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Patricia Finotti

(crédito: arquivo pessoal  Rafaela Rocha)

Ana Paula Mota

No sábado, 27 de julho, a partir das 16h, o Orum Aiyê Quilombo Cultural abre suas portas para a sexta edição do Mercado de Àkesán. O evento terá como atrações a exposição individual “Aláfia – No trançar da ancestralidade”, da artista visual Rafaela Rocha; apresentação musical de Milca Francielle, às 19h; além de uma pequena “Feira Preta”, com produtos de artistas negros goianos, como cachaças artesanais, quadros, moda afro, literatura e gastronomia. O acarajé, tradicional da culinária afro-brasileira, será servido às 16h, no início do evento. A entrada é gratuita. O quilombo se localiza na região Norte de Goiânia, no Residencial Nossa Morada. 

“Aláfia – No trançar da ancestralidade” é uma série artística da criadora Rafaela Rocha inspirada na cultura afro-brasileira, especialmente o Candomblé e os Orixás. As técnicas utilizadas nas obras incluem macramê, bordado e outros métodos de trançado, feitos com materiais naturais como búzios, conchas, pedras, sementes, barbante ecológico, miçangas e sisal. Cada obra tem o intuito de transmitir referências de fé, ancestralidade, oralidade, saberes e cultura popular, presentes em nosso cotidiano e representativos da cultura negra.

Com curadoria de Raquel Rocha, a coleção busca transcender emoções e expressar a afro religiosidade dos Orixás no Brasil e em Goiânia como uma forma de arte e ato político, enfrentando a intolerância e preconceito contra pessoas negras e de terreiro. O termo “Aláfia” significa “caminhos abertos” em iorubá.

 

Alicerçando a luta antirracista

O Mercado de Àkesán nasce do desejo dos produtores culturais e artistas Marcelo Marques e Raquel Rocha de realizar um evento afrocentrado com o propósito de gerar mais possibilidades de renda para afroempreendedores, contribuir para a valorização da produção artística em Goiás e potencializar trocas trazendo artistas de outros estados e nacionalidades. “Vale lembrar que a cultura dos povos negros tem sido histórica e sistematicamente negada pelas estruturas racistas que são hegemônicas nos locais poder. Com isso o Mercado de Ákesàn visa subverter essa ordem pensando por um viés afirmativo, no qual o protagonismo negro é o foco”, compartilha Raquel Rocha, que complementa: “Trazer talentos reconhecidos para nosso Quilombo cultural alicerça a nossa luta antirracista e colabora para a promoção da arte preta. Ao mesmo tempo, fortalece a construção de novas subjetividades para as demais pessoas negras que frequentam o Orum Aiyê”, comenta Raquel sobre a escolha das atrações.

O nome do mercado faz referência a um cargo de Exú na Nigéria, que é o senhor do movimento, dos encontros e das encruzilhadas. Segundo Raquel Rocha, “O evento traz as intersecções de diversas práticas culturais. Além das atrações artísticas, a Feira Preta, que nesta edição acontece de forma reduzida, mas não menos atraente, tem o propósito de proporcionar esse acesso a produtos diferenciados, feitos por mãos pretas, e que nem sempre estão disponíveis nos ambientes de comércio mais comuns.”, compartilha a produtora e artista.

Sobre o Orum Aiyê Quilombo Cultural

Fundado por Raquel Rocha e Marcelo Marques, o Orum Aiyê Quilombo Cultural é um espaço de resistência afrocentrada, promovendo ações anti-racistas e afirmativas que empoderam a produção artística preta. Localizado na região Norte de Goiânia, o quilombo atua em diversas frentes, como Artes Visuais, Circo, Teatro e Educação.

Serviço:

Sexta edição do Mercado de Àkesán | Exposição “Aláfia – No trançar da ancestralidade”

Data do Mercado: 27 de julho – a partir das 16h

Local: Orum Aiyê Quilombo Cultural (Rua 10, Qd L, Lt. 10, Residencial Nossa Morada – Goiânia/GO)

Período da exposição: de 27/07/2024 à 17/08/2024 (com agendamento durante a semana e aberto de 10h às 13h aos sábados). 

Entrada franca

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