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Patricia Finotti

Mayara Vila Boa 
Com o slogan “Você não precisa enfrentar isso sozinha”, a plataforma traz, em um só lugar, serviços de proteção, acolhimento e caminhos para fortalecer a autonomia feminina
A Associação Cultura, Cidade e Arte (ACCA) lançou no dia 25 de agosto, às 9 horas, a Rede Conecta ACCA. Trata-se de uma plataforma digital totalmente gratuita que funciona no endereço https://redeconecta.org. Ela reúne informações e serviços de apoio à mulheres vítimas de violência doméstica nos 21 municípios da Região Metropolitana de Goiânia. O objetivo é reunir, em um só lugar, o máximo de informações possíveis para ajudar as mulheres a sair do ciclo da violência. Ao todo, foram mapeados 143 serviços públicos, coletivos, movimentos e organizações que apoiam mulheres na Região Metropolitana de Goiânia.
A plataforma nasceu para resolver um problema simples: muitas mulheres não sabem onde procurar ajuda e as informações costumam estar espalhadas entre diferentes instituições. Na Rede Conecta os caminhos de acolhimento, saúde, segurança, justiça e autonomia estão organizados para facilitar o acesso quando cada minuto faz diferença.
O site traz informações básicas como números da polícia para pedir ajuda, com direito à botão rápido para pedir ajuda agora. A vítima também encontra informações sobre onde buscar orientação jurídica, serviços sociais que podem ajudá-la a recomeçar, locais de acolhimento e também coletivos e movimentos de mulheres.
A Rede Conecta foi pensada nos mínimos detalhes. Tem até mesmo um botão de “saída rápida” que acompanha a rolagem da tela. Se a mulher for surpreendida pelo agressor enquanto busca informações no site, basta clicar no botão e a tela rapidamente se fecha, impedindo que ele veja que ela está buscando ajuda.
A ACCA é uma Organização da Sociedade Civil que atua em Goiânia e Região Metropolitana há mais de duas décadas. E, ao longo de sua trajetória de atuação, por meio de pesquisas com vítimas de violência doméstica, foi constatado que 35% das mulheres buscam proteção em redes informais, como amigas, vizinhas e familiares; e 26% citaram coletivos de mulheres, totalizando 61% das respostas. A Delegacia da Mulher aparece como uma das portas mais conhecidas, mas não como a primeira referência de confiança. Isso significa que a proteção costuma começar antes da chegada ao Estado. Ela nasce nas relações construídas nos territórios, onde confiança, proximidade e conhecimento da realidade local antecedem qualquer protocolo institucional.
A rede informal não substitui o dever do poder público. Ela revela por onde as mulheres de fato conseguem entrar na rede e onde as políticas públicas precisam se conectar melhor com a vida cotidiana.
Inclusive a Rede Conecta disponibiliza um diagnóstico para ajudar as políticas públicas a avançar cada vez mais na proteção à mulher. E, uma delas é reconhecer coletivos feministas e organizações comunitárias como parte estruturante da rede de proteção, com visibilidade institucional, fomento contínuo, formação permanente e participação formal nos fluxos de atendimento. Criando mecanismos de integração que fortaleçam essas redes sem burocratizá-las e garantir que encaminhamentos realizados por coletivos tenham acesso efetivo aos serviços públicos.
Márcia Pelá, pesquisadora e presidente da ACCA destaca a relevância da plataforma: “A Rede Conecta é um importante instrumento em defesa da vida das mulheres. É mais que uma plataforma, é um cuidado que temos para proteger a vida das mulheres e conectar os movimentos sociais com essa rende, buscando a importância que eles tem no cotidiano dessas mulheres”.

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