne 23 médicos de áreas como Endocrinologia, Ginecologia, Cardiologia, Neurologia, Psiquiatria, Nutrição, Dermatologia e Gerontologia. Entre os temas, estão Reposição hormonal, implantes hormonais, saúde mental, libido, ganho de peso, prevenção cardiovascular, menopausa no SUS, entre tantos outros. A discussão sobre a Menopausa se torna essencial no momento em que há o aumento da expectativa de vida e portanto, é preciso pressionar políticas públicas para voltadas à mulher madura.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30 milhões de brasileiras vivem o climatério e a menopausa. Grande parte depende exclusivamente do SUS. Maria Cândida defende que a menopausa precisa sair da esfera privada e virar política pública estruturada. “Muitas mulheres são arrimo de família e estão atravessando essa fase sem apoio, sem diagnóstico e sem medicação adequada”, afirma.
“Eu achei que estava enlouquecendo”
Aos 54 anos, Maria Cândida viveu na pele o que milhões enfrentam sozinhas: irritabilidade extrema, lapsos de memória, depressão, insônia, queda de produtividade e crises de identidade. Sem informação clara, chegou a duvidar da própria sanidade. O que começou como experiência pessoal virou posicionamento público: A menopausa não é o fim da juventude. É um ponto estratégico para definir como a mulher chegará aos 70, 80 ou 90 anos.
Uma centenária abre o evento e escancara o silêncio histórico
A abertura será com Dona Hélina, professora e assistente social de 103 anos, que viveu a menopausa há mais de cinco décadas — quando sintomas eram tratados como “histeria” ou fragilidade feminina. A presença dela estabelece o contraste: Antes, silêncio. Hoje, ciência — mas ainda pouco acesso.
Celebridade e alcance
A atriz Priscila Fantin participará do evento falando sobre saúde mental na menopausa — tema ainda cercado de preconceito.
SERVIÇO
Menopausa Summit 2026
6 e 7 de março
A partir das 9h
Unibes Cultural – São Paulo
Ingressos
R$ 120,00 (inteira) | R$ 60,00 (meia-entrada)
Ingressos on-line:
https://tickets.oneboxtds.com/