Patricia Finotti

Fernanda Cappellesso 

 

Organizada através da parceria entre o espaço Rumos e a Casa Arte Plena e parte da programação #FargoAnoTodo, a Exposição RUA contempla uma cartografia relacionada aos múltiplos territórios da RUA, desde seus aspectos históricos e sociais, aquilo vinculado a dinâmicas sociais e emocionais, lugar de coalizão e imaginação política. A mostra fica em cartaz até 01 de novembro e tem entrada gratuita.

Pinturas, esculturas, colagens, grafites e pichações, compõem o cenário dentro e fora da galeria nesta exposição, que possui como uma de suas citações, o pintor e cronista visual Amaury Menezes; a obra de Amaury, cedida para a mostra pelo Museu de Arte de Goiânia, uma pintura feita há quase 40 anos, traz em sua essência  os anseios sua geração.

A seleção de artistas também conta com os nomes de: André Bragança, Bianca Rezende, Bulacha, Carlos Monaretta, Cássia Nunes, Diogo Rustoff, Dojla, Hortência Moreira, Itty, Kika, Larovski, Mury, Paulo Paiva, Reno, Wilson dos Santos, ZéCèsar e DJ Giras, trazendo a paisagem sonora, enfatizando a orbe musical no contexto urbano.

A brancura do cubo branco, bem como seu papel no processo de produção de hegemonias e na lógica especulativa do mercado de arte, é aqui desrespeitada para viabilizar uma ocupação a várias mãos, tensionando o elitismo e as políticas de exclusão que frequentemente marcam o sistema, não só de arte. Arte-se, presente no mural que abre a exposição, é gesto síntese desses artistas no convite de leitura e percepção do fenômeno cifrado que é a cidade, em suas dinâmicas de disputa e partilha.

A pichação manifesta uma vontade de saber-poder, revelando o desejo de inscrever-se no espaço urbano de forma visível, esquivando das políticas invizibilizadoras e cercanias. É criação de trilheiros para o sujeito dividido, em uma cidade oferecida em uma prateleira de supermercado. A exposição, portanto, apresenta algumas das reivindicações ao direito à cidade. Ao interferir nos muros, intencionamos atravessar territórios; fazer barricadas de luta, de diálogo e de reivindicação, onde o opaco se torna voz e presença, recapitulando a ocupação desse cerrado, as lutas, a violência e sua redistribuição. Nós pretendemos riscando outras linhas de força, produção de borrões nos mapas, fazendo pontos de vazão.
 
SERVIÇO
EXPOSIÇÃO RUA
(Exposição coletiva)
LOCAL: CASA ARTE PLENA
VISITAÇÃO: ATÉ O DIA 01 DE NOVEMBRO DE 2024
HORÁRIO: 10 às 12 h – 14 às 19 h

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