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Patricia Finotti

Kasane / Dora Teruel  

Levantamento recente mostra que 72% dos brasileiros conectados se informam diariamente por redes sociais, tendência também refletida no avanço de plataformas digitais em coberturas de esporte e política

 

O jeito como o brasileiro se informa mudou de forma estrutural nos últimos anos. Segundo levantamento do Cetic.br divulgado em 2026, as plataformas digitais são hoje o principal meio de acesso à informação entre brasileiros com 16 anos ou mais, superando rádio e televisão. A pesquisa, feita com 5.250 usuários de internet, mostra que 72% acessam diariamente informações por redes sociais, incluindo vídeos curtos, plataformas de vídeo e feeds de notícias, enquanto rádio e televisão somam pouco mais da metade (58%).

De acordo com o módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da PNAD Contínua, divulgado pelo IBGE, existe um movimento de transição estrutural em que a base de assinantes do cabo e do satélite migra para modelos de distribuição linear via streaming. O modelo já alcançava 33,4 milhões de residências no Brasil em 2025, o equivalente a 44,4% dos domicílios com televisão, enquanto a TV por assinatura encolheu para 23,5%.

Apesar de existir esse forte movimento no Brasil, esse não é um comportamento exclusivo dos brasileiros. Um estudo do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford, e conduzido pela YouGov em 48 países, apontou que as redes sociais e as plataformas de vídeo passaram a ocupar a posição de principal fonte de informação para o público mundial, superando os meios tradicionais.

O esporte abriu caminho

Esse deslocamento apareceu de forma mais visível no esporte, com a consolidação da CazéTV como fenômeno de audiência digital. Na Copa do Mundo de 2026, o canal foi o único a exibir os 104 jogos da competição de forma gratuita, e encerrou o torneio ocupando 29 das 30 transmissões ao vivo mais assistidas da história do YouTube. A plataforma chegou a mais de 100 milhões de dispositivos alcançados ao longo do Mundial, com pico de 24 milhões de aparelhos conectados simultaneamente na semifinal entre França e Espanha.

As grandes redes também aderem

O caminho inverso também existe e a tendência também é seguida pelos grandes grupos de comunicação. Um exemplo é o lançamento da GETV, novo streaming de esportes da Globo lançado em setembro de 2025. Diferente do Globoplay, além do conteúdo especializado, o canal é aberto para todos os públicos e está disponível no YouTube.

A Roxo News amplia o modelo para o jornalismo

Nascida no ambiente digital, a Roxo News é outro exemplo desse movimento, com a diferença de que a plataforma busca levar a lógica multiplataforma para além do esporte. A editoria Roxo Sports já soma mais de 180 mil inscritos e assumiu, por cinco anos, a transmissão oficial do Rally dos Sertões, no qual utilizou câmeras instaladas nos veículos dos competidores para acompanhar a prova de dentro dos carros.

Agora, a Roxo News se prepara para sua primeira grande cobertura eleitoral, com operação integrada entre portal, YouTube e redes sociais, mobilizando 20 profissionais entre São Paulo, Rio, Minas, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. A programação do dia da votação começa às 7h e segue até o fim do dia, acompanhando a apuração em tempo real. “É a primeira grande cobertura eleitoral da Roxo. Nossa redação estará mobilizada ao longo de todo o domingo (04) para acompanhar a eleição em tempo real, da votação à consolidação dos resultados”, afirma o fundador e CEO da Roxo News, Lélio Vieira Carneiro Júnior.

Para Lélio, o desafio segue em 2027. “Entendemos esse movimento de descentralização da notícia e o próximo passo é consolidar a multiplataforma, profissionalizar cada vez mais a operação e fazer a Roxo News crescer com sustentabilidade, identidade própria, e claro, credibilidade”, pontua o fundador, que também reforça o compromisso editorial que orienta a plataforma desde o início informar com agilidade, responsabilidade e equilíbrio, “sem transformar a notícia em torcida”.

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